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Bruna Borges

Contos e Crônicas

Cessação do Exórdio

 

“Cause every time you hurt me, the less that I cry and every time you leave me, the quicker these tears dry… And every time you walk out, the less I love you. Baby, we don’t stand chance, it’s sad but it’s true I’m way too good at goodbye”

 

Estou indo embora sem pedir explicações, tampouco irei justificar meu ato. Estou fechando a porta e deixando a chave embaixo do seu carpete bordô. Você não fez nada, errado. Embora eu tenha passado as últimas 72 horas chorando. Era para você borrar meu batom, não a minha máscara de cílios que comprei na última blackfriday. Continue Reading

Superação

Gosto amargo de vazios completos

“Watching the days burning out like a cigarette, just a few drags to go”

Eu mudei minha rota por você. Abandonei velhos amigos, decorrente da insistência dos mesmos em apontar seus defeitos. Eu fazia caminhos mais longos para aproveitar sua companhia, conhecia desvios pela cidade para poder ficar com você. Fiz amigos novos, pois tínhamos você em comum, poderíamos falar do quanto sua presença nos fazia bem, contar detalhes vivenciados com você; caso alguém por descuido apontasse alguma falha sua, desviávamos o assunto, e simulávamos que nada havia acontecido. Continue Reading

Contos e Crônicas Superação

Até Logo e Muito Obrigada

“Honestly I wanna see you be brave with what you want to say”

Vai! Vai sem medo, arrisque-se no desconhecido e liberta-se das amarras, e expectativas que os outros resolveram criar para você, eles não tiveram o cuidado e a delicadeza de perguntar à você sobre suas reais intenções sobre o SEU futuro. Não é tarde, você não está velha, e não foi perca de tempo. Absorve tudo como aprendizado e vivências. Agradece pelo tempo, e nunca fale que ele foi perdido, Renato outrora cantarolou por aí que temos todo o tempo do mundo. Continue Reading

Contos e Crônicas Superação

PREPARA UM CAFÉ

“A thousand lies have made me colder and I don’t think I can look at this the same, but all the miles that separate. They disappear now when I’m dreaming of your face…”

Boa tarde, começo esse texto sem pretensão alguma de chegar a você, mas caso esteja lendo estas linhas bem alinhadas e justificadas, trate de alinhar sua coluna onde esteja. Espero que minhas ações sejam justificadas após a leitura destas palavras. Eu preconizo-o a preparar um café fumegante, as palavras não vão fugir daqui, ao contrário de quem vos escreve, aquela que dispersa palavras e gestos, mesmo quando tudo parece fluir e o aconchego é aprazível. Espero que a água esteja quente, e o cheirinho do café invada seu corpo todo. Eu sei que você gosta. Talvez sua garganta resseque, e você me agradeça por ter sugerido o preparo desta iguaria que tanto amamos.

Bom, eu já fui magoada, talvez esta afirmação não lhe cause espanto, estamos sujeitos a caminhos tortuosos, mas eu fui machucada, deixada com o coração em frangalhos, sem vontade de conhecer alguém; pelo menos até aqui. Eu construí fantasias e castelos, assisti o derrocamento deles, estava tão perto das ruínas, que estilhaços machucaram o meu corpo, chegaram a adentrar a alma. Cicatrizes tão difíceis de serem vislumbradas, mas que atormentam diariamente meu ser. Eles desmoronaram como castelos de areia, aqueles que a gente faz na praia, com a esperança de ficar por ali, mesmo com a convicção que as ondas irão levar todo o esforço de uma tarde de verão.

Uma miscelânea de sentimentos e vontades. Acreditei em promessas vazias e apressadas, pois tinha urgência, talvez uma doce inocência em acreditar nas pessoas. As pessoas mudaram, as histórias receberam floreios, mas o final era sempre o mesmo: Acabava entre eu mesma, um caderno usado, uma caneca de chá e vários lenços de papel pelo chão. Você não tem culpa de eu ter depositado minhas expectativas em pessoas erradas, mas não queira minha total confiança. Talvez você seja mais do mesmo, mas talvez (e eu espero que seja assim), você me mostre que ainda há esperança.

