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Por favor, não se surpreenda se eu te disser adeus

O cansaço, de vez em quando, me abate com força. Fico mole, com a cabeça e os olhos pesando, só pensando no momento em que terei um pequeno descanso da correria. É ótimo quando uma boa noite de sono consegue resolver o problema, mas geralmente ela só resolve o cansaço físico. E o cansaço emocional, principalmente o causado por alguém?

Preciso colocar as cartas na mesa e ser sincera comigo mesma: será que vale à pena ficar perto de você e, principalmente, será que você vale o tempo, a energia e a disposição empregados?

Eu fico pensando nisso com certa frequência. Se vale à pena “perder” meu tempo contigo. É evidente que gosto de você, bastante, eu diria. Mas e quanto a você? Será que sente por mim pelo menos 1/3 do que sinto por você? Eu tenho minhas dúvidas quanto a isso, já que você raramente demonstra.

Vamos ser sinceros: por mais que eu goste, acha certo comigo me manter por perto simplesmente por eu gostar, sendo que você não demonstra o mínimo em retorno? Isso é gostar de você, mas é desgostar de mim.

Não adianta tentar tirar leite de pedra, por mais que eu tenha vontade. Não dá pra investir em alguém sabendo que só eu coloquei as peças no tabuleiro. É um desgaste físico, mental, emocional desnecessário, por mais que eu alimente esperanças. Na real, essas esperanças só vão me matando aos poucos.

É difícil? Muito, absurdamente! Têm vezes em que eu realmente acho que seria mais fácil não sentir nada, porque é complicado lidar com as lembranças das palavras lindas, dos abraços apertados, dos beijos doces. Mas quando olho pro presente, nada disso acontece como antes. Você mal fala comigo e só fala porque sabe o efeito que me causa, mas estou cansada de ser tão vulnerável.

Te vejo fazendo mil planos pro futuro, não consigo me ver em nenhum deles, talvez porque você não tenha me colocado em nenhum deles. Eu fico tão triste, mas em momento nenhum vou pedir pra ficar. Se você não acha que eu devo permanecer na sua vida, quem sou eu pra discordar, não é? Cada um sabe o que é melhor pra si. Se eu não sou o melhor pra você, paciência.

O afastamento, indício desse cansaço que eu falei, vai me deixando mais triste. Primeiro porque não era o que eu queria. Ninguém quer de se afastar de alguém que gosta, a gente não se sente bem com isso (apesar de ser necessário, de vez em quando). Segundo porque comecei a pensar, com frequência, em ir embora de vez, mesmo com a aquela chama da esperança de que as coisas vão ficar bem dentro do peito. Como eu disse, só pra me fazer morrer aos poucos por dentro.

A gente pode dar trocentas chances, mas quando, enfim, se dá conta de que não tem tempo, nem espaço pra si na vida da pessoa, a gente entende que está na hora de partir, por mais triste que seja. Tem uma coisa muito importante que precisamos ter em mente: saber a hora de tirar o time de campo.

“You’re so sure I’ll be standing there”1, não é? Mas, sinto te informar, não vou. E quando eu for embora, não vai ter volta, não dessa vez. Você não me pediu pra ficar, então não se surpreenda com a minha partida. Esse adeus vai doer, mas e daí? A sua indiferença já está doendo em mim. Talvez, tudo isso me deixe mais forte. Ou talvez, tudo isso me deixe mais triste. Mas, de qualquer forma, sei que vou sobreviver. Incompleta? Pode até ser, mas viva. E é isso o que importa. Sei que com o tempo vou ficar bem, porque sempre fico. Não é como se eu tivesse muita escolha também, não é? O mundo não para pra que a gente fique chorando.

O que eu quero dizer com tudo isso é que eu não vou sentir falta de quem você é agora, sentirei falta de quem você costumava ser. Mas se você está mudando, consequentemente, meus sentimentos por você também mudarão. Eu vou me cansar, eu vou me calar, eu vou me afastar e, por fim, eu vou embora. Sem olhar pra trás.

1 – “Você tem tanta certeza de que eu vou estar lá”, trecho de Sad Eyes, do Bruce Springsteen.

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