Diário de uma depressiva Grazi

Diário de uma depressiva 03

Leia o 01 aqui e o segundo aqui.

05 de Jan 2018

Nem sei por onde começar.
Talvez você diga pelo começo, ué! Mas é que se passaram tantas coisas na minha mente, que eu nem sei. Ontem eu não consegui escrever ou postar o texto do dia. Acordei bem tarde – alívio – e já fui tomando banho e saindo para a fisioterapia. A fisio tem uma hora de duração, mas como eu tinha outro médico às 16hrs, óbvio que ela levou duas horas e meu esforço de sair mais cedo de casa não adiantou nada, porque cheguei no médico às 16:40. Apesar do atraso, ela me recebeu. Mas foi uma consulta tão rápida, que, sinceramente, foi uma merda e eu fiquei com algumas dúvidas pairando sobre minha mente. O mais bizarro foi que eu fiz uma pergunta, a médica me deu sugestões e falou “pesquisa no google pra ver o que é melhor pra você”. Tipo, O QUE???? Ela quem deveria me explicar tudo e me ajudar a tomar uma decisão.

Depois de sair frustrada do consultório e com mais pedidos de exames de sangue e outros, voltei para casa.
Mas antes de tudo – disse que não saberia por onde começar, desculpa a falta de ordem nos pensamentos -, minha mãe me ligou e disse que toda a minha família está lá na minha cidade natal e que ela se reuniu com eles, me contando como foi, talvez pensando que me contar algo, me alegraria, mas a verdade é que só deixou mais conflitos dentro de mim. Minha prima, a mais nova das netas, é tão apaixonada comigo que colocou o meu nome na boneca que ela ganhou. Foi surpresa para todos, já que nos vimos poucas vezes – ela mora no interior de SP e vai à nossa cidade uma vez por ano. Mas eu me lembro de todas as vezes que ela me via, mesmo quando dormíamos na mesma casa e acordávamos juntas, o brilho nos olhos dela ao olhar para mim. Ao falar, ainda bem pequena, que somos diferentes, mas que ela me ama.

O resultado que essa e várias outras lembranças desencadearam em mim, foi o caminho para a fisioterapia a base de lagrimas. E caíam tantas lágrimas, que a moça que se sentou ao meu lado no ônibus, se sentiu constrangida e mudou de lugar. O que passou pela minha cabeça? Que eu sou egoísta por não estar com a minha família, por não ver meus pequenos crescerem e não ver os mais velhos envelhecerem. Fiquei com uma enorme sensação de perda, de dor no peito, de egoísmo.

Ontem, quando cheguei em casa, comecei a me sentir cada vez pior.
Tudo de mais agradável que eu senti no dia 03, deu um plot twist e me fez sentir mal por ser eu. Não me senti confortável na minha própria pele. As conversas que rolavam nos grupos de whatsapp só me faziam sentir pior. Fiquei com a sensação que não me encaixo em lugar nenhum. De que estou perdida, sem um rumo pra seguir.

Tarde da noite, sem conseguir dormir, mandei uma mensagem para  alguém que sempre fez com que eu me sentisse bem. Sabe qual a resposta que eu obtive? Isso mesmo: NADA! Uma visualização sem resposta, talvez também sem remorsos. Por que quando a gente mais precisa que alguém diga que vai ficar tudo bem, essa pessoa resolve pular do barco e deixar com que naufraguemos? Por que alguém que sabe ter uma importância em nossas vidas, em um momento difícil, finge que a gente nem existe?

Finalmente eu fui pra cama, com sono, esperando o torpor dos remédios fazerem efeito.
E eles fizeram, só não o suficiente para fazer com que eu dormisse. Comecei a ter crise de ansiedade com a sensação de abandono. Minha cama queen parecia pequena e sufocante. Meu coração e alma pareciam não caber mais dentro do meu corpo. Andei, me virei de cabeça para baixo, de todos os ângulos possíveis na cama, mas parecia que algo me prendia, me amarrava e eu só queria me desatar. Foi aí que resolvi encontrar um pouco de paz em dois comprimidos de um dos remédios que meu psiquiatra suspendeu. Eu só queria que aquela agonia acabasse, pelo menos provisoriamente. E ali, por volta das três da manhã, ela cessou.

Hoje, acordei 11:30 e, novamente, sou muito grata.
Escrevi, programei e publiquei textos, o que faz com que eu me encontre comigo mesma. Mas ainda não consegui arrumar a cama, e acho que não tenho forças. O próximo passo é a fisioterapia, minha vigésima terceira sessão.

O dia só está começando,

Grazielle.

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