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Me mudei!

Me mudei há pouco mais de uma semana.
Mudei de casa, de cidade e de estado.
Tenho mudado hábitos também.
Há toda uma magia em cima da mudança dos 20 e poucos, algo feroz em morar sozinho, seja dividindo apartamento com alguém, dividindo despesas ou pagando seu próprio aluguel sozinho.

Sou do interior de Minas,
Lá no Nordeste de Minas, pertinho da Bahia.
Agora tô Rio,
12 horas de viagem, 12 horas distante em uma cidade gigante!
(desculpa a rima infame)

O caso é que a gente se muda de lugar, mas nosso coração e nossos costumes não mudam.
Eles se teletransportam junto com a gente.
Pensamos que a mudança de cidade será transformadora, no espírito e no físico.
Os planos de academia, começar um regime com uma alimentação saudável, se focar naquele objetivo maior que te fez mudar.

A verdade que ninguém conta é que, no começo, ficamos apenas perdidos,
Meio que completamente aéreos com o fazer com nós mesmos no tempo vago.
A rotina tão fácil do lar anterior, muda e isso é um baque muito forte.

Pensamos – pelo menos eu pensava – que vamos glorificar a liberdade total,
Sair todo o fim de semana, o fim de semana inteiro,
Só beber skol beats, pedir comida pelo iFood e etecétera e tal.

A vida deixa de ser turistar pela cidade,
Deixa de ser boemia,
Vira realidade, uma realidade amedrontadora,
Pelo menos no começo.

A verdade é que no tempo livre, a gente precisa lavar roupa, fazer o almoço, a faxina, cuidar dos bichinhos (que agora só dependem da gente), economizar e sair o mínimo possível, porque todas as nossas contas dependem de nós.
Na real, sempre vamos ao supermercado com um aperto no peito e voltamos com uma facada no bolso e nem sempre sobra pra beber, porque tem mais contas pra chegar.

A realidade é que, no fim do dia, nem sempre podemos sair com os colegas novos para desestressar, porque precisa acordar cedo no dia seguinte e ir ao banco, lavar mais roupas, talvez ficar mais 05 minutos preciosos na cama. Muito mais preciosos do que eram na época de escola.
No fim do dia, a gente só quer ouvir uma voz familiar, que cale nossas agonias e nossos medos, que vieram sem serem convidados, junto com nossa bagagem.

Nada do que carregamos em nossas malas, é capaz de suprir o amor,
As lembranças,
A saudade e a solidão.

Simplesmente, porque amor não cabe em bolsas de rodinhas.

De repente, a voz dos nossos pais, por mais chatos ou injustos que eles tenham sido, é a única coisa que consegue acalmar a voz que diz “acho que você não vai conseguir” ou a solidão que nos abate, por toda a nossa vida ter sido tirada de nós e substituída por uma nova.
A voz dos nossos pais, contando as coisas mais bobas e triviais, se torna a coisa mais interessante e feliz durante todo o nosso dia, não importa o quão agitado ele tenha sido.

Apesar de todos os pesares que carregamos conosco nessa mudança dos 20 e pouco, a verdade é que só assim conseguimos dar o real valor ao que sempre precisou ser valorizado, tanto do lado de quem foi, como de quem ficou.
Outra verdade é que seguimos na esperança de que as coisas vão dar certo e que, um dia, conseguiremos ser o orgulho que queremos ser para nós e pra quem ficou pra trás, mas dentro dos nossos corações.

A esperança é o que nos impulsiona a continuar, apesar da saudade, do medo e da solidão.

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