Diário de uma depressiva Grazi

Diário de uma Depressiva 09: analisando psicólogas

 

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29 de Jan 2018

Exatamente 10 dias após o último diário, voltamos com a programação.
E que programação, meus amigos!
Na sexta, quando escrevi aquele diário, eu estava cheia de emoções conflitantes (jura, linda?), mas mal sabia eu que a tempestade que me rondava, se tornaria calmaria logo em seguida. No sábado, dia 20, fui à praia, meio a contragosto, mas como o dia estava muito quente e, neste verão, eu queria ser a nova morena do Tchan, fui, nem que fosse para ficar umas duas horas, como sempre faço. Mal sabia eu que ficaria até quase às 20h!!!! Aqui no Rio, 20 de Jan é feriado, mas a praia não estava cheia. O sol estava quente, mas não queimando a pele. O mar de Ipanema estava calmo, pela primeira vez, de todas as vezes em que fui àquela praia. Me cansei tanto com o esquema areia-mar, que no domingo, não tive forças para nenhum rolê. E foi aí que o que eu achei que seria uma boa semana, acabou comigo nos primeiros dias.

Eu sentia tanta dor por causa da compressão do ciático, que não conseguia nem viver direito.
Continuei indo para a fisioterapia todos os dias, mas eu comecei a sentir que não importava todos os tratamentos que eu fazia, porque nada conseguia tirar aquela dor que me incapacitava, inclusive e, principalmente, psicologicamente. Eu tenho um histórico de acumular as minhas dores. Por exemplo, se algum aspecto da minha vida (como meu tratamento) não anda conforme o esperado, aquilo acaba com meu dia, minha semana ou meu mês. Junte isso às sessões de massagens que mais parecem tortura (sério, minha bunda está roxa; valeu, Fabrícia!), a acupunturista que não era o profissional eu gosto (porra, Diego, me largou na mão!) e no fim do dia de três quatro procedimentos, antes de sair da clínica, tomei remédio para dor, porque nada tinha feito efeito algum no meu corpo. Claro, sem contar que a aquela segunda o ônibus estava lotado e eu quase morri em pé durante o trajeto de uma hora.

Nos dias seguintes, pensei até em fazer cirurgia.
Nada do que eu fizesse na clínica aliviava a dor e pra ficar mais legal, eu tomei uma puta queda em casa.
Naqueles dias, eu só queria sumir. Não conseguia me alimentar direito (estava fazendo apenas duas refeições: café da manhã e lanche à noite), não conseguia dormir; acho que meus remédios já não estão mais fazendo o efeito do primeiro mês e estou começando a ficar desesperada e ansiosa, o que só atrapalha ainda mais no meu processo do sono. Tenho feito doce de leite ninho às duas da manhã (adicionando vícios à minha vida já bem descomplicada, não é mesmo?) e assistindo Friends até às três.

Mas ao fim dessa semana infernal, algumas coisas se resolveram.
As mãos da Fabrícia, apesar de pesadas, conseguiram descomprimir bastante o músculo que estava comprimindo o ciático, o Diego voltou a me atender e suas agulhas foram para os lugares certos na hora certa (gente, acupuntura é mágico, sério! quem puder, faça!).

Nessa mesma longa semana, na quinta, tive uma sessão com uma psicóloga para avaliá-la e gostei bastante dela, mas senti que ela seria mais uma amiga. Não senti muita firmeza. Mas uma coisa que ela disse me chocou e me fez chorar: ela pediu para que eu cortasse contato com meu agressor e ela usou essa palavra pesada para se referir aos traumas que possuo referentes a alguém da minha família. Por mais que eu soubesse disso, essa palavra foi muito pesada. Ela quis que eu cortasse laços temporariamente. E isso dói.

A segunda psicóloga em que fui, na sexta, foi mais dura comigo.
Ela disse “desde que você sentou aqui, você tem falado da sua família, da sua cidade. mas e você? onde você se encaixa na sua própria história?” Pasmem: eu não soube responder. Me lembro de ter dito que eu era um amontoado de confusões quando ela disse que eu dizia que estava fazendo algo, mas que, na verdade, queria o oposto. Que eu não queria esquecer o mal que meu “agressor” (e ela não usou essa palavra), mas que eu queria perdoá-lo, que ele era grande parte de mim e eu me importava muito com a opinião dele sobre mim. Por mais dura que ela tenha sido comigo, é com ela que eu decidi prosseguir as sessões de psicanálise. Um longo caminho pela frente

Este último fim de semana eu passei de molho, sem grandes atividades, para não mexer na melhora que tive ao fim da semana. E resolvi mais coisas dentro de mim, que no último diário estavam muito bagunçadas. Agora preciso, mais do que nunca, reparar os danos que causei e me perdoar das culpas que me coloquei.

Tudo o que relatei aqui, parece, hoje, visto de longe, tão bobo e superficial, mas eu queria que você, ao ler esse desabafo, não minimizasse a minha dor, ou a de quem quer que seja. Para alguns vai parecer apenas um rio seguindo o seu curso normal, mas para mim, ou qualquer pessoa com depressão, é um tsunami invadindo nossas vidas e nos paralisando. Não é preguiça, não é falta de Deus, não é má vontade, é uma doençaDepressão é uma doença! E o mais rápido que você aprender isso, mais pessoas, talvez, você conseguirá tocar, aliviar, ou até mesmo, salvar.

Grazielle.

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