Contos e Crônicas Não categorizado

Sentimentos infantis

“Sempre há o que ceder e o que dedicar. Mas não se pode mudar o que o outro é.”

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Talvez eu tenha medo sabe. Do nosso jeito. Sempre tive medo de jeitos opostos ao meu. Não que eu quisesse outro jeito. Não que eu suportasse outro jeito como o meu convivendo comigo. A propósito, creio fundamental certa oposição. Porque são os opostos que geram caos e só o caos gera ordem. Mas… As vezes me dá um pouco de medo. Um receio, digamos.

É que receio um dia perdermos o respeito suficiente pelo modo de ser do outro.

Você sabe que sou caseiro, que gosto de ficar no aconchego da minha solidão, conversando comigo mesmo. Sabe que recuso convites para sair não por não querer ficar perto de você, ou te ver, ou te beijar. Mas simplesmente porque meu ânimo não permite. Tenho medo de que um dia comece a ver isso como falta de dedicação a nós, como falta de cuidado com o que nós somos. Mas nunca será. É apenas o meu jeito, já lhe adianto desculpas futuras que se repetirão a cada convite recusado.

Eu sei que você é agitada, empolgada e impulsiva. Reconheço sua necessidade de sair com os amigos e aproveitar as noites. Tenho medo de algum dia não enxergar mais a beleza nessa sua liberdade. Tenho medo de algum dia olhar para você de forma egoísta. Por favor, não me deixe ficar assim. Você, como sendo quase única pessoa que me conhecesse o suficiente, entende meu jeito estranho de ser. Talvez sejam esses signos de água no meu mapa astral. Talvez sejam as circunstancias em que cresci. Mas sou assim e preciso que entenda meu medo.

O fato é que tenho receio de nossa relação se tornar egoísta a ponto de um querer mudar completamente o outro. Digo, sempre há mudanças. Sempre há o que ceder e o que dedicar. Mas não se pode mudar o que o outro é. E aceitar isso é também amor. Não quero mudar quem você é, mas tenho medo do meu Eu do futuro ter esse egoísmo. E me corrói no presente esse fato. Talvez eu precise meditar mais para entender as origens desses pensamentos. Ou talvez deva simplesmente parar de me preocupar, por saber que sempre damos um jeito pra tudo. Temos intimidade e conexão suficientes pra isso.

Escrevendo assim parece até besteira. Estou colocando nosso amor em prova. Estou faltando com desconfiança em nós mesmos. Me desculpe, talvez seja besteira e idiota de minha parte esses pensamentos. Já tivemos tantas provas de grandeza entre a gente, que chega a ser pecado duvidar de algo. Mas é que o medo e a insegurança são irmãos que andam de mãos dadas e aparecem do nada pra brincar. E como duas crianças levadas, não se cansam fácil.

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