Contos e Crônicas Superação

PREPARA UM CAFÉ

“A thousand lies have made me colder and I don’t think I can look at this the same, but all the miles that separate. They disappear now when I’m dreaming of your face…”

Boa tarde, começo esse texto sem pretensão alguma de chegar a você, mas caso esteja lendo estas linhas bem alinhadas e justificadas, trate de alinhar sua coluna onde esteja. Espero que minhas ações sejam justificadas após a leitura destas palavras. Eu preconizo-o a preparar um café fumegante, as palavras não vão fugir daqui, ao contrário de quem vos escreve, aquela que dispersa palavras e gestos, mesmo quando tudo parece fluir e o aconchego é aprazível. Espero que a água esteja quente, e o cheirinho do café invada seu corpo todo. Eu sei que você gosta. Talvez sua garganta resseque, e você me agradeça por ter sugerido o preparo desta iguaria que tanto amamos.

Bom, eu já fui magoada, talvez esta afirmação não lhe cause espanto, estamos sujeitos a caminhos tortuosos, mas eu fui machucada, deixada com o coração em frangalhos, sem vontade de conhecer alguém; pelo menos até aqui. Eu construí fantasias e castelos, assisti o derrocamento deles, estava tão perto das ruínas, que estilhaços machucaram o meu corpo, chegaram a adentrar a alma. Cicatrizes tão difíceis de serem vislumbradas, mas que atormentam diariamente meu ser. Eles desmoronaram como castelos de areia, aqueles que a gente faz na praia, com a esperança de ficar por ali, mesmo com a convicção que as ondas irão levar todo o esforço de uma tarde de verão.

Uma miscelânea de sentimentos e vontades. Acreditei em promessas vazias e apressadas, pois tinha urgência, talvez uma doce inocência em acreditar nas pessoas. As pessoas mudaram, as histórias receberam floreios, mas o final era sempre o mesmo: Acabava entre eu mesma, um caderno usado, uma caneca de chá e vários lenços de papel pelo chão. Você não tem culpa de eu ter depositado minhas expectativas em pessoas erradas, mas não queira minha total confiança. Talvez você seja mais do mesmo, mas talvez (e eu espero que seja assim), você me mostre que ainda há esperança.

Somos diferentes, embora eu seja apaixonada pela física e tenha estudado detalhadamente a Lei de Coulomb, peço licença poética a Charles Augustin, para falar que os opostos se distraem. Vamos lá! Somos mais um clichê barato de tudo que já foi visto, falado e ouvido. Você mora longe, meu gosto musical é duvidoso, você é calmo e detentor de uma paciência admirável por mim. Eu falo alto, perco a cabeça, a razão, as chaves do carro, e os argumentos em uma discussão. Você não gosta de mocinhas como eu. Mocinhas como eu, que preferem andar com os pés descalços, que comem petiscos com a mão, que nem sempre sentam com as pernas cruzadas, mocinhas que possuem um dialeto que faria minha professora de português do fundamental chorar de desgosto, mas mesmo assim, você teve curiosidade de descobrir o que eu escondo; atrás de uma franja jogada para o lado e três camadas de máscara para cílios.

Eu esbarrei em você em um sábado, eu sempre achei que iria conhecer pessoas interessantes em uma livraria, ou correndo pelo parque domingo de manhã, mas era um sábado à noite, e o ambiente não tinha a melhor iluminação ou som ambiente. Perdoa minha inconstância, minha voz gritada, minha urgência em te encontrar, faz-me acreditar em ti por um final de semana, ou um feriado prolongado. Eu não estou procurando casamento, ou alguém para provar que a vida a dois pode ser interessante. Eu realmente me basto, mas você pode acrescentar tanto na minha essência.  Eu só desejo que quando estivermos juntos sejamos apenas nós. Sem meu passado e sem promessas futuras. Vamos viver o momento, matar a vontade e a saudade. Vamos viver o hoje, colocar à prova as leis da física, vamos deixar Newton pra lá e jurar que dois corpos podem sim ocupar o mesmo espaço no mesmo momento.

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