Pensamentos

Eu quero que você fique

Eu fico pensando em como as relações se tornaram tão rasas, ultimamente. É tão fácil “pegar” e se “desapegar”, na velocidade de um clique, tão fácil ser substituído, descartado. Não sei se eu que sou romântica demais ou se realmente a gente vive uma “cultura do desapego”. Particularmente acredito muito mais na segunda opção. É tão fácil não ser nada. É tão duro não ser nada.

Pessoas entram e saem das ​nossas vidas todos os dias. Vem, ficam, vão. Às vezes, ficam por muito tempo; outras, é tão rápido que mal se termina de dizer “olá” e já está se dizendo “adeus”. É como um vagão de trem/metrô: o embarque e desembarque é constante, contínuo e é desse jeito porque tem de ser assim. É o ciclo da vida, ss coisas funcionam desse jeito.

Mas sempre existe/aparece aquele alguém que a gente deseja que vá até o ponto final conosco. O ponto final que, na verdade, não é um fim, mas sim, o começo de tudo. Aquela pessoa que vai entrar na nossa vida e ficar, fazer morada, zelar pelo seu novo lar. Que vai se tornar a única e vai tornar irrelevante todas aquelas que desembarcaram do trem ao longo do percurso chamado vida. Que mesmo com todos os solavancos, irá permanecer se segurando nos ferros, nas portas, aonde for. Ela vai continuar.

Penso nisso com frequência ao analisar minha trajetória: várias pessoas fizeram essa viagem no meu trem. Algumas demoraram​ mais que outras, algumas foram mais turbulentas que outras, algumas subiram em uma estação e desembarcaram na seguinte. Ninguém chegou ao ponto final e ir sozinha é uma longa e solitária viagem. Necessária, sim, porém solitária.

Eu não quero só saciar os desejos carnais, não quero só ganhar beijos e abraços sem significado. Quero ser o motivo do sorriso de alguém. Dar força, carinho, suporte, amor e o que mais for preciso. Estar por lá quando precisarem de mim. Mais do mesmo eu dispenso, obrigada. Eu não sou mais do mesmo, eu não quero mais do mesmo.

Entretanto, eu também quero alguém que me trate assim, que me dê valor, que não vandalize o trem, já tão sucateado pela vida. Eu não quero nudes, eu quero ser importante. Sem rótulos, sem cobranças? Tudo bem. Eu só quero saber que existe alguém que fica feliz por me ver feliz. Eu não me importaria com o nome disso, se isso tivesse, de fato, um nome. Nomenclatura é irrelevante, os sentimentos não.

 

O trajeto é importante, claro, mas, mais do que isso, é a linha de chegada. O objetivo (ou a possibilidade) é o que nos impulsiona, o que nos​ move. É o que nos levanta da cama diariamente. E por que não ter o objetivo de ser feliz? Por que não almejar chegar ao ponto final e fazer dele um novo começo?

Se eu vou encontrar tal passageiro (prefiro chamar de permanente) na vida, é um mistério. Posso encontrá-lo hoje, daqui a 30 anos ou não​ encontrá-lo, de maneira alguma (talvez ele ande de carro). Mas confesso – se é que ainda preciso confessar algo – que eu gostaria de saber que, ao menos, existe uma pessoa que sorri ao pensar em mim e que mal pode esperar para embarcar nessa viagem, onde me encontro agora. Eu quero que você embarque e, principalmente, quero que fique.

(Texto original aqui)

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