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Ela aquietou o seu coração.

Ela silenciou, o choro, o aperto no peito, a droga da saudade, as lembranças, os momentos. Ela silenciou as fotografias, as notificações de suas redes sociais, as perguntas dos amigos que queriam saber o porquê, do que é pra que!

Ela silenciou o grito de desespero, a vontade de voltar atrás em suas decisões, o orgulho, a ternura do abraço, o sorriso, as preces para que ele voltasse e também as marcas que ainda restavam.

Ela silenciou os pesadelos, a vontade de dividir os sonhos, as fotos engraçadas, a trilha sonora, os rabiscos, a fúria do adeus sem sentido e todos os sorrisos que ele deixou para trás.

Ela silenciou a sua dor, a sua ânsia por notícias, a esperança de que ele notaria que ela era sim a mulher da sua vida. Ela silenciou os planos para o futuro, a casa de cerquinha branca, os filhos e o cachorro.

Silenciou, silenciou, e de silêncio em silêncio ela se despediu de um “para sempre” que foi construído de conversas na madrugada, desejos, pele, tesão, mas também brigas infindáveis e desgastantes.

A porra do amor foi silenciado também. Ela se despediu de todo o passado, e jurou não olhar mais para trás. Ela que com o gosto de uma história interrompida atravessada na garganta silenciou até mesmo o perdão.

– Me doei demais. Agora doarei todos meus bens (presentes, CDs, cartas, a entradas daquele pub e as fotografias). Coloquei tudo em uma caixa, deixarei em uma esquina qualquer. Sirvam-se a vontade, nada ali mais me tem utilidade.

Ela silenciou até mesmo seu último pensamento sobre ele, resgatou suas últimas forças e voltou a viver, os silêncios dela a levaram ao pó, e como uma fênix ela renasceu. E definitivamente silenciou-se e decidiu voltar a viver, mas dessa vez é em um mundo que não exista mais você.

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