Contos e Crônicas Grazi

(Nós)sos nós

Tô com saudade de você.
De nós,
Dos nossos nós.

Do amassar do lençol,
Revirando a noite,
Falando da gente.

Da sua camisa sobre minha pele nua,
Depois de arrancar meu vestido longo,
Aquele que você dizia ser de moça comportada,
Que não condiz em nada comigo.

Sinto falta das risadas,
De culpar os corretores do mundo,
Das bagunças que nos metemos.

Mas sabe o que mais faz falta?
O cheiro exalando dos seus poros.
Aquele mar de marijuana com cerveja sem marca,
Sua incoerência mais coerente do mundo.

Eu amava dormir,
Mas por você eu ficava acordada com prazer,
Até cancelava o rolê, só pra te ouvir.

Por isso eu sinto saudades.
Saudade das nossas insônias,
Aquelas que se complementavam,
Que nos construía.

Sinto falta de te amar.
Sinto falta de um motivo pra te odiar.
Sinto falta de não querer você.
Sinto falta até da bagunça que você causou aqui dentro.

Mas o pior de tudo,
É o que você nunca conseguiu arrumar.

As vezes eu queria me zerar,
Começar do zero,
Bem redundante mesmo,
Mas com as marcas tão profundas que você fez em meu ser, é impossível fingir que você nunca esteve aqui.

E eu nem quero fingir.
No fim, minha bagunça de você é o que me orienta,
É meu norte,
É tudo aquilo que eu não vou desistir.

Ainda vai haver nós em nossas cabeças
Que transformaremos em (nós)sos corações
E converteremos em nós dos (nós)sos corpos entrelaçados.

 

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