Desenvolvimento Pessoal Texto do Leitor

TEXTO DO LEITOR: Voltei

Depois de muito tempo perdida em algo que só eu vi, voltei a mim. Foi como se alguém tivesse estalado os dedos em frente ao meu nariz e eu acordasse depois de muito tempo sonhando. Existem coisas que você só vê quando está do outro lado, o lado de fora, porque do lado de dentro as coisas têm esperança, tem aquela pretensão de fazer tudo dá certo, tem aquele pensamento que os dois junto caminham lado a lado numa mesma direção… Agora eu percebo que parecia mais um cabo de guerra e eu perdi, pois deixei o meu terreno e algumas coisas por achar que valeria a pena desviar um pouco do meu caminho para fazer o caminho ao lado de quem eu estava.

Experimento sempre não pensar, mas quando um acesso de raiva de alguma lembrança me assola, tento fazer um lembrete mental colorido e chamativo com os dizeres “Não vai mais acontecer isso. Você agora aprendeu essa lição”. Mas no fim realmente a gente nunca sabe. Nunca sabe se vai amar de novo, pois instalou-se em nosso interior aquele terror disso tudo acontecer novamente. Nunca sabe se vai perder algo realmente incrível, por causa desse medo de que tudo aconteça novamente.

Ficamos com aquela pequena obsessão de querer saber os defeitos e podres das pessoas que deixamos chegar perto o suficiente de nós, nunca perto demais e nunca se abrindo demais. Mantendo uma distância segura daquela cachoeira que nós nos jogamos quando amamos alguém. Perdemos a capacidade (mesmo que momentaneamente, em alguns casos) de olhar lá embaixo e pensar “Seria muito radical pular aí” e passamos a ser aqueles que um dia ficamos rindo da cara: “Nossa, mas isso é muito alto, né? Como sabe que vamos sobreviver?”.

A grande verdade é que enquanto estivermos com medo de alguma coisa ruim acontecer, nada acontecerá realmente. Nem mesmo as coisas boas, mas você não precisa correr e jogar-se na primeira poça que ver, ela pode ser rasa e você se machucar. Mas pensar em talvez, entrar na água bem na beirada. Entrar o suficiente apenas para molhar-se um pouco e aproveitar o frescor do novo, mantendo sempre os pés firmes e a cabeça fora d’água. Não digo para ficar nessa para sempre, longe de mim não mergulhar de cabeça nunca mais, mas apenas tempo o suficiente para saber se a poça é funda o suficiente para o mergulho.

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