Sobrevivência

A cerveja estava com um gosto horrível. O inferno era um local gelado e refrescante, se comparado com a temperatura do líquido dentro da garrafa de vidro. E estava amargo também, a receita que possuía mais lúpulo e álcool que as populares do mercado, também ficava muito pior quando esquentava. De certa forma, cerveja ao ar livre é parecida com um homem solteiro. Se a bebida não dura muito tempo fora da geladeira, um homem não sobrevive até a velhice sem uma mulher ao seu lado. Ele não tem essa capacidade.

Veja bem, ele vai muito bem por um tempo, até acha que está dando tudo certo e a vida é uma grande festa. Isso por um tempo, por que logo em seguida, em uma dia qualquer, ou ele capota três vezes o carro e cai em um barranco, ou morre eletrocutado trocando o chuveiro, de chinelo, sem desligar a energia elétrica da casa, por que achou que era uma boa ideia. Alguém precisa encher o saco dele. Alguém precisa berrar no seu ouvido algumas verdades. Senão ele é apenas uma locomotiva sem freios. É a vida. A gente precisa abandonar o orgulho. Outro dia via uma matéria que dizia que homens casados tem menos chances de diabetes e ataques do coração. Isso só corroborava com minha teoria daquela noite, eles provavelmente tinham menos cabelo também. Um efeito colateral.

E a long neck ainda estava na minha mão. É difícil abandonar uma cerveja, mesmo quando ela não presta mais, não é? Você segurar ela na mão uns 15 minutos, como se por obra divina ela fosse voltar a gelar, não vai. Então você bebe em goles rápidos e faz cara feia. Você já se pegou reparando nas pessoas ao seu redor, como um ser superior que vê toda sua criação?

Sabe, enquanto ela está reclamando, e por que ela ainda se importa e está tudo bem. Problema é quando elas não ligam mais. Eu disse a um amigo meu. Nesse momento Bucowisk, não lá um santo, mas mesmo assim um gênio, diria: “Quando uma mulher lhe virar as costas, esqueça-a”. E boa sorte com o trem sem controle. No primeiro momento que ela não usar aquela cara feia quando você fizer algo que ele não gosta, fique esperto. A gente precisa dela tanto quanto elas da gente. Essa sinergia maluca, como instrumentos diferentes em uma banda, é assim mesmo.

Não, a gente não sobreviveria. Só não vamos admitir isso para todo mundo.

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