Contos e Crônicas

Fica mais um pouco?

“O gosto de quero mais, no rosto de querubim. No posto teu cheiro traz um outro sonho pra mim. Nasci pra ser uma lembrança gostosa. E fazer as pessoas querer esticar a prosa.”

leite-condensado

Ontem eu verifiquei o estoque de leite condensado, por precaução. O armário estava cheio e tinha duas latas meadas na geladeira há mais de mês, eu deveria joga-las fora, mas as deixei fixarem moradia na porta da geladeira. Eu estava pronta para ver você. Caso algo não saísse como o esperado, eu poderia pegar meu roupão fofinho e alguma daquelas latas.

Hoje eu fiz um bolo de chocolate em cinco minutos, tomei banho em dez, e escondi metade da minha bagunça dentro do armário, tranquei meu amor próprio ou apenas os pensamentos demasiados por lá também. Eu estava pronta para te ver.

Amanhã eu pensaria nas consequências de agir por impulso, eu teria o bolo, brigadeiro e provas prescindíveis para pensar, não teria tempo para me preocupar; mas eu não sei fazer nada sem pensar, calculo meus atos, pesquiso minhas vontades. Não me jogo de cabeça em nada, muito menos em pessoas rasas. Mas hoje eu deixaria a vontade pra lá e faria o que meu corpo ou o coração quisesse. A cabeça, as vezes, precisa ser esquecida.

As latas de leite condensado estão intactas, o bolo também. Ultimamente tenho aprendido a controlar minhas compulsões alimentares, não há vazio existencial que a comida preencha. Não há encontros com você que não me deixem na vontade de um pouco mais, mas em nenhum deles eu saí destruída em fragalhos. Eu sinto seu perfume pela casa, marcado na minha pele. Eu sei que não deveria alimentar essa vontade de ver você, mas eu aprendi a deixar as coisas fluírem, ou dar uma chance ao destino de as coisas acontecerem. O que me mata é o “se”, e nessa história as palavras saíram sem eu pensar. Sim, eu penso antes de agir, comprar, comer, mas falar é tão difícil…

“Fica mais um pouco?”

Eu faço uma cara meio manhosa, amanhã você acorda cedo, eu fingi que tenho compromissos importantes, mas no fim das contas eu queria que você fosse, mas ficasse como um sonho bom, a pessoa que eu tenho na minha imaginação é a pior versão de você, mas ela é importante para eu manter os pés no chão. A história poderia acabar por aqui, mas prevejo recaídas e vírgulas, pontos de exclamação, interrogação, mas o final está longe.

Eu não sinto uma necessidade absurda por doces ou por você, e olha que eu estou na TPM; apenas deixei as coisas fluírem. Se fiz errado? Os próximos capítulos irão dizer. No mais, aproveito seu perfume grudado em mim, e agradeço pela companhia e por você não me deixar em fragalhos. Eu sempre tenho medo dos encontros com você, mas eles são sempre bons, o lado ruim é a vontade de repetir, mas nessa história eu ando aumentando meu estoque de leite condensado e diminuído a circunferência da minha cintura.

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1 Comment

  • Reply
    Antonio Roberto Borges
    20 de dezembro de 2016 at 17:39

    Bruna Borges…. Furacão de idéias jogadas ao vento… Com direção… Com rotas… Com cores…Sabores… Perolizadas por Bruna…

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