Contos e Crônicas

Cessação do Exórdio

 

“Cause every time you hurt me, the less that I cry and every time you leave me, the quicker these tears dry… And every time you walk out, the less I love you. Baby, we don’t stand chance, it’s sad but it’s true I’m way too good at goodbye”

 

Estou indo embora sem pedir explicações, tampouco irei justificar meu ato. Estou fechando a porta e deixando a chave embaixo do seu carpete bordô. Você não fez nada, errado. Embora eu tenha passado as últimas 72 horas chorando. Era para você borrar meu batom, não a minha máscara de cílios que comprei na última blackfriday.

Estou indo embora, antes que eu não tenha coragem, indo sem olhar para trás. Estamos no começo de algo, e eu não sei se posso chamar de início, mas em todo caso, já passei noites em claro por você, e tive que usar óculos em dias nublados para disfarçar as olheiras; olheiras de olhos cansados, não de olhos acessos como deveria ser.

Estamos assim, antes mesmo de nomear algo, imagina como isso pode acabar? Começos foram inventados para serem leves, com muito Delivery, pouca louça e principalmente: pouca roupa.
Você me deixa assim, sem motivação por pequenos atos falhos, não quero esperar para ver o que isso pode se tornar caso oficializado for. Eu posso insistir. Permanecer por mais duas noites, acabar chorando a cada 15 dias, ou eu posso seguir.

Entenda que ir embora nada tem a ver com você, mas sim em não estar disposta a sofrer por algo que não é nada, ou alguém que não fez nada para eu justificar a tristeza infinita. Eu já me vi no mesmo prólogo anteriormente. Já falei outra vez que as situações se repetem, só mudam os protagonistas? Dessa vez o enredo foi diferente, e eu não vou esperar o final. Eu mesma colocarei o fim nisso, para não chegar ao meu fim, como já é de se esperar de pessoas que sentem demais, absorvem demais. Pessoas que acham que sofrer como uma protagonista de novela mexicana, algo corriqueiro para dias monótonos.

Era para ser leve, era para ter risada, café na cama, e nossos corpos entrelaçados, porém as nossas mãos nunca ficaram entrelaçadas. Não houve tempo para isso, pensando bem… Existiu um momento,  naquela madrugada; eu, meu salto e 3 garrafas de vinho, precisava de mais duas mãos, eu precisava de um apoio pra encarar aquela rua que tivemos que atravessar meio correndo, com a urgência de fugir do frio, da chuva e a pressa  que eu tinha de pertencer à você aquela noite.

Talvez você estava procurando algum detalhe para se segurar, o esmorecimento é que minha mão não foi escolhida para isso. Nós não podemos ser amigos, uma vez que isso nunca nos definiu, mas seremos cordiais em encontros casuais. Talvez eu tenha esperado demais, imaginado demais, e talvez só não era para ser. Aliás, até foi, foi o que tinha que ser. Até onde foi, foi bom. Foi bom não foi? Fala alguma coisa. Já me falaram que eu era neurótica, já me falaram que eu doida. Até posso ser neurótica, até posso ser um pouco doida, mas jamais esses dois despautérios  na mesma frase. Talvez eu esteja protelando a data de validade, da mesma forma que insisto em comer sachês de mostarda que venceram  mais de anos atrás. Analisando estas linhas, agradeço por ter sido, ficou a nova experiência, e um pouco de vontade de ter mais, mas que bom que foi até aqui. Até porque dois corpos entrelaçados só ficam bonitos em poesia, o quão cafona poderíamos ser? Já não basta a sua camisa esquisita e a minha mania de deixar os ombros à mostra mesmo não sendo algo aceitável na tabela Pantone de blusas da estação? Perdão o trocadilho tosco, uma vez acreditei que tinha um humor estranho tanto quanto o meu, perdão por citar moda nesse texto, mas sabe o quanto considero anedótico citar em meio de conversas, que em outrora fui colunista de moda não é mesmo? Aliás, quem sabe eu volte a escrever sobre isso.

Para a próxima estação está vetado usar pessoas, camisas esquisitas e ombro à  mostra em demasia.  Mentira, só pessoas. Pessoas e ombros em demasia…

Quer saber? Deixa para lá.

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