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Poema de sete insônias

“Só quem abre os olhos na madrugada sabe a delícia do barulho da Lua.”

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O tempo passou, como um bicicleteiro que atravessa a rodovia.
Passou com medo dos carros e em meio à neblina.
A vida continuou, mas é claro que continuaria.
Como quem continua uma partida de xadrez sabendo que vai perder.
A vitória nunca chegou, como já era de se esperar.
Todos sabem que a derrota está em todo lugar.
Todos sabem o quanto tudo isso é comum.

A idade bateu na porta, uma carruagem a me esperar.
As estações voltando enquanto eu ficava no mesmo lugar.
O sol caindo como uma bomba atômica atrás dos prédios.
Como tem que cair tudo que é feito pra durar.
A violência andando nas ruas, usando terno e com um sorriso espetacular.
Tudo que é mais belo um dia volta a machucar.
Assim como a criança que cresce sem saber porque ficar.

A chuva que caiu nunca trouxe o alívio prometido.
Assim como a luz do dia não matou nenhum vampiro.
Mas à noite, quando o céu desaba sob nossas cabeças
No fundo da nossa insônia sabemos como é bom estar acordado.
Só quem abre os olhos na madrugada sabe a delícia do barulho da Lua.
Que sempre é tão bela quanto as coisas que nunca são suas.
Como as mentiras mais verdadeiras, fingindo estarem nuas.

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