Contos e Crônicas

Hoje eu decidi ser diferente

Hoje eu decidi fazer diferente. Hoje eu acordei e não fiquei enrolando na cama, eu não deixei o dia simplesmente passar sem fazer nada, eu não deixei a preguiça me dominar. Hoje eu decidi fazer diferente. Acordei, espreguicei-me um pouco e me levantei. Analisei meu quarto e me analisei e percebi o quanto ambos estavam uma bagunça, como se fossem o reflexo um do outro. Após me levantar e analisar tudo, comecei por partes.

Encarei-me no espelho e disse a mim mesma que hoje ia ser diferente, que, a partir de hoje, tudo ia ser diferente. Os meus pensamentos agora estão sob meu controle e não ao contrário. Não permito mais que vibrações negativas tomem conta de mim. Dessa vez, eu estou no comando.

Depois de ter feito um discurso olhando no reflexo dos meus próprios olhos, comecei a arrumar uma das bagunças que existiam em minha vida, a bagunça externa, o meu quarto.

Liguei o som no volume máximo. Cantei de um jeito que não fazia há muito tempo, como se estivesse em minha própria turnê. Extravasei-me. Libertei tudo que estava preso dentro de mim, tudo que me sufocava e apertava o meu peito. Permiti-me escutar os mais variados estilos musicais. Pop, sertanejo, funk, samba. E dancei. Dancei até não aguentar mais. Quem me visse, com certeza, pensaria que estava louca, mas e daí? Permiti-me ser eu mesma em todos os estados. Eu simplesmente me libertei para a vida.

Fiz uma limpeza em meu guarda-roupa. Fiz uma sacola de roupas que não me serviam mais e resolvi mandar para a doação. Encontrei peças as quais achei que haviam sumido, mas que estavam apenas emboladas numa pilha em cima da cadeira. Experimentei diversos looks, como se estivesse em um desfile. Desfiz-me de objetos que, por muito tempo, fiz questão de guardar, mas que agora não passavam de tralhas ocupando espaço. Arrumei minha estante de livros e separei os meus preferidos para reler no quintal enquanto tomaria sol.

Limpei o espelho que estava imundo e confesso que também me admirei. Admirei cada traço meu, cada pinta, cada curva, cada detalhe. Admirei meu cabelo bagunçado, minha sobrancelha não tão bem feita, meus vestígios de olheiras. Admirei meu corpo da cabeça aos pés e, apesar de tudo, coloquei minha autoestima lá em cima, no topo. E sabe por quê? Porque eu sou sim, um mulherão. Porque eu sou sim, uma guerreira e vitoriosa por acordar todos os dias e ir à luta, a constante luta com os obstáculos da vida.

Recolhi todos os lixos que estavam por cima da cômoda, do criado e no chão. Varri toda poeira para bem longe do meu quarto e do meu interior. Pendurei meus desenhos na parede e recoloquei meu filtro dos sonhos na janela. Voltei a sonhar. Parei de me regrar excessivamente. Parei de me proibir. Parei de me impor um estilo de vida extremamente adulto. Eu não preciso me pressionar tanto, eu não preciso cobrar tanto de mim. Eu não preciso seguir padrões ou rótulos. A única coisa que eu realmente preciso é ser eu mesma, estar em sincronia com o meu interior.

Coloquei cada coisa no seu lugar, lembrando sempre que eu estou no topo, seja das minhas prioridades, seja da minha autoestima. Tudo começa por mim. A energia que o Universo me transmite é a mesma que eu emito. Eu sou o centro, o início e o fim, seja do meu dia ou da minha vida. O poder de transformar as coisas é sempre meu.  E, a partir de hoje, nada vai ser igual porque eu decidi ser diferente.

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