Desenvolvimento Pessoal

Erva Venenosa

Você é mau, você se faz de santo na frente de pessoas frágeis como se fosse o poste de luz no fim do túnel em que elas às vezes moram. E, com isso, se aproveita delas, só pra se sentir mais forte. Mas, com o imenso rancor, eu te digo: você é um problema.

Você é parceiro da bola de neve, eu sei. Ela é como uma assistente sua, sempre pronta pra encher suas vítimas de pensamentos ruins, para, no fim, te entregar pessoas tristes, pessoas amedrontadas, cansadas, inteiramente enfadadas de viver. Elas precisam de cuidados, de coisas boas, e você não é o melhor pra isso. Você não é pra isso. Simplesmente. Eu mesmo uma vez me senti frágil, sozinho, cheio de sentimentos tóxicos aliados à ansiedade, nervosismo, TOC e amigos também tóxicos. Na época, você parecia um caminho mais rápido pra eu resolver meus problemas, mesmo sendo mortalmente.

Você me apresentou maneiras fáceis de acabar com minhas dores. Eu poderia ter resolvido com os mil remédios diferentes existentes em minha casa, não é?

Quando eu estava próximo pra me entregar, parei. E, chorando, desabafei com uma amiga, assumindo para ela minha quase ligação com você. Ela também não gosta de você, e pediu para que eu me afastasse o mais rápido possível, antes que você me convencesse de vez de que era a melhor saída, o melhor pra mim. Mas ela me mostrou o contrário. Mostrou o seu lado – e único – terrível. Ela também já havia chegado perto de você. E sofrido.

E como uma irmã, me deu a sua mão para que eu conseguisse me livrar de você, da sua persuasão. Com olhos esbugalhados, senti a vida me dando um soco, um aviso, para que eu aproveitasse ela. Ela disse verdades que eu precisava ouvir. Ela me mostrou que vale mais a pena que você. Ela me mostrou a sua escuridão, pois você, suicídio, é um monstro disfarçado de herói.

Hoje, confesso o meu medo de você tentar se reaproximar de mim, de pôr a bola de neve mais uma vez na minha rotina. Para isso, até parei de me preocupar tanto com coisas não tão importantes, que antes me deixavam aflito. É uma forma de manter minha sanidade, minha paz interior, e, por consequência, afastar você dos meus pensamentos.

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