A Padaria

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Este texto é a parte masculina do Maldita Bolsa, que você pode ler AQUI.

Supermercado, janta e banho.

Depois da jornada de trabalho de 8 horas em uma empresa normal, eu estava louco para colocar as pernas para o ar o resto da noite. Um saco ter que passar no supermercado. Você perde meia hora estacionando e logo em seguida enlouquece perdendo preciosos minutos com as pessoas que ficam paradas na escada rolante.

Minha senhora, esse não é um transporte mágico que você tem que aproveitar cada segundo. Amanhã você pode passear de novo! Afinal, com essa calma, não tem mais nada para fazer o dia todo e pode voltar aqui curtir essa maravilho invenção do ser humano! 

Quer saber? Vou parar naquele estacionamento perto de casa, tem uma padaria que fica ao lado. Pagarei um preço escandaloso pelo presunto e pelo queijo, mas pelo menos eu ganho um tempo extra à noite.

Será que foi ela que parou ali? Não pode ser? Bom, pelo tamanho da bolsa…

Ela gostava de bolsas grandes. Você deve conhecer alguém assim. Lugar para maquiagem, chiclete, casaquinho, um macaco para trocar o pneu do carro. Quem sabe o que pode ter lá dentro? Bem, poderia ser ela mesmo. Já fazia um tempo que não a via. Já na padaria, apenas uma pessoa da fila do pão. A vontade era dar um soco de vitória no ar igual o Rock Balboa.

Vamos, desgraçado. Sim, o pão é fresco, a torta também, pode comprar! Mas vá rápido!

Não dá uma raiva? Quando você está com pressa e a moça enfia os palitinhos que separam o bolo da embalagem bem devagar? Sabe, na hora de embalar? Um a um, como se alguém fosse morrer se o papel encostasse na comida?

Minha filha, é um bolinho humilde de R$ 15 reais! Embrulha de qualquer jeito, tem gente com pressa!

Será que era ela mesmo? Lá atrás, no estacionamento? Parece, não é? Será que eu vou encontrar com ela na volta? Deveria eu esperar como um imbecil no estacionamento, fingir que havia chegado a pouco e encontrado ela por acaso? Loucura. Será que ela ainda gosta de receber chocolates? Poderia comprar um? Aaaah, quer saber? Que vá para o inferno!

– Quem está na fila?

– Oi, eu! Me vê 5 pãezinhos?

Para colocar os palitinhos ela teve um capricho gigantesco, para socar 5 pães em um pacote que nitidamente eles não caberiam, ela não teve dó.

Sabe quando metade do pão fica para fora e ela tenta dar aquela torcidinha nos cantos, duas orelhinhas? Pois é!

– Algo mais?

– Me vê 5 pães de queijo.

Já que estamos aqui. Abre o freezer, pega o presunto e o queijo. Fecha com a perna. Olha o chocolate, ignora o chocolate. Hoje não. Caixa sem fila. Rock 2!

– São R$ 20,00.

Tudo bem, eu estava preparado.

– Cartão, no débito.

As últimas duas palavras ditas com orgulho! Pelo menos nesse período do mês. Saí da padaria.

Cerveja! Diabos, esqueci da cerveja!

Agora já foi. Iria ter que vender um rim para pagar o preço da cevada na padaria, talvez tenha sido melhor assim. Carrego as compras numa mão enquanto checo o celular. Chego no estacionamento, abro a porta do carro do lado do passageiro e jogo as compras.

É ela! Que droga!

Mil imagens passando pela cabeça. Será que devia ter comprado o chocolate?

“Oi, tudo bem? Blá bla blá. Há! Tenho algo aqui, por acaso, que se não me engano você gosta. Fique. Não, não tem de que. Seu número continua o mesmo? ”.

Que conversa besta! Quando ela chegou mais perto percebi que queria agarra-la loucamente.

“Que tal a gente sair daqui? ”pensei em dizer.

Logicamente, uma ideia idiota. Eu só iria parecer um babaca, mesmo que no fundo, verdadeiramente sentisse falta dela.

Ela passou, eu só acenei.

Idiota! Acho que vou voltar e comprar a cerveja!

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