TRAGICOMÉDIA ANUNCIADA

“Você me chamou pra dançar aquele dia, mas eu nunca sei rodar, cada vez que eu girava parecia que a minha perna sucumbia de agonia. Em cada passo que eu dava nessa dança ia perdendo a esperança…”

tragicomédia

Estamos em uma disputa de egos. Em um jogo de desinteresse, ganha quem permanecer ausente por mais dias, quem se ausentar do primeiro oi da semana, ou alguma piadinha infame sobre a nova foto do outro. Eu sempre ganho. Ganho noites mal dormidas, dores no estômago, uma sudorese inexplicável, faz repensar se meu antitranspirante realmente funciona. Mas eu não envio bom dia, não pergunto sobre sua semana. Eu desejo baixinho que sua semana seja feliz, que seu dia seja iluminado e me pergunto o que faz ou que horas acordou, mas eu jamais permitiria que percebesse que é o dono do meu primeiro e último pensamento de todos os dias, das últimas semanas nos últimos meses.Eu cobro atenção, carinho e cafuné, tal qual um gato ronrona pedindo afago, você joga um pedaço. Sobras do seu dia e eu aceito de bom grado como boa menina que sou. Dia destes irritei-me com sua falta de interesse e disponibilidade. Sai com seus amigos sem a sua presença, falaram o quão incrível sou, adjetivo que esqueço desde que te conheci. O engraçado nesta tragicomédia anunciada que você é a única pessoa que não acha isso, e é quem deveria achar. Talvez eu tenha sido a pessoa certa na hora errada, ou talvez os meus jogos de desinteresse tenham ido longe demais. Talvez você não me ache bonita o bastante, interessante o bastante. Ou me ache mulher demais, confiante demais. E qualquer coisa que você ache de mim, não é algo que diga respeito a mim, aliás, não é algo que condiz com a realidade. Eu ensaiei sorrisos, frases e jeitos. Você não sabe como minha bochecha cora, pois sempre estava coberta de maquiagem, não conhece o som que a minha risada faz, quando ecoa pela sala, meu riso era velado ao seu lado, assim como todas as minhas emoções.

Sou dona da risada mais estridente que possa conhecer, julgava ela bizarra e nada que saísse do habitual -a meu ver- deveria ser mostrado para você. Em um devaneio queria ser perfeita pra ti, quem sabe desta forma gostar de mim fosse mais fácil e a vontade de querer ficar fosse real. Desde o princípio eu preparei a minha vida, não apenas um café como havia sido combinado. Esqueci que pessoas perfeitas não existem, vou jogar minhas gargalhadas por aí quem sabe alguém ache beleza na entonação delas, vou deixar claro meus defeitos, quem resolver ficar vai ter que achar graça neles. Quando é para ser as coisas são fáceis, fingir desinteresse já é um sinal que as coisas não foram feitas para ser, insistir em situações apenas causam sofrimentos maiores, e prolongam o epílogo, o final estava certo, o começo que era duvidoso.

Eu estava jogando sem saber, mas as cartas estavam marcadas eu assinei os termos de responsabilidade, analisei as consequências e efeitos colaterais, mas  não era algo que eu queria me preocupar.  Eu estava ciente, mas isto não impediu as cobranças. Eu me permiti ficar triste, mas só por alguns segundos, falei mal de ti em áudios desesperados, esbravejei. Chorei e não me orgulho disso, não doeu, apenas o coração estava cheio de esperanças e elas tinham que sair, foram embora em forma de lágrimas… Ausento-lhe da culpa, ninguém é obrigada a gostar de mim, apenas eu mesma, exercício diário que tenho praticado junto com a academia. Lavei o rosto, ergui a cabeça. Tais me rendendo alguns textos bons, agora espero que a história tenha novos protagonistas, e o final seja feliz.

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