Superação

A grande descoberta ou o monstro do são saber viver

Eu queria poder segurar a sua mão, meu jovem amigo, e afirmar categoricamente que tudo fica mais fácil. Gostaria, mesmo, de dar um sorrido bobo, capaz de te fazer acreditar que a maturidade abranda e adoça a vida. Não é isso o que dizem?! Que os adultos sabem das coisas e que a vida encontra seus próprios caminhos? Entretanto, meu rebento, eu não posso dizer isso. Não seria justo! Não seria certo enganá-lo com uma fábula sobre a vida, a qual distorceria a verdade dos fatos. E qual é? A vida se agiganta e, com ela, os problemas tomam proporções colossais. A grande sacada, isso eu te digo, é aprender a lidar com toda essa confusão.

Ahhhh, por favor, não me pergunte como fazer isso. Eu não sei! (não ainda). Temos, por certo, alguns anos a nos separar, mas nada capaz de me transformar numa senhorinha corcunda e enrugada. Sou, no máximo, uma pré-loba. E acabo de descobrir que eu não sei nada sobre a vida. Eu já fui como você. Pois sim. Já acreditei que, aos 35 anos, tudo estaria estável, como naqueles comerciais de margarina. Filhos felizes, marido lindo e com dentes muito brancos e sorridentes, carro do ano na garagem, uma casa de cerquinha branca e a alegria de ter o emprego dos sonhos. Mas é uma merda. Certa está a Dori: continue a nadar! É o que você precisa fazer – sempre, sem parar!

Um dia você vai olhar no espelho e se perguntar onde está aquele jovem descolado. Curvas e músculos no lugar, brilho nos olhos e, sobre a cabeça, milhares de balõezinhos cheios de sonhos. De repente, você só enxerga rugas, pele ressecada e olhos muito opacos, repletos de cansaço e de tristeza. Intrigado, você se perguntará: onde eu errei?! O que fiz de errado?! Segui todos os conselhos dos professores, dos chefes, dos pais, do melhor amigo, dos tios amorosos (às vezes nem tanto) e de todos aqueles que você enxergava mais sábios. De sobressalto, vai fazer a mais dura das indagações: e por que eu não fiz aquilo que, de fato, eu queria?! Eis o grande erro de todos nós.

A gente monta a vida como aquele comercial de margarina, sabe?! Sonhando com uma existência pré-moldada, a qual esteja dentro dos padrões dos outros. É que na verdade a gente tem medo de se indagar sobre o que realmente gosta, o que quer da vida, o que pretende ser quando crescer. A gente esquece de incluir a gente nesse plano todo. E, de repente, enxergamos naquele espelho lá de cima (lembra?!) uma outra pessoa – exatamente essa que a gente criou para o comercial de margarina. A gente só não se enxerga. Não estamos lá, naquela cena borrada e esquisita. Nos descobrimos meros observadores de uma vida que, por direito, deveria ser somente nossa.

Não se culpe tanto quando descobrir isso, ok?! Ninguém tem a coragem de nos ensinar a sermos nós mesmos. Até os mais sábios, coitados, também caíram nessa mesma pegadinha e acabaram propagando essa falácia por pura incapacidade de ser de outro jeito. Acredite: eles também estão perdidos e assustados. O importante – eu acho – é que você, um dia, seja capaz de fazer essa descoberta. Seja quando for: ainda jovem ou aos 35, como eu. E, quando isso acontecer, tenha coragem, tá bom?!

Seja complacente e amoroso consigo mesmo. Vai ser difícil outra pessoa fazer isso por você caso não enxergue nos seus olhos o brilho de quem acredita em si mesmo. É sempre tempo de recomeçar, sabe?! A vida é feita de novas chances, novas oportunidades, novas escolhas, novos caminhos. Cada novo dia é mais uma chance de fazer melhor, maior, fazer do seu jeito. E se a sua vida for um comercial de coca-cola?! E se ela for um filme da Disney?! Ou de Bollywood, quem sabe?! Quem sabe a sua vida seja uma simples produção independente, cheia de idiossincrasias? Grave uma nova fita, pegue um novo take, faça um roteiro diferente. Quem sabe o que a vida nos reserva no horizonte do amanhã? Apenas siga. E, pelo amor de Deus: seja visceralmente feliz!

 

 

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