Fragmentos de um passado meão

’Você que me ensinou a amar meu bem!”

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Quanto tempo demora para eu esquecer como os seus olhos brilham quando via uma criança na rua? Ou o jeito que franze a testa ao falar sobre política? Ou ainda quando estávamos atrasados, o seu olhar despretensioso falando que eu ficava linda com qualquer roupa, só para eu não trocar de blusa pela milésima vez?

Eu vi tantos pores do sol nesse tempo e em nenhum momento a falta de você foi sentida, passaram algumas pessoas por aqui, outras com intenção de ficar, em momentos que eu estava perdida. Não achei justo trazer alguém para meu próprio pandemônio.

Dia ou outro a saudade insiste em aparecer, principalmente quando a pasta com seu nome começa tocar no carro, eu deveria fazer uma nova seleção; mas eu insisto que logo vou conseguir apreciar essas músicas sem melancolia, porém sem nostalgia eu não posso garantir.

Eu quis remover você da minha vida, amaldiçoei o dia que te conheci, ou que sai da minha casca de caranguejinha e deixei você entrar; entrar e ficar. Já te tornei insignificante. Hoje sou grata pela sua passagem na minha existência. Foram muitos erros cometidos de ambas as partes (hoje eu admito com clareza). Foram muitos sorrisos sinceros, os quais foram se perdendo junto de nós.

Nosso erro foi não ter admitido isso antes, e ter insistido em algo que teve data prévia para acabar. Não acredito que acabou o que não era para ser, apenas que acabou e eu de uma maneira utópica, quase inocente querendo deletar lembranças suas. Boas ou ruins? Ainda não me permito tirar conclusões!

Pessoas entram e saem da nossa vida em tempos ou maneiras diferentes, mas sempre fica algo. Nada é imutável. Temos o erro que dividimos e um passado. Apenas é isso: foi. Acredito que nem eu ou você viveria aquilo outra vez. Somos outros, tivemos um ao outro para aprender. Aos que passarão por aqui ou por aí terão a graça de ter pessoas um pouco mais espertas, com visão para reconhecer o fim antes que as lágrimas e maledicências surjam.

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