Diário de uma depressiva Grazi

Diário de uma depressiva 04

 

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08 de Jan 2018

Abri essa página em branco, sem saber o que escrever.
Ao som de All too Well da Taylor Swift (ouçam, melhor música), minha mente toma várias direções e não sabe o que contar sobre os últimos dias. O sábado tinha tudo para ser o dia mais seguro da semana. Eu tive uma festa infantil para ir. Quem não ama mais festa de criança do que o barzinho dos adultos? Sinceramente, como diz um kirido, nem é gente. Mas poucas horas antes dessa festa, alguém muito próximo resolveu sumir e me deixar louca de preocupação. Passei mais de 24 horas sendo ignorada. E isso dói pra caralho, principalmente vindo de alguém com quem você se importa e que daria muito pra ver essa pessoa bem.

Depois dessas 24 horas e muitas mensagens ignoradas, eu recebi uma resposta.
Me segurei o fim de semana todo para não passar esse meu sentimento para as pessoas próximas a mim, mas quando aquela mensagem chegou, dizendo que estava tudo bem, que só precisava sumir um pouco, eu chorei de alívio. Aqui você pode pensar que eu sou dramática demais, mas eu só tenho depressão e ansiedade, o que tem o potencial de elevar meus sentimentos a décima potência.

Então vou explicar para você o que eu pensei.
Pensei que essa pessoa tinha bebido até desmaiar, ou se perder, ou até mesmo estar caído em uma vala. A meu favor, ninguém tinha entendido o que aconteceu, mas olhando para trás, talvez até eu tenha uma parcela de culpa nesse sumiço, o que fez com que eu me sentisse pior. Mas a minha pequena vitória é que eu me segurei. Eu sorri, eu me distraí um pouco, eu dormi (na verdade os remédios me apagaram) e, principalmente, eu não chorei.

Sabe o que eu fiz?
Eu enchi as redes sociais de mensagens, eu disse tudo o que eu precisava, eu pedi respostas mas, acima de tudo, eu deixei claro o quanto essa pessoa é importante para mim. Acredito que, nessa situação, era a única coisa que eu poderia fazer (além de esfregar a cara do ser humano no chapisco, com amor, claro).

E eu tirando um pouco o foco do diário de desabafos, mas dando um conselho para quem acompanha porque tem alguém na vida com depressão, esse é o maior conselho que eu posso te dar: assegure a pessoa que você se importa com ela, não importa quantos dias de silêncio você terá de aguentar. Eu me lembrei de mim mesma nesse processo. De quantas vezes eu sumi, mas na tentativa de não machucar alguém, porque eu estava machucada e é isso que fazemos quando estamos com dor: mesmo que inconscientemente, infligimos dor a quem está mais próximo de nós.

Outra coisa que aconteceu foi, novamente, relacionada a uma ligação da minha mãe.
Ela me disse coisas horríveis que aconteceram por lá, com nossa família. Fiquei muito triste. Parecia que cada situação me cortava o coração em pedaços diferentes. E foram vários pedaços. Me lembro de como nossa família toda era unida. Me lembro de nos reunirmos nas férias, uma galera imensa, que tínhamos que dormir até no chão da sala, e não haviam brigas, só amor, carinho, senso real de família.

São poucas coisas como essas, que entram em nossas cabeças e não saem.
Que doem e perguntamos o por quê. Nos perguntamos se tivéssemos feito algo diferente, as coisas seriam diferentes, sabe? Dói ver a maldade da família dentro da própria família, sangue com sangue. Quando eu era criança, a mulher do meu tio (in memoria) disse que eu era a prima pobre dos filhos dela. Todo mundo achou isso uma crueldade sem tamanho, porque eu era só uma criança. Mas uma dessas pessoas que achou isso maldade, falou para uma garotinha de oito anos que não gostava dela, nem da mãe dela (sobrinha e irmã). O que aconteceu de quando eu era criança pra cá?

Novamente, o que eu posso dizer é que tudo isso doeu muito.
Hoje, sinceramente, nem sei se consigo olhar na cara desse ser humano, que o sangue diz ser da minha família. Estar bêbado não é motivo para magoar os outros, para cometer atrocidades e atitudes ridículas. Além de tantas outras coisas que essa pessoa fez, se justificando de um suposto cuidado.

O que aconteceu com o amor?
O que aconteceu com todos os tipos de amor?
É isso que mais me preocupou nesse fim de semana.

Grazielle.

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