Contos e Crônicas Não categorizado

Diálogo

 
 
– O Marcelo é um idiota, João!
 
– É claro que ele é, Ana. – disse João calmamente, ao se esparramar no sofá do quarto dela.
 
– Tá vendo? Por que só ele não enxerga isso? Quer dizer, vocês são melhores amigos há anos e até você admite quão estúpido ele é.
 
Ana estava irritada e não conseguia parar de andar de um lado para o outro dentro do quarto. Por que o Marcelo tinha que ser assim? Ele não ligava pra ela, nem sequer escutava o que ela dizia. Uurgh! Ele era tão horrível!
 
– Sabe qual é o caso, Ana? Eu sei que o Marcelo é um idiota e que você é também, as vezes, mas eu aceito isso e tudo bem. Eu aceito quem vocês são, e quando você aceitar o Marcelo por quem ele é, as coisas vão se resolver.

– Comé que é?? – ela gritou absolutamente histérica, afinal, como o João ousava falar que ela não gostava do seu namorado como ele era? Ela gostava dele como, então?
 
– Olha, – João sentou calmamente no sofá e a encarou – enquanto você esperar que o Marcelo seja e aja como você gostaria e adivinhe seus pensamentos, ele sempre será o maior idiota para você. Ele gosta de sair aos domingos pra jogar futebol, de tomar uma cerveja com a galera depois do último tempo da faculdade na sexta a noite, gosta de ficar sozinho e meio isolado nas férias, mas qual é o problema nisso? Esse é quem ele é.
 
– Ótimo! Agora o Marcelo tem um advogado de defesa! – Ana já estava quase chorando de frustração. Por que ninguém conseguia compreendê-la?
 
– O caso é que ele te busca depois da sua aula, mesmo que isso tire dele, pelo menos, meia hora de almoço, mas ele tá sempre lá porque é importante pra você, mas você não consegue ver isso. Você só vê os erros do cara, Ana, assim não há amor que aguente.
 
– Por que? Você é o senhor perfeito?
 
– Não, Ana. Nem eu, nem o Marcelo e muito menos você somos perfeitos, mas eu sei aceitar as pessoas. Tipo, ele é meu melhor amigo, mas não me liga pra saber se eu continuei ficando com a Mônica ou se já acabou, mas tudo bem, porque em algum momento eu vou falar com ele sobre isso. Eu não te pergunto sobre sua vida sexual com o Marcelo e você também não pergunta pra ele como anda o trabalho.
 
– O Marcelo anda reclamando pra você, é isso? – agora ela se sentou ao lado do João, no sofá, preocupada.
 
– Claro que não, porque ele não reclama de nada. Esse é quem ele é, você consegue entender?
 
– Talvez você tenha razão. – ela suspirou.
 
– Tudo o que você precisa fazer é parar de esperar que o Marcelo seja como você e aceitar que ele é só o estranho do Marcelo. Que precisa ficar sozinho de vez em quando, que gosta de jogar videogame e futebol aos domingos de manhã, em vez de ir aos nossos problemáticos almoços de família
 
– Hey, – Ana passou o braço ao redor dos ombros do João – quando foi que você começou a crescer e criar tanta sabedoria?
 


– De novo: as pessoas não são como você. – ele disse e saiu sorrindo. 
Sabia que havia passado dos limites e que a irmã o pegaria agora.
 
————————————————————————————
 
E assim eu percebi minha mania de esperar que as pessoas tenham as mesmas reações que eu tenho de frente as mesmas circunstâncias.
Cada ser humano é único, e como a lei da física de que cada ação traz uma reação, a mesma ação de vários indivíduos traz consequências e reações diferentes para cada um deles.
 
=]

Comments

comments

You Might Also Like

No Comments

Comente