Para viver um grande amor… depois dos 30

Fato: se eu tivesse a cabeça que tenho hoje há, digamos, vinte anos atrás, teria sido muito mais feliz – ou pelo menos teria tido menos problemas. Jovens são muito dramáticos. Levam tudo a ferro e a fogo. Acabam transformando algo leve numa guerra dos cem anos. Os amores são os da vida; as paixões, as derradeiras; e os términos definitivos. Tudo é oito ou oitenta – e, venhamos e convenhamos, isso é chato que só a porra. Com a cabeça que tenho hoje aos vinte e poucos, eu teria sido a dona da história.

No entanto, como não posso apertar um botão e fazer o tempo retornar – pois como diz o Lenine “o tempo não tem parada” -, resolvi reaprender, tendo como base tudo o que sei hoje, a viver um grande amor… só que depois dos trinta. Viver em sua plenitude, sem considerações malucas ou abestalhadas. Viver o que tiver de ser vivido, no momento exato de seu nascimento. Eis o que aprendi até agora:

– Para viver um grande amor depois dos trinta, urgente é se amar primeiro. Saber-se suficiente em sua estrada, pois gente adulta trabalha, faz feira, tem problema e não aguenta os mimimis adolescentes (e, de repente, eu compreendo aquele cara de 35 que me dispensou quando eu tinha apenas 15. Te compreendo, parceiro!)

– É preciso, também, saber que o outro tem um mundo só dele, respeitar seus espaços, seus silêncios e compreendê-los como respiros – e não como um afastamento louco desses que a cabeça da meninada inventa.

– Tem que saber se divertir – tomar cerveja, sair pra balada, falar besteira e não se prender a nada pois gente como a gente quer ser feliz e dar risada e não perder tempo com cara feia.

– É preciso saber aceitar que as coisas nem sempre sairão como a gente planeja; que planejar às vezes pode ser uma merda; e que o acaso na maioria das vezes nos reserva as melhores surpresas do dia. Deixe-se levar!

– Seja leve, releve e não leve tudo tão a sério. A maturidade nos ensina que o peso dos dias já é suficiente sobre ombros já tão sobrecarregados.

– Atreva-se! Não perca tempo fazendo conjecturas. Depois dos trinta, a vida dá um pulo e de repente você dá de cara com um reflexo no espelho que jura não ser o seu. Se lá atrás você se lascou por medo, vergonha, receio, toque o foda-se e seja feliz! A sua conta bancária vai te permitir pelo menos um momento assim, ok?!

– Ame em demasia, sem máscaras, sem amarras. Você já interpreta papéis demais na sociedade, no trabalho, na vida. No amor, não cabem fantasias – a não ser, é claro, as sexuais.

– Seja sincero – consigo mesmo e com o outro. Deixar tudo às claras é sempre melhor caminho.

– Liberte-se das convenções. Seja você mesmo. E deixe que o outro te veja e seja ele mesmo autêntico ao passar por sua vida.

– Compreenda que os movimentos da vida são inconstantes – e que esta é sua maior beleza. Só não acredite no mito do amor eterno. Aqueles que resistem ao tempo são os que aprenderam a se reinventar, dia após dia, sendo, assim, cada dia um amor novo.

– Exija cedências e saiba ceder. A vida é um balé dançado por muitos, beleza?
– Acredite fielmente na sua intuição. Creia: ela nunca falha.

– Se tá complicado, descomplique! Não jogue ainda mais lenha no que ainda é apenas uma brasinha.

E, o mais importante de tudo: aceite o amor como e quando ele vier. Um amor verdadeiro, forte e sereno, pode até ser breve, mas com certeza vai te ensinar muito mais do que uma relação certinha. O amor, caros leitores, nos ensinar o auto amor e o respeito próprio. Nos ensina que podemos voar muito mais alto do que a vida nos faz acreditar. Nos mostra todas as portas que sempre estiveram abertas e que nós nunca tivemos olhos para enxergar.

O verdadeiro amor liberta e salva – mesmo que não tenha existido para durar.

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