Contos e Crônicas

Seu desamor doeu

 
Na verdade, 
não acho que mudaria alguma coisa. Quer dizer, mesmo que eu tivesse ensaiado, imaginado e previsto tudo antes do tempo, o nosso ‘adeus’ ainda seria doloroso para mim. Perder você jamais seria algo fácil. Perder você é a coisa mais difícil pela qual eu já tive que passar, meu bem.

 E você sabe, eu já passei por um bocado de coisas difíceis antes de você partir.

Você era aquela corda que me segurava pela cintura quando o chão desabava, quando meus pés não alcançavam nenhum apoio. Mas agora, agora você é mesmo um enorme buraco sendo escavado mais fundo a cada dia que passa, apenas. Você podia ter pelo menos piscado duas vezes, feito um sinal com as mãos, ou não ter me beijando gentilmente da última vez, como se eu ainda fosse a coisa mais preciosa da sua vida.

Mas não, você só desamarrou a corda, sem mais nem menos, sem aviso prévio, sem uma carta simplória avisando que o amor acabou. Você só
 se desinteressou pelas minhas letras, pelos meus olhos, pelas covinhas que eu tenho na bochecha. Você só desamou tudo muito rápido, sem demonstrar. Me deixando ser a paranóica, maluca, obcecada. Me deixou perguntar mil vezes, e nenhuma vez sequer, me deu a resposta certa.

Eu iria embora, você sabe disso. Eu teria tentado uma amnésia com todos os remédios sem prescrição médica na farmácia. Teria me mudado para Indonésia, pintado o cabelo de roxo, arranjando um convento que me aceitasse de mala e cuia. Você sabe, eu teria feito de tudo para desamar de você antes, já que eu sempre te amei muito mais. Mas enfim, no final de todas as contas, as despesas seriam as mesmas. Ainda me restaria um copo cheio de amargura e saudades de você, não importaria o mês do ano. Na hora que tu desamasse de vez, eu me quebraria, de qualquer forma.

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