Pensamentos

Cartas não entregues: 01

Decidi criar aqui uma sessão sobre cartas não entregues.
As vezes a inquietação é grande e não em formato de belos textos, mas em desabafos pesados e dolorosos, então este será o primeiro e não sei com qual frequência aparecerá.
Provavelmente à medida que meu coração gritar.
 
Talvez seja assim porque operamos da mesma forma. E, talvez, por isso, poucas coisas que você faz, me surpreendem. Espera. Eu disse coisas? Na verdade, quis dizer loucuras!
Em determinado momento da minha vida, talvez o que eu mais precisei, você começou a me deixar de lado e a me abandonar aos poucos, deixando um imenso vazio aqui dentro. Um buraco que começou a ser coberto por mágoas e por uma resistência a você, da qual, por muito tempo, não tive controle. Não consigo confiar em você novamente. E não é porque não tenha tentado, mas porque toda vez, você me apunhalava novamente, criando um vão sem fim de distanciamento.
 
Sabe o que é mais estranho?
Eu nem sei o motivo de tudo isso. Como alguém pode exigir algo que nunca doou? Pedir ajuda sem nunca ter incentivado a união, sem nunca ter partilhado sua vida, tenham sido nos momentos bons ou ruins, você nunca soube dividir.
 
Sabe o que eu sinto?
Pena de quem você é, pena das suas ações e das palavras que profere. Pena do que suas atitudes possam causar no seu futuro, pena do seu futuro tão só.
Mas não se preocupe, porque apesar de sermos tão parecidos, eu não cometerei os mesmos erros que você cometeu. Eu estou me tornando uma pessoa melhor, eu vou ser grande para alguém, eu saberei carregá-lo nos braços, sem julgamentos, sem questionamentos.
 
Eu não te desejo o mal, pois ao contrário de você, não acredito que a vingança esteja em nossas mãos, eu acredito em carma, acredito em um Deus da justiça. Espero que quando você se der conta de todo o mal que fez e faz, não seja tarde para reparar os erros. Espero que aceite meu perdão, pois meu coração não guarda ódio mais. Guarda comoção e amor, não mais rancor.
 
As minhas feridas estão todas cicatrizadas, mas nunca se esqueça de que as cicatrizes marcam a pele para sempre. E todas as vezes que ver as minhas feridas cicatrizadas, vou me lembrar de não ser como você, vou me lembrar de lutar com todas as forças de correr para o mais longe possível. Quero ouvir o orgulho e o respeito ao dizerem meu nome, não o medo e o receio.
 
Tudo o que eu sinto, senti e sentirei, são consequências das suas palavras que cortam como uma navalha afiada, e das suas atitudes, que mais parecem rasteiras do que passos dados.
 
Pode parecer triste, mas eu me sinto livre por colocar tudo para fora, por saber quem eu não quero ser e por querer crescer.

 

Att.

2012

Comments

comments

You Might Also Like

2 Comments

  • Reply
    Grazielle Vieira
    5 de maio de 2016 at 20:17

    Claro que podemos ser diferentes, Júlia. Cada um de nós pode construir sua história. Leva tempo e paciência, mas com fé e amor, podemos ir longe! Obrigada você, por também dividir sua experiência.
    Muita força, querida ❤❤❤

  • Reply
    Julia França
    3 de maio de 2016 at 15:14

    vc me deixou emocionada, pois passo por uma situação parecida. obrigada por dividir essa carta e fazer acreditar que podemos ser diferente

  • Comente