Diário de uma depressiva Grazi

Diário de uma depressiva 06

 

Você pode ler todos os capítulos do diário aqui.

 

13 de Jan 2018

Há alguns dias não venho aqui e, dentro das minhas resoluções, da semana, escrever o diário 06 era para o dia 11 de Jan, logo após a minha consulta com o psiquiatra. Bom, preciso dizer que essa consulta mexeu comigo. Me surpreendi com o fato de poder dizer ao Doc. o quão bem eu ando me sentindo comigo mesma. O quão bem eu me encontrei dentro da minha própria pele, depois de tanto tempo (anos, eu diria). Não sei se posso atribuir só a mim mesma essa melhora, acho que ela está vindo de fora pra dentro, dos remédios receitados e, até então, não alterados, já que tem dado tudo tão certo. As metas que eu tracei no início da semana, consegui cumpri-las. Escrever este capítulo é a última delas.

A fisioterapia tem ido bem, apesar de uma queria massagista ter pesado tanto a mão na minha lombar, que voltei a sentir dores que já não sentia mais. Eu quase deixei que isso me abatesse. Mas eu me lembrei que na minha lista de metas, uma delas é afastar a tristeza e a outra é não chorar e se culpar. Na verdade, eu chorei em uma das sessões de acupuntura, mas só porque estava sentindo dor e chorei quando escrevi um texto que me tocou tanto e me lembrou do meu maior motivo para escrever. O amor. O carinho. O frio na barriga. A superação. O enxergar além. Meu amor mais puro dessa vida.

Já contei em algum dos diários que pensei em desistir da escrita (acho), mas são momentos em que um texto totalmente desconexo da minha vida, mas que toca e as pessoas vêm falar sobre como aquilo foi escrito pensado nelas, que eu me encontro de novo nesse amor louco pelas palavras.

Uma outra coisa que mudou esta semana foi que decidi me alimentar de forma mais saudável e chegar ao peso que eu quero. Acho que chega uma hora na vida da gente, que as fichas caem e elas caem em diferentes momentos para cada um de nós, porque somos diferentes. Então, a quase um mês de fazer 25 anos, essa ficha da alimentação caiu. Um dos antidepressivos que eu tomo aumenta o apetite e eu não quero descontar isso ingerindo lixo e acabando com minha saúde – que já tá bem cagada em relação a postura e etc. – então optei por viver de frutas.

Pois é, nada radical, nada de veganismo.
Só frutas mesmo. Pouco carboidrato, proteína e frutas.
É bem difícil fazer isso, porque nunca me privei de comer nada, mas meu colesterol gritou que tá um pouco alto, meu ciático anda reclamando através da minha bunda, então eu precisei tomar uma atitude e eu consegui. Ontem fiz uma compra bem boa de frutas, todos os tipos que comia e paguei uma fortuna, mas é a vida né? Comer bem custa caro, mas pagar com a saúde não tá passando no cartão, então não tem jeito. Já aceitei que vou passar momentos de frustrações por não comer uma porcaria bem gorda, mas tá tudo bem se eu ficar bem.

Nosso corpo é a nossa casa, né? Alguém já disse isso. Mas quando nossa casa não está do jeito que gostamos, ou quando uma parede racha, precisamos fazer uma reforma; seja para que ela fique linda, do nosso jeitinho, ou habitável. Resolvi passar esse pensamento pra minha mente. Eu, dentro de mim, sou minha morada. A fachada tá okay, mas algumas paredes do meu ser estão sucumbindo, então aqui estou eu, escrevendo, tomando remédios, fazendo exames e fisioterapia.

Outra coisa que aconteceu nesta semana, foi que me desloquei sozinha para determinado lugar que eu não tinha certeza se conseguiria acertar o caminho – e de fato quase me perdi e quase fui atropelada – mas não tive medo. Pela primeira vez em dois anos, fazer algo novo e sozinha não me paralisou e isso eu agradeço ao remédio da manhã. Também tomei a iniciativa de perambular por umas ruas e fazer perguntas, bater em um prédio e em alguma porta, atrás de uma psicóloga, mas não vai ter jeito, telefonar será a única solução.

Falando em psicóloga, meu psiquiatra me indicou uma linha da psicologia a seguir no meu tratamento, psicologia de self. Se alguém já teve experiência e quiser deixar nos comentários, é nois!

Até o próximo diário,

Grazielle.

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