Pensamentos

Eu crio o que quiser

Leia ouvindo Dear Future Husband, da Meghan Trainor

Vivem me dizendo para não “criar expectativas”. Eu leio isso em livros. No Facebook. Ouço isso das minhas amigas. O mundo diz isso.

Acredito que deva ter um fundo de verdade, essa coisa de não ser legal desejar muito algo que ainda não se sabe ser seu. Ou uma pessoa. Não é legal quebrar a cara ou coisa assim. Ou perder tempo com alguém que ainda não te disse “eu te amo”. Esperar convites para sair e tal. Mas, quer saber? Eu crio. Isso, me julgue. Eu amo criar expectativas em torno de tudo. Coisas e amores. Ou quase-amores, não sei. Na minha cabeça, não existe você experimentar algo bom e não querer viver isso novamente. É quase loucura, na minha opinião.

Sim! Eu quero receber mais uma vez aquele beijo que me fez ficar tonta. Porque não deveria querer, afinal? É crime? Então sou uma criminosa muito má. Porque eu fico desejando que o telefone toque. Nem que seja aquele toque do WhatsApp.

Eu desejo comer mais uma vez aquela torta de morango. Uma delícia. E se desejo isso, porque não querer também ir ao cinema com um cara que conheci a pouco tempo? Ah, entendi. Preciso deixar ele me ligar primeiro. Assim, ele demonstra que realmente quer me ver. E eu não corro riscos. Como se receber um não fosse tão doloroso quanto um tiro. Eu sei lidar com um não, por favor! Até preciso dele, de vez em quando.

As pessoas têm medo de sofrer. O meu maior medo? Não sentir nada. O nada deve ser tão estranho. Eu prefiro qualquer coisa em vez dele. Eu crio expectativas. Eu desejo coisas. Eu sinto saudade. Eu não tenho medo de dar o primeiro passo. Mesmo que após ele eu tropece.

Uma vida sem expectativas é uma vida estupidamente repleta de vazios. De “não liguei porque ele não me ligou”. De “responde só amanhã pra não parecer interessada”.

Se eu estou interessada eu demonstro. Eu demonstro mesmo que alguém do outro lado do aparelho celular esteja rindo de mim. Por ser tão assim. Tão eu.

Afinal, se eu finalmente conseguir alguém que “não desejei”, que “não criei expectativas”, que droga de sentido isso vai fazer? Vou ganhar um presente que não pedi?

Vou olhar para aquela pessoa e, agora sim, demonstrar o quanto gosto dela? E ter perdido aquele frio na barriga horrível que é esperar uma mensagem ser respondida?

Não. Me perdoem. Mas não. Eu vou continuar sendo essa mulher que cria coisas em torno de pessoas e às vezes me dou mal. Tudo bem, não se preocupe.

Eu vou ficar bem. É até divertido. É delicioso sentir que algo pode começar e dar certo. Ou verificar que me iludi a respeito e vida que segue. Tudo isso faz parte.

Se você não quer criar expectativas, não crie nada ao seu redor. Não faça amizades. Não tenha filhos. Não trabalhe. Não se apaixone. E aí sim. Ufa!

Você não terá vivido absolutamente nada. Mas estará a salvo. No seu castelo. No alto da torre. Mas sem a perturbadora sensação de que será salva pelo amor da sua vida.

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