Contos e Crônicas Relacionamento

Lembranças de uma noite

O trânsito não andava
E foi ali, no meio daquele caos,
Que eu te vi.

Você virava alguma bebida em seus lábios carnudos
Enquanto ria de algo que alguém tinha dito.

Eu sorri.

Porque era bom saber que você continuava sendo você.
Tentei não te encarar tanto,
Mas o trânsito não andava
E você estava lindo demais para eu parar de olhar.
E foi com a lembrança do seu próprio olhar que eu viajei para longe dali indo parar naquela noite bagunçada.

Ainda me lembro da música que tocava.
Dos seus olhares atirados e misteriosos ao mesmo tempo,
Do seu sorriso tímido mas irresistível.
Do momento.
E do que aconteceu depois.
Ainda me lembro das suas mãos firmes na minha cintura,
Você queria que eu sentisse que você estava totalmente ali comigo
E eu sei que você estava.
Também não me esqueci das suas explicações para estar ali naquela sexta-feira chata
E dos seus beijos no meu pescoço logo em seguida.

Sabemos que era para ser exatamente como foi
E que era para permanecer ali,
Junto com as lembranças daquela noite longa.

Pele na pele.
Risos altos e sinceros.
De beijos longos e lentos.
De desejo com desejo.
De euforia.
De correspondência.

Aquele momento foi sincero e nosso.
Te ver naquela rua, em frente ao portão verde, me fez fechar os olhos
E me lembrar de tudo.

Até que você olhou para mim e o sinal se abriu.
Poderia ter te encontrado em qualquer lugar,
Como acontecia ás vezes,
Mas tinha que ser ali.

Foi ali que minha saudade de você ficou.
Enquanto eu te via ficar cada vez mais longe pelo retrovisor.

Até que meu celular vibrou e seu nome apareceu junto com uma nova mensagem:
[20:46/Você: Eu te vi.]

Bom, pelo jeito, não foi só eu que se lembrou de algo, pensei, sorrindo.

Leia mais em: Mundo Irreal

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