FEMINISMO e suas vertentes

Eu até concordo com o feminismo, até quero direitos, mas não concordo com…
Algumas feministas são muito radicais! Por isso, não me considero feminista…
 
 
Embora muitas pessoas pensem que nós, feministas, somos algum tipo de super-heroínas com poderes de curar todos os males do mundo, somos apenas mulheres. Somos apenas seres-humanos. Somos pessoas, como todas as outras. Logo, somos diferentes, como todas as outras. 
Nenhuma pessoa é igual, cada uma tem sua essência e suas particularidades, certo? Então, por que feministas seriam diferentes? Por que pensaríamos e agiríamos da mesma maneira? 
Algumas de nós acreditam na inserção masculina no movimento, outras balançam a cabeça negativamente e dão risada quando isso é citado. Algumas meninas acreditam que pessoas trans tem que ter sim voz, outras já falam de socialização e papeis de gênero. 
Parece confuso, né? Mas isso tudo se deve ao fato de não sermos todas iguais. Temos vertentes diferentes e, às vezes, nem temos vertente. Adaptamos o movimento de acordo com o que acreditamos. E não tem problema, o importante é você conhecer um pouco de cada, então vamos lá:
 
FEMINISMO LIBERAL:

O feminismo Liberal, ou “LibFem” é, na maioria das vezes, o primeiro contato que as meninas tem com o feminismo, principalmente por ser o feminismo de diversas celebridades. 
Essa vertente tem como particularidade a inserção do homem no movimento feminista, pois enxerga que os homens são tão prejudicados com o machismo quanto as mulheres. Também tem como singularidade a atenção expressiva para tópicos como a igualdade salarial. Como diz o nome, é a vertente mais liberal possível, tanto na participação de gêneros quanto nas questões corporais, como depilação e prostituição. O lib acredita que a mulher é livre para escolher o que fazer com o seu corpo.
Libfems na mídia/para se pesquisar: Emma Watson, Betty Friedan, Naomi Wolf e Susan Falidi
 
FEMINISMO INTERSECIONAL: 
A vertente Intersec, como é chamada, surgiu na década de 1980, com Kimberly Cranshaw. A ideia era discutir as pautas de mulheres periféricas, pois as intersecs pensam que não há como discutir opressões separadamente. Para elas, não há como comparar a opressão que uma mulher branca sofre com a opressão sofrida por uma mulher negra, pois a última também enfrenta o racismo, por exemplo. 

“Não tem como hierarquizar a opressão”
(Djamila Ribeiro).
 
Essa vertente tem como particularidade a inclusão das pessoas trans e, por isso, é conhecida como “transaliada”. 
Diferentemente das Libs, o feminismo intersecional reconhece o homem como opressor e a mulher como oprimida, não aceitando o primeiro como porta-voz do movimento. 
Uma similaridade com o movimento Lib, por sua vez, é a questão de depilação e prostituição. 
 
Feministas Intersecs na mídia/para se pesquisar: Kimberly Cranshaw, Audre Lorde, Bell Hooks e Chimamanda Ngozi Adichie

FEMINISMO RADICAL:
Com surgimento entre as décadas de 1960 e 1970, por meio das obras de Shulamith Firestone e Judith Brown, tem um posicionamento diferente de tudo aquilo que foi citado anteriormente. Ele vê o gênero estritamente ligado com seus papeis (de gênero), que significam opressão. 
 
Papel de gênero:
Papel de gênero feminino: 
BRINQUEDOS: Bonecas, panelinhas;

FRASES:  “Já pode casar!”; “Essa vai dar trabalho!”

Papel de gênero masculino:

 

 
BRINQUEDOS: Carrinhos, armas de plástico;

 

FRASES: “Esse vai ser garanhão!”;
 
Por esse ponto de vista, podemos perceber que a mulher é claramente ensinada a ser dominada e sua vida está constantemente ligada aservir. Enquanto, por outro lado, o papel de gênero masculino está ligado a oprimir e ao poder
Ainda na questão de gênero, temos a famosa polêmica de “transfobia radfem”. Se olharmos para o que a vertente prega – abolição do gênero e seus papeis -, veremos que, para as rads, a questão trans é um pouco incoerente, pois, para elas, transsexuais e travestis deveriam abolir o gênero e não “render-se a ele”.
Quanto as questões de performance de feminilidade (depilação, maquiagem, etc), são contra. O que não significa que seja abolido por completo, apenas que questionam. 
Também são contra a prostituição, pois acreditam que práticas como essa e a pornografia reforçam a prática masculina de objetificação da mulher.
 
Radfems na mídia/para se pesquisar: Catherine MacKinnon, Mary Daly e Andrea Dworkin
 
FEMINISMO NEGRO: 
Chegou ao Brasil em 1980, com o fortalecimento do movimento negro, sendo exclusivo para mulheres negras. 
É uma vertente totalmente singular: Luta pela monogamia, pois as mulheres negras muitas vezes são “a outra”; Tem como pauta o genocídio da juventude negra e a intolerância religiosa;
A mulher negra é vista como forte, como se tivesse que aguentar tudo calada, pois, nas palavras da feminista e filosofa Djamila Ribeiro: “Seu companheiro já sofre a opressão do racismo, então ‘não se deve denunciar‘”. 
O feminismo negro vê a maquiagem como algo empoderador. Todavia, a mulher negra não se vê representada na mídia e nem nos padrões de beleza. 
Feministas negras na mídia/para se pesquisar: Nataly Neri (Afros e Afins) e Djamila Ribeiro
 
FEMINISMO TRANS: 
Em oposição a teoria de gênero como construção social, temos o feminismo trans. Transsexuais e travestis defendem que, mesmo não sendo socializados desde a infância com a opressão sofrida por uma mulher cis, também sofrem de diversas pautas como assédio. 
A transfobia, por sua vez, é incluída no feminismo interseccional, que aborda todos os tipos de opressão juntamente com a opressão machista.

Transfeministas na mídia/para se pesquisar: Laverne Cox e Rosa (Barraco da Rosa)
 
FEMINISMO MARXISTA:
O feminismo marxista prega que a opressão para com a mulher (machismo), está completamente ligada com o capitalismo. Para elas, o capitalismo seria o grande beneficiado com todas as imposições de padrões de beleza. 
Além disso, para essa vertente, não existe revolução comunista sem feminismo, e nem revolução feminista sem comunismo.
Feministas Marxistas na mídia/para se pesquisar: Rosa Luxemburgo, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai
 
FEMINISMO ANARQUISTA: 
Essa vertente tem como principal característica a oposição a qualquer tipo de hierarquia:
“Nem Deus, nem marido, nem patrão. Jamais submissão!”
(La Voz De La Mujer, jornal argentino AnarcoFeminista)
 

 

Assim como o Feminismo Marxista, é uma vertente extremamente acadêmica.

 

 
AnarcoFeministas na mídia/para se pesquisar: Maria Lacerda de Moura, Emma Goldman e Mary Wollstonecraft
Por: Duda

 

 

 

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1 Comment

  • Reply Anônimo 16 de julho de 2016 at 15:35

    Utilidade pública, eu amei d+