Somos diferentes, embora eu seja apaixonada pela física e tenha estudado detalhadamente a Lei de Coulomb, peço licença poética a Charles Augustin, para falar que os opostos se distraem. Vamos lá! Somos mais um clichê barato de tudo que já foi visto, falado e ouvido. Você mora longe, meu gosto musical é duvidoso, você é calmo e detentor de uma paciência admirável por mim. Eu falo alto, perco a cabeça, a razão, as chaves do carro, e os argumentos em uma discussão. Você não gosta de mocinhas como eu. Mocinhas como eu, que preferem andar com os pés descalços, que comem petiscos com a mão, que nem sempre sentam com as pernas cruzadas, mocinhas que possuem um dialeto que faria minha professora de português do fundamental chorar de desgosto, mas mesmo assim, você teve curiosidade de descobrir o que eu escondo; atrás de uma franja jogada para o lado e três camadas de máscara para cílios.

Eu esbarrei em você em um sábado, eu sempre achei que iria conhecer pessoas interessantes em uma livraria, ou correndo pelo parque domingo de manhã, mas era um sábado à noite, e o ambiente não tinha a melhor iluminação ou som ambiente. Perdoa minha inconstância, minha voz gritada, minha urgência em te encontrar, faz-me acreditar em ti por um final de semana, ou um feriado prolongado. Eu não estou procurando casamento, ou alguém para provar que a vida a dois pode ser interessante. Eu realmente me basto, mas você pode acrescentar tanto na minha essência.  Eu só desejo que quando estivermos juntos sejamos apenas nós. Sem meu passado e sem promessas futuras. Vamos viver o momento, matar a vontade e a saudade. Vamos viver o hoje, colocar à prova as leis da física, vamos deixar Newton pra lá e jurar que dois corpos podem sim ocupar o mesmo espaço no mesmo momento.

Contos e Crônicas Séries/Filmes

Feliz Dia da Independência das Filipinas

“But keep the change cuz I’ve got enough a little time and some tenderness. You’ll never buy my love…”

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Toda segunda-feira acordo cansada. Cansada pelo final de semana intenso, cansada pela noite mal dormida, pensando em todas as tarefas que tenho de exercer durante a semana e principalmente cansada de tantas promessas mortificadas e enterradas quando o dia amanhece. Eu ignoro o despertador; uma, duas, três vezes. Ignoro a dor de cabeça, meu estômago gritando, meu ego ferido e uma mancha de café no meu pijama novo. Eu consigo levantar da cama, colocar um cachecol que esconde a mancha, um casaco sobre a roupa que dormi. Escovo os dentes com a mão direita, enquanto a esquerda prende meus cabelos em um coque bagunçado; aliás, obrigada Pinterest por glamourizar meu penteado habitual. Eu poderia acordar mais cedo, prestar atenção no primeiro som que o despertador faz, poderia escolher minha roupa na noite anterior, deixar os pijamas apenas para dormir, comprar um Vanish, preparar um café e algumas torradas para mim mesma, a fim de amenizar a dor no estômago, mas vou levando. Apertando o botão do elevador 17 vezes em um tentativa frustrada de ele vir mais rápido, ignorando a luz vermelha do combustível, porquê eu nunca tenho tempo de abastecer antes do primeiro turno.

Uma segunda despretensiosa e medíocre, como qualquer outra, ou como qualquer dia da minha vida nos últimos meses. Seria uma segunda corriqueira, até eu notar meu feed repleto de corações e declarações, fotos com sorrisos sinceros, outros desesperados posando para um teatro ridículo, mãos entrelaçadas, frases de Clarice, músicas do Cicero, letras do Jorge e Matheus e mais corações, rosas, vermelhos, multicoloridos. Eu poderia vomitar ali mesmo, no teclado do computador, na frente da minha chefe e dos meus colegas que já me julgam mal e provavelmente culpariam minhas doses de destilado do final de semana. Neste momento, eu quase agradeço por estar de estômago vazio e economizar uma vergonha neste fatídico dia.

O gosto amargo na boca volta. Um ano que esta data não representa algo bom para mim, apenas mais um dia em que grito DESESPERADA, tratar-se de uma invenção capitalista, afirmo não passar o dia da árvore abraçada em uma, afirmo para mim mesma que irei economizar em presente. Posto imagens alertando os apaixonados a não fazerem parcelