Contos e Crônicas Grazi

Tudo o que ela queria era que o mundo parasse

Tudo o que ela queria, ontem, era que o mundo parasse, que a desse um tempo para que ela pudesse respirar e absorver cada coisa que vinha acontecendo.

Ela queria uma pausa, e nem precisava ser longa, era só para que ela não voltasse naquele lugar escuro novamente, em que ela estivera soterrada por meses. Ela precisava de um tempo, principalmente, para se reconectar consigo mesma e ficar de volta em seus pés sozinha.

Tudo o que ela não precisava era ficar triste e chorar, deitada na cama, sem querer admitir o real sentido das lágrimas. Ela se sentia uma confusão de sentimentos. Dor, saudade, impotência, medo… E não sabia lidar com nenhum deles. Não queria lidar. Não queria sentir ou falar. Só precisava dar um tempo, que tudo voltaria ao seu lugar.

Mas que mentira, garota!
Os sentimentos não vão embora assim, do nada, e todo mundo deveria saber disso. Mas ela não se dava a chance. Não entendia que quanto mais enterrava os sentimentos, mas eles voltavam para assombrá-la.

E que história é essa de parar o tempo para se recuperar?

Como cantava Cazuza, “o tempo não para” e ele também não espera. Tempo é remédio, é cura, é com ele que devemos fazer as pazes para seguir. Porque seguir é necessário. E você, garota, não precisa esperar sentada para que a vida tome um novo rumo, você deve buscar novos rumos sozinha. Sem medo de tropeçar no caminho, porque o tempo não vai parar para esperar tu levantar. Ele vai continuar seu percurso.

Vai fazer o vento balançar nos seus cabelos e dizer que a vida é uma só, e que você precisa parar de querer esperar. Que você não sabe o que o futuro reserva, e o quanto ele pode ser bom para ti. A gente se recupera vivendo e, algumas vezes, lembrar das dores passadas é necessário para nos fazer crescer. Porque o tempo passa e a gente cresce enquanto vê ele passar, com as dores, os amores, os sentimentos que demoram de se curar e as pessoas que chegaram e partiram. Tudo que não fica na nossa vida, serve de aprendizado depois. E toda ferida cicatriza.

Espera passar!
E ver o tempo passar não é esperar.
O que o tempo não cura, nada no mundo há de curar.


Texto escrito em parceria com a Stepanhie Almeida, do blog O que Sinto em Palavras

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