Irrisórias paixões de quartas nubladas

“Se eu te convidar pra fugir, será que você aceita? Se eu viver pra te fazer sorrir na vibe mais perfeita. Só fechar os olhos e enxergar o futuro.”

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Era uma quarta feira, poderia mentir falando que o sol iluminava meus cabelos, mas não seria a história verdadeira. O dia estava nublado o que deixava a escolha de saia longa e cropped parecer absurda. Eu sentia frio, cólica e raiva por ter atrasado meu horário de almoço. Este pequeno atraso me impedia de ir ao meu restaurante favorito. Aderi ao buffet livre, com poucas opções de salada. Estava mais interessada no cafezinho; cortesia da casa.

Era uma quarta feira, estava nublado e eu sentia frio. Peguei meia dúzia de folhas de alface, procurei algumas fatias de laranja, o molho para salada já tinha acabado. Eu estava atrasada, meu cigarro tinha acabado. Paguei com má vontade, pensando quantos cafés poderia comprar por aquele preço, mas isso deixaria minha gastrite irritada, e a irritação gratuita já estava presente no meu corpo.

Escolhi uma mesa meio de canto na esperança de ter uma tomada por perto; a tomada existia, mas na pressa de sair do escritório esqueci meu celular no caos da minha mesa. Estava eu planejando matar meu chefe, comprar um remédio para cólica, uma cartela de Omeprazol, deixar uma carta suicida e fugir para Aruba. Quando entra a pessoa mais linda, digna de sonhos românticos ou pensamentos picantes. A pessoa mais linda desde Felipe Dylon e seus anos dourados.

Eu queria um celular para fingir que estava ocupada, eu queria mais folhas de alface ou uma lasanha bem massuda. Cheguei ao estágio de precisar de um café de 500 ml. Nenhuma opção era válida. Queria sorrir, convidar ele para um café, falar sobre os nossos signos e a crise no oriente médio ou qualquer coisa que merecesse a atenção dele, pois eu estaria perdida no sorriso perfeito e aquela barba mal feita. A ausência do meu celular me impedia de conferir se meu sorriso tinha algum bagaço de laranja preso entre o canino e aquele outro dente que não sei o nome.
Eu entendi o motivo do meu chefe  atrasar o horário do almoço, o porquê de o restaurante habitual não ser uma boa escolha. Era o destino conspirando ao meu favor para conhecer a pessoa mais linda e digna dos meus devaneios para aquele momento.

Eu só queria falar que tenho o casamento planejado, recortes de revistas em uma caixinha de sapato embaixo da cama, eu largaria o cigarro, diminuiria o café, frequentaria a academia 3 vezes por semana, comeria direito. Eu trocaria o E! pela a ESPN. Ele nem precisaria se incomodar com nada, as coisas seriam simples. Estou na fase de descomplicar, fase de risos fáceis. Não passou de uma pequena paixão no restaurante, sem oi com o dente sujo. Sem flerte.

Sempre achei que encontraria o amor da minha vida na padaria, na fila do pão, em um domingo com sol forte, depois de uma noite boêmia.  Era uma quarta feira nublada, em um restaurante sem molho para salada. Onde já se viu um restaurante sem molho para salada. Eu heim!

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