Diário de uma depressiva Grazi

Diário de uma Depressiva 08

 

Você pode ler todos os capítulos do Diário aqui!

19 de Jan 2018

Hoje eu fiz o Eduardo da Mônica, bem como a música do Renato Russo.
Abri os olhos, mas não quis me levantar, fiquei deitada e vi que horas eram.
Cedo. Era cedo demais para que eu consiga viver 24 horas sem pensamentos negativos. E isso foi forte. Não são nem 13h e eu já queria poder encerrar o dia. Fiquei deitada no quarto, com as cortinas fechadas, sem querer ver a luz. Deixando o vento do ventilador e o frescor do ar-condicionado baterem em mim, esperando com que fizessem a tristeza dos meus olhos virarem poeira e se dissolverem pra longe. Não sei quão longe, já que nem a janela eu ainda não havia aberto.

Motivada por uma mensagem de “bom dia”, resolvi levantar e ligar para o meu “bom dia” de todas as manhãs.
Levanta. Faz xixi. Escova os dentes. Telefone no viva voz. A voz que mais amo ouvir. Olhei para os remédios na caixa do banheiro. Respirei fundo. “Respira pelo nariz, enche o peito, solta pela boca, aumentando a barriga.” Era isso que eu ouvia. A voz da minha fisioterapeuta do RPG. E eu respirei, sentada em cima da banheira do box. Cometi o erro de olhar para o espelho. Minha voz matinal continuava falando e eu me agarrei a ela para sair do banheiro, sem olhar novamente para os remédios.

A voz me fez contar sobre o meu dia de ontem.
Perguntou sobre como foi a fisioterapia. Ela não parava de falar. Perguntou sobre o que eu ia fazer de café da manhã. Queria saber se eu estava conseguindo seguir minha “dieta”, por assim dizer. Parecia que a minha voz sabia que havia algo errado e que conversar comigo era o que de melhor poderia fazer para me ajudar. E funcionou. Consegui trocar de roupa, tomar um café da manhã saudável, lavar as roupas brancas, postar e agendar posts… Mas a voz desligou. Meu corpo se moveu, automaticamente, para o quarto escuro.

Eu precisava que a escuridão me abraçasse.
Eu me sentia/sinto mal, então queria ser abraçada. Abri o YouTube, assisti a uns vídeos toscos, depois procurei pelos DVDs do RBD, que sempre me fizeram bem. Eles me lembram a garota que eu era aos 13 anos. E eu queria que ela me sacudisse, para que eu conseguisse levantar – de jeito nenhum aquela eu de 13 anos me abraçaria, ela não era chegada a mostrar comoção. Ela era fria. Por isso eu precisava tão desesperadamente resgatá-la. Eu precisava desse modo frio, para viver o dia no automático. Sem sentir. Só passar pelas etapas.

Eu queria chorar.
Quero chorar agora, enquanto escrevo. Nem as músicas mais pesadas do Linkin Park estão tirando essa vontade. Outra vez, eu me quebrei e vou precisar juntar meus pedaços. Mas eu não vou chorar. Vou engolir todas as lágrimas que surgirem na continuação dessa minha caminhada. Eu só preciso ficar sóbria de emoções e deixar a frieza me conduzir. Assim eu não machuco ninguém e ninguém me machuca também.

O próximo passo é tomar um banho.
Deixar a água lavar toda essa sujeira que eu deixei ser despejada sobre mim.
Pode durar uma chuveirada.
Pode durar dias de banhos gelados, várias vezes ao dia.
Mas eu vou voltar.

Eu vou voltar pra mim.
Eu tenho vozes das quais eu não posso decepcionar.

Grazielle.

Comments

comments

You Might Also Like

No Comments

Comente