Desenvolvimento Pessoal Grazi

Relembrando 2017 e deixando o passado para trás

Quase um mês que não entro nessa casinha.
A casinha que eu construí e escolhi a dedo cada morador.
Não me leve a mal. Não houve preguiça ou falta de interesse. Houveram fatores que abalaram minha saúde física e mental. A física ainda vai me incapacitar por um bom tempo de aparecer por aqui sempre que tiver vontade. A mental grita para estar aqui o tempo todo. Mas, apesar da dor física, resolvi escrever e sacrificar mais um pouco a dor e fazer uma retrospectiva do meu ano. Na verdade, essa foi a saúde mental que pediu.

Houveram muitos momentos difíceis neste 2017 e eles começaram em 2016, quando minha mãe quebrou o braço no dia 10 dezembro e eu tive que me virar em 10 para corresponder a todas as expectativas e ainda ser humilhada por isso. Humilhada dentro do meu próprio lar, que deveria ser meu maior abrigo. Ainda guardo fotos do dia que chorei tanto, em janeiro, que quase não se via meus olhos, de tão inchados – e olha que meus olhos são grandes e vivos – e foi aí que decidi que precisava mudar de vida.

Em abril, finalmente cedi a uma proposta e saí lá do interior de Minas, Teófilo Otoni, e me aventurei a desbravar a Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro. Mas não foi fácil assim. Essa mudança testou bastante o meu eu. Os primeiros três meses foram de choradeiras, depressão, saudade do colo de mãe, da família. Em outra mão, conheci pessoas, estando aqui, que mudariam para sempre minha percepção sobre alguns aspectos da vida.

Em agosto eu tive uma TEP (tromboembolia pulmonar) causada pelo uso de anticoncepcional – cuidado, meninas – e até hoje investigo se tenho vestígios de trombofilia, com tubos e mais tubos de sangue sendo retirados de mim desde então. Na mesma época, quando meu mundo desabava por causa da TEP, as pessoas que conheci no início da minha mudança, se voltaram contra mim, abalando minha autoestima, meu amor pelas pessoas, meu senso de justiça e duvidando da minha escrita. Disseram até que, ao divulgar o que estava se passando com a minha saúde, era um jeito de ganhar seguidores. E aqui eu deixo claro: escrevo por amor, divulgo e vivo por amor, não por números. Parabéns para vocês que tentaram, mas não conseguiram.

Em setembro, eu recebi todo o amor do mundo de três pessoinhas, que eu tenho certeza que estarão no meu coração pelo resto da vida, porque acreditaram em mim, me tiraram de uma das minhas maiores escuridões e me fizeram brilhar. Com elas (Steph, Rê e El) eu aprendi o que é amizade de verdade, o que é torcer pelo outro de todo coração, de considerar a conquista do outro como sua própria. Ali aprendi o que é ser de verdade. Aprendi que amigos não passam a mão na cabeça, amigos apontam erros, riem dos seus erros, confiam seus maiores segredos, sabendo que não haverá julgamento. Em setembro, pela primeira vez em muito tempo, senti o frescor da primavera neles.

Em outubro, bem no comecinho, levei um tombo enorme. Minha avó materna, a última avó viva que eu tinha, faleceu. E eu corri pra casa. Corri para trocar de lugar com a minha mãe e abraçá-la como a filha que ela é. Andei de mãos dadas e abraços durante todo aquele sábado de 07 de outubro, virada de uma viagem de 13 horas, para confortar. Eu precisava de conforto, mas meu conforto vinha de saber que a pessoa que eu mais amo no mundo estava amparada no meu colo. Ali eu aprendi a ser mãe da minha mãe, aprendi que os papéis se invertem de acordo com as necessidades e que todo mundo precisa se adaptar a essas mudanças.

Em novembro vieram duas bombas na minha saúde: síndrome do piriforme, bursite. O piriforme é o fator que me afastou do blog, que me impede de sentar aqui e escrever tudo o que a minha depressão grita, estudar, trabalhar e até sair. Tenho feito fisioterapia, mas vai levar uns bons quatro ou seis meses para ajustar isso. Para que meu quadril não doa mais tanto ao sentar ou ficar de pé por muito tempo.

Apesar dos pesares, novembro me trouxe um encontro lindo com o Edgard Abbehusen do Fotocitando e sua namorada, Jéssica. Foi lindo ouvir histórias de um sonho, foi lindo ver pessoas tão humildes, apesar da grandiosidade, da representatividade. Edgard e Jéssica foram luzes que Deus trouxe para me fazer acreditar em mim novamente. Edgard foi uma luz tão poderosa, que conseguiu fazer com que as sombras de alguns aspectos da minha vida se recolhessem e me deixasse brilhar de novo, confiar de novo e acreditar na vida em si. E isso me trouxe mais pessoas. Pessoas íntegras, com senso de justiça, camaradagem, cuidado e foda, na verdade, muito foda!

Em dezembro, a última bomba (acho): depressão preocupante e ansiedade. Há dias em que ela me faz odiar ser eu, sentir o que eu sinto, me apaixonar e amar. É como se eu não merecesse viver – essa cai um pouco na conta das pessoas que fizeram bullying comigo em agosto, mas resolveram fazer campanha de setembro amarelo o ano inteiro. Mas em dezembro também me apaixonei. Me apaixonei pelo simples, pelo coração azul e por ajudar pessoas. Me (re)apaixonei pelo Natal!!!

Ao longo do ano, tomei várias rasteiras, mas recebi muito amor em troca, muito aprendizado, ganhei o coração de quem tocou o meu, superei viver no Rio e passei a agradecer todas as vezes em que passo pelo Túnel Rebouças e olho pra cima, vendo o azul do céu e o Cristo Redentor. Aprendi a chamar essa Cidade Maravilhosa de lar, me perdi aqui, pra me achar, para amar, para agradecer por mais um dia de vida.

Porque, no fim das contas, é o que importa, é mais um dia, mais uma oportunidade de (re)começar, de (re)aprender.
Obrigada 2017 por tudo, seja bom ou ruim, porque tudo isso me preparou para 2018.
Só vem 2018, eu tô mais que pronta, eu tô ready for it!

PS: terminei esse texto com lágrimas de dor do piriforme, mas valeu a pena!

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