Diário de uma depressiva Grazi

Diário de uma depressiva 02

Leia aqui o primeiro capítulo do diário.

03 de Jan 2018

Ontem (o2) foi um dia que começou muito bem.
Acordei determinada a dar seguimento ao blog, a não deixar que minhas dores físicas me definem ou me limitem. Então revirei a internet em busca de planners que eu pudesse usar, para que esta linda casinha voltasse ao seu devido lugar. Conversei com todos os moradores dela e decidimos datas.

Tomei decisões acerca de outros blogs que escrevo.
Decidi, com ajuda de universitários (obrigada Mafê), que não vou me diminuir em nenhum lugar. Que vou agarrar com ambas as mãos (e quadril fodido), todas as oportunidades que vierem, tudo o que me leve a alcançar mais e mais pessoas. E decidir isso, me deixou feliz. Honestamente, foi uma manhã produtiva e muito gostosa. Me lembrou da minha antiga eu. A eu que começou a escrever e amar blogs e pessoas.

Mas como o dia é longo e ontem acordei as 9:30 da manhã, às 13:30h dei um stop em tudo e fui tomar um banho, porque ainda não desisti da fisioterapia. E ao me levantar… PQP, quanta dor eu senti. Bem ali eu entendi que não desisti do blog e da escrita, me custaria muito caro, mas é um preço que estou disposta a pagar. Principalmente porque percebi que o fato de não escrever, não me envolver com o que eu mais amo, me deixa mais triste e faz com que eu me sinta incapaz. E isso é algo que eu não sou.

Impressionante como qualquer coisa pode mudar nosso humor, né? Para mim, isso é bem literal.
Ontem, ao sair de casa (do friozinho do ar condicionado), percebi que estava um calor dos infernos (bem-vindos ao Hell de Janeiro) e isso acabou com qualquer resquício de agradabilidade em mim. Durante as três horas que fiquei fora (desde o deslocamento até a própria fisioterapia), não queria conversar com ninguém, não queria ninguém perto de mim, não queria saber de nada, nem mesmo o whatsapp.

Quando cheguei em casa, me tranquei no quarto, tomei um banho gelado, para lavar tudo de ruim que eu estava sentindo (deu pra perceber que eu sou um pouco louca com banhos e acho que há um poder mágico ali, né?). Liguei o ventilador, trouxe a Mia (minha gatinha) pra bem perto de mim, só pra ver se ela me ajudava a ficar mais calma e liguei a TV. Mas nem a porcaria da série que eu estava assistindo, conseguia tirar minha cabeça da raiva que eu estava sentindo do calor e da dor da síndrome do piriforme.

Tomei dois comprimidos de relaxante muscular, em busca de alívio, mas ele não veio.
Voltei a me sentir fraca, incapaz, impotente, e achar que aquela história de voltar a escrever e manter os blogs, não era pra mim. Eu ia fracassar, eu não ia conseguir. Então eu chorei. Chorei até o nariz entupir e escorrer, chorei com o travesseiro na boca, abafando os soluços. Chorei porque pensei que não conseguiria ser alguém de novo. Ser eu. A velha eu, que todos conheceram, um dia, em Teófilo Otoni.

Chorei porque sentia falta de mim.
Chorei também porque, de novo, ninguém se importava em enviar uma mensagem, perguntando como eu estava. Mas todos pareciam querer uma parte de mim, por algum motivo. Chorei porque senti falta da minha mãe me abraçando, porque sentia falta da minha casa. Chorei tanto, que caí no sono e, quando acordei, já era noite. E estava tão triste que, duas horas depois de acordar, tomei meus remédios e, por volta das 22:30 eu já estava dormindo novamente. Mas não um sono bom. Um sono de frustração, de tristeza.

Mas hoje, dia 03, acordei ainda mais cedo.
Liguei para minha mãe às 7:15 e ficamos conversando por pouco mais de duas horas. Ainda não sei o que pensar dessas ligações. Por um lado, fico muito feliz de ainda conseguir manter a mesma amizade com a minha mãe. Fico feliz que a distância não agiu em nossa relação. Mas fico triste com alguns dos assuntos tratados nos telefonemas, apesar de que jamais falaria para ela vetar certos assuntos comigo.

Sinto uma responsabilidade emocional muito grande com a minha mãe, sabe?
Muitas vezes me culpo por não estar lá, por não estar junto dela, ajudando-a a matar os dragões todos os dias. E eu sou a única pessoa da qual ela confia de verdade, que não há segredos. Como eu poderia pedir para que ela não falasse sobre todas as coisas que a machuca? Seria egoísta demais da minha parte fazer isso com quem abdicou de toda uma vida para me educar, me amar, me ensinar e ser a minha melhor amiga.

Agora  ainda são 10:15 e já estou com lágrimas nos olhos.
Mas tenho muito a fazer e, principalmente, blogs a comandar.
Não posso me permitir e me entregar a tristeza, pelo menos não tão cedo.
E para o caderninho de vitórias, consegui arrumar minha cama, o que é um sinal de que estou um pouco melhor.

Grazielle.

Leia o próximo aqui.

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