Contos e Crônicas

Quando a balança do amor pesa mais de um lado

A gente sempre acha que é meio clichê quando as pessoas dizem que tropeçamos no amor pelo caminho. Ironicamente, eu tropecei. Ou melhor, eu choquei contra aquele homem de uns 1,80 de altura, cabelos castanhos e um sorriso contagiante, enquanto andava com a cabeça baixa, mudando a música no spotify.

Sendo bem sincera, estava desligada demais naquele dia para prestar atenção em algo. Então apenas me desculpei rapidamente, como fazemos todos os dias, e estava a postos para seguir rumo ao meu destino, sem olhar pra trás.
Mas assim que virei às costas você cutucou meu ombro, esboçou um meio sorriso envergonhado e perguntou se eu queria tomar um café. Naquele mínimo toque eu senti aquilo que muitas pessoas dizem sobre a energia de outras passar pra você. E você tinha uma energia boa, acredite.

Bom, não tinha problema chegar um pouquinho atrasada e não era todo dia que eu esbarrava com uma pessoa querendo me pagar um café. E como você descobriu, eu amo café. Naquele dia você também descobriu tanta coisa sobre mim. Mas eu, eu não consegui quase nada sobre a sua vida.

Marcamos de sair mais vezes, com isso, resolvemos dar um espaço para que existisse o nós. Com o tempo, você foi descobrindo muito mais coisas sobre mim, medos e experiências que antes não foram contados para mais ninguém.
Mas você continuava sendo um mistério aos meus olhos. Sempre sentia como se eu tivesse apenas o que você queria mostrar. E eu não queria o superficial. Nunca quis.

Na verdade eu nunca fui o tipo de pessoa que gosta de gente certinha. Sempre gostei do caos, do que a pessoa tinha pra me mostrar interiormente. Todo mundo enfrenta algum demônio nessa vida. E você sabia os meus, enquanto eu só coletava as suas felicidades. E meu amor, ninguém é só felicidade nessa vida.

Todo mundo precisa de algum lugar pra apoiar a cabeça quando o fardo está muito pesado. Enquanto eu sentia que você poderia ser o meu lugar, eu não sentia isso de volta. Era como se o lugar que você ocupava, não era o mesmo que ocupava em sua vida.

Então, nesse dia chuvoso de junho, fiz o que deveria ter feito naquele primeiro momento. Arrumei minhas malas e virei às costas pra você, virei às costas para todo o mistério que eu não consegui e não tinha mais forças pra tentar desvendar.
Enquanto carregava as minhas malas, percebi que contigo permaneceu toda a minha bagagem de vida e toda a minha energia que fora colocada para o nós dar certo.

E eu? Eu levava de você apenas o superficial.

Texto: MARIANE SCHIMING

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