Contos e Crônicas Pensamentos

Não se esqueça de mim, não se esqueça de nós

Oi, como vai? Fico até sem graça de perguntar isso depois de tudo, mas ceder à curiosidade sempre foi um ponto fraco. Você sabe, se divertia com isso, se divertia comigo. Ah, as lembranças…

Me peguei pensando em você, em nós e em como as coisas acabaram. Ficou a sensação de uma lacuna, algo não propriamente finalizado e que subitamente, se desfez. Não sei se pra você o sentimento é o mesmo, mas eu sinto um incômodo. Como se a história tivesse terminado antes do final, entende?

Eu gosto de acreditar que existem pessoas que a gente não perde, mas, sim, se livra: as tóxicas, frias, egoístas e que não trazem nada além de dor para as nossas vidas. Porém, também creio no contrário: tem pessoas que a gente perde mesmo, e, em algumas situações, simplesmente porque era pra ser assim. É como me sinto sobre tudo que envolve nós dois em boa parte do tempo.

Quando digo que “era pra ser assim”, não quero que pensem que foi conformismo. Não foi, não mesmo. Lutei muito pra continuar, eu bem sei, mas fui vencida. Pelo cansaço, pelas circunstâncias, por fatores externos, enfim, por você. Não que eu esteja te culpando pelo fracasso da história, mas você me afastou. Tinha medo de gostar de mim também, não sabia se conseguiria retribuir o que eu sentia. A culpa – se é que existe um culpado nisso – é mais minha que sua, porque criei expectativas e hoje sei que ninguém é obrigado a se enquadrar nelas, na realidade, por mais que eu queira.

Mas, com toda a sinceridade, eu sinto sua falta. Sinto falta de muitas coisas sobre você, mas, principalmente, da nossa amizade. Lembra quando conversávamos noite adentro, falando besteiras e coisas sem nexo, na maior parte do tempo? Era divertido falar sobre tudo e nada. Quando andávamos nas ruas de mãos dadas, como se fossa a única coisa certa, por mais que dentro da nossa cabeça ainda achássemos estranho, mas que no fundo a gente curtia muito. Sinto tantas saudades desses momentos, parece que foram há mil anos atrás. Tudo o que tenho de você, agora, são isso: lembranças.

Nas raras ocasiões em que nossos olhares se cruzam, vejo o seu demonstrando arrependimento. Não quero ser prepotente ou algo do gênero, porém não sou boba. Sei que você sente minha falta também, eu percebi pelas poucas tentativas de interação que tivemos. Pela mensagem que você me mandou no meu aniversário – que foi um tanto estranho sabendo que, dessa vez, não ficaríamos pendurados no telefone, como aconteceu da última vez -, pelo simples comentário, quase monossilábico, que você deixou em uma foto minha, em um ocasião.

Entretanto, sou orgulhosa demais pra dizer que sinto muito por ter reagido como reagi no fim, que eu queria que as coisas voltassem a ser como eram enquanto nos considerávamos amigos, que eu sinto sua falta. Chegaria a ser cômico, se não fosse trágico: opostos complementares não se complementam mais por eu ser cabeça dura em demasiado. Eu devo ser masoquista pra me prender a sentimentos que não me trazem nada de positivo.

Sei lá, é que eu tive esperança de que fosse dar certo e me decepcionei demais pelo simples fato de não ter sido assim. “Droga, pensei que agora fosse!”, mas não foi e não será. Somos muito jovens, temos mania de achar que sabemos de tudo, quando é justamente o contrário. Teríamos dado certo? Há um tempo atrás, eu apostaria todas as minhas fichas nisso. Hoje, já oscilo na resposta. Talvez o melhor seja não saber.

No fim das contas, temos mais diferenças que semelhanças e elas pesaram demais, nos desgastaram demais. Talvez isso tenha influenciado demais na minha decisão de me afastar, somado ao fato de eu não aceitei nossas diferenças muito bem. Me afastar a ter que te ver todos os dias e mentir pra mim mesma, dizendo que não machucava, parecia plausível. Ainda não sei se tomei a decisão correta com isso, mas não posso mentir: dor eu não sinto mais. Em compensação, o vazio parece crescer a cada dia.

Apesar disso, sempre vou sentir falta de te chamar de amigo, ou melhor, “melhor amigo”. Eu nunca disse – e nem direi, não pessoalmente -, mas obrigada por ter passado pela minha vida. Você foi muito especial pra mim e eu acho que você sabe. Espero que continue sendo a pessoa incrível e cheia de sonhos que eu conheci. Mesmo eu nunca tendo me visto neles, espero que você os realize. Merece toda a felicidade desse mundo.

Sei que você nunca lerá isso, mas se por acaso o fizer, espero que me entenda. Apesar de acreditar que voltar a ter contato contigo pode me ferir, e eu não estou precisando de mais dilemas no momento, ainda tenho um carinho muito grande por você. Pode não parecer, até porque eu nunca demonstro, porém é verdade.

Antes de ir, te faço um último pedido: nunca se esqueça de mim, nunca se esqueça de nós. Porque eu não pretendo, jamais, te tirar das minhas lembranças, mesmo que eu pudesse fazer isso.

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