Diário de uma depressiva Grazi

Diário de uma depressiva 07: um caso de nojo dentro de um amor

 

15 de Jan 2018

Você pode ler todos os capítulos do diário aqui!

Juro que quando escrevi o último diário (cê pode ler aqui), não achei que escreveria outro tão cedo, porque o intuito do diário é me ajudar a superar meus problemas e mostrar que eu sou tão humana com eles, como vocês. E que juntos, podemos nos apoiar. Como eu estava me sentindo melhor, não achei que o diário voltaria tão cedo, porque é um diário de depressão, não da minha vida, abertamente. Mas aí é que está meu erro, esperar, criar esperanças e expectativas. O diário 06 foi escrito no sábado a noite, mas o fim de semana era longo e aconteceram algumas coisas que estão entaladas na minha garganta, ainda na noite de sábado, escorrendo para todo o domingo.

Primeiro eu penso no que eu senti desde que a merda começou a acontecer.
E eu senti nojo, muito nojo.
Nojo das pessoas que descobriram coisas que sabem serem erradas, mas que se calaram, se omitiram e fingiram que nada estava acontecendo por um bom tempo. Nojo das pessoas que nomeiam uma às outras de amigas, mas que estão apunhalando pelas costas, que estão deixando os “amigos” levarem a culpa e arrastando o corpo fora. Amigos que tentam limpar a barra e se tornar (de novo a palavra) amigo de alguém forte, assim como a quem ajudou a afundar. Agora, vou dizer o que amigos de verdade fazem: se juntam, expõem o problema e dizem “você está errada e precisa corrigir isso aí”. E se isso tivesse sido feito, nenhuma merda teria acontecido e não teria deixando tanta gente magoada.

Depois eu senti desilusão.
Uma coisa tão linda, como as palavras, deveriam ser verdadeiras quando saem do coração. Na verdade, deveria ser o coração falando o que sente, não a venda dos escritos. Não ludibriar milhares de pessoas com palavras vazias, de sentimentos vazios. Veja bem, não digo que absolutamente tudo que escrevo é sobre mim, mas cada sentimento que sai, é verdadeiro, é um momento sagrado  no meu dia. Parar para escrever, ou as palavras gritarem enquanto estou quase dormindo e eu precisar pegar o celular e anotar tudo, pra não esquecer. E quando eu faço isso, é de verdade.

Senti raiva, muita raiva.
Senti raiva, porque acredito ter feito algo certo, algo que já deveria ser feito há muito tempo, mas que ninguém teve coragem de fazer. Nós três (Steph, Rê e eu) fizemos a coisa certa e levamos pauladas. Resolveram descontar raivas e frustrações em nós, porque tivemos coragem o suficiente para nos levantar contra o que acreditamos ser errado. Eu fui chamada de lixo, mas, pela primeira vez, não me senti um. Senti que estava, mais do que nunca, lutando por algo que acredito, em busca de uma mudança, em um lugar tão envenenado.

Por fim, senti paz.
Compreendi todos esses sentimentos em mim e os abracei. Abracei quem eu sou, abracei ser a pessoa que se importa em ver injustiças e fazer alguma coisa e mesmo que a merda seja espalhada pra todo lado, não se arrependa por isso. Abracei que mesmo que isso tenha causado dor em muita gente (gente que eu amo e a mim mesma), foi a coisa certa a fazer. Na vida, com o tempo, a gente aprende quem é de verdade e quem não é. Uma hora, as coisas aparecem. A mentira é fácil de ser levada, é fácil de abraçar. A verdade é cruel, ela dói mesmo, rasga o tecido do coração e marca a alma pra sempre. Mas a gente aprende. E aprende a voltar pra casa quando tudo cicatrizar.

Aprendi a não me culpar.
Não é culpa minha se eu confio nas pessoas e elas usam de má-fé para fazerem coisas erradas. Não é minha culpa se eu te dôo meu coração e você brinca com ele. Não é minha culpa se a verdade machuca, ela já me machucou também. Não é minha culpa se você é mau caráter e justifica isso com uma vida difícil. Todos nós temos problemas e leões a matar, mas passar por cima dos outros, usando o bom coração alheio, é degradante.

Sabe o que eu sinto agora?
Calmaria depois da tempestade, com tantos ventos e trovões.
Sinto a plenitude por ter orgulho de ser quem eu sou e não me julgar por isso e não permitir que o outro me julgue.
Não sou o lixo que alguém me chamou, sou a coragem que alguém não teve e não me culpo por isso.

Grazielle.

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