Contos e Crônicas Não categorizado

Me desculpe, mas não sou agradável

“Aprendi a mascarar sentimentos, impulsos passionais, fúria, ódio.”

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Eu não gosto de agradar pessoas. É desgastante e me cansa. Mas sou ranzinza, chato e irritante. Se fosse viver apenas agradando a mim mesmo, cerca de 95% de todas as minhas relações pessoais seriam minadas como em um ataque terrorista. Eu não sou uma pessoa fácil de lidar. Admito isso. E admitir já é um começo, não é?!
É só que… É extremamente entediante viver na busca de agradar quem se está a sua volta. Sem contar as tantas e malditas expectativas criadas. Um ato pensando em si mesmo e já lhe julgam um demoniozinho egoísta. Pois que seja. Sou muito mais demônio do que qualquer dia fui um anjo. E talvez essas tantas máscaras e disfarces e agrados e contentamentos distribuídos para quem esteja ao meu redor, seja uma forma de me esconder. Ocultar a estranha quantidade de sentimentos todos normais os quais eu não consigo ter por completo. Poderia passar por psicopata facilmente (embora não creio que seja o caso) e não quero nenhum esteriótipos sobre mim. Não além mais alem dos tantos que já me acorrentam em mim mesmo.

Estranho. É uma característica que me define bem. Sempre fui. E dessa forma tive que aprender a me defender desde cedo contra o mundo. Não foi fácil. Muitas pancadas. Muitas dores. Muito sangue, por dentro e por fora. Muita demora. Mas tudo enfim tem suas lições. E aprendi, aqui e acolá, a defender toda minha estranheza. Aprendi a ser social, para parecer normal, para estabelecer contatos, para utilizá-los caso um dia precisasse. Aprendi tratar todos de forma recíproca, amigo como amigo, inimigo como inimigo (embora todos sejam no fundo inimigos uns dos outros, por alguma razão cruel interna que não consigo entender). Aprendi a mascarar sentimentos, impulsos passionais, fúria, ódio. Guardava-os tão bem que esquecia que estavam comigo, até que certas coisas não me possuíam mais. Me tornei estéril em muitas sensações. Enquanto em alguns pontos minha razão toma comando e decide problemas de vida ou morte em questões de segundo, em outros meus sentimentos se tornaram tão profundos e negros quanto poderiam para se proteger. Território inacessível, obscuro e misterioso. A chave para tudo em mim sempre foi o conhecimento. Me entender, mergulhar nas minhas profundezas é o que poucos se atrevem e quase todos falham. Eu sou um livro. Uma coleção deles. Em diversas línguas. Algumas mortas, outras que ainda nem foram inventadas. E acima de tudo. Não estou aberto.

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