Estival Inconstância

“Espero que um dia você volte atrás do que já decidiu. Quando foi embora meu castelo se destruiu. Quase vacilei, mas não pisei na bola, tentarei seguir a vida lá fora…”

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Semana passada eu dei um fim em nós. Para ser sincera, apenas apontei minhas verdades e vontades. Você concluiu que não poderia corresponder as minhas expectativas. Sem ressentimentos; vida que segue. No meu íntimo habitava um presságio, nossa história não acabaria de forma tão branda. Confesso que fiquei chateada, e importunei minhas amigas citando frases desconexas ditas por você, mas eu tinha passagens compradas para a praia, e sofrer por amor com os pés na areia não é algo compatível.

Eu fiquei quieta, o que é algo inusitado para mim, pessoa com frases prontas e sorrisos ensaiados. Rapaz deixou-me sem palavras, perdida em minha própria neurose, mas eu tinha o sol para me acompanhar e tristeza definitivamente não combina com vitamina D. Eu visitei seu Instagram umas 30 vezes ao dia, abri seu chat, digitei 34 textos (sim, eu contei), mas nunca os enviei. Eu decidi que teria amor próprio. Estava confiante, era a decisão certa. Embora não tenha sido minha, mas me apeguei à máxima que Deus nos livra das coisas, situações e pessoas. Eu estava livre de você.

Veja bem, eu não te considero uma pessoa ruim, sabia exatamente quem você era, o que você queria e principalmente o que eu queria com você, apenas esqueci que tenho um ascendente geminiano muito presente na minha essência, sempre mudo de ideia em relação as minhas vontades, e no final eu queria você. Admiti isso a muito contragosto, queria você com cada pequeno defeito e falha sua. Eu tinha vitamina D, amigas, creme de morango com champagne, açaí, o barulho do mar que acalma até as mentes mais inquietantes. Eu era detentora de todas essas coisas gostosas que o verão nos proporciona. Este era o plano, esquecer sua passagem em minha vida e aproveitar os pequenos prazeres. Eu estava indo bem. Eu estava…

Você mudou de ideia também, embora meu íntimo ansiasse por isso, não era algo que eu considerasse ser real. Surgiu subitamente, sendo que a decisão de acabar o que mal teve oportunidade de começar partiu de você. Eu deveria me calar afastar suas conversas retóricas, indicar um analista. Eu deveria…

Retribui o assunto, as felicitações, mas não entraria neste ciclo. Ah, não! Era um novo ano e eu precisava de novas pessoas. Eu conheci novas pessoas, exigi bebidas; exigi bebidas mais fortes. Definitivamente, eu não seria uma das suas opções. Eu deixei claro isto para você. Usei vírgulas, exclamação, por favor, respeite a sua própria decisão. Mantenha distância. Eu não tenho força suficiente para resistir esta barba. Ah! Essa maldita barba mal feita.

Olha só, lá vem ele com bom dia, convites e jogando na minha cara que a culpa de não estarmos juntos era exclusivamente minha. Olha lá ele, com uma carinha que vai destruir meu psicológico mais um ano, mas desta vez não. O estoque de leite condensado foi usado nas sobremesas de natal, mas ainda há novas pessoas, novos lugares, bebidas, dietas e vontades. Eu avisei que mudava de ideia mais rápido que a volta completa do ponteiro do relógio.

Desculpa pela inconstância, mas vamos deixar por isso mesmo. Mais uma madrugada que eu passo escrevendo algo para você. Estamos quites. Passar bem!

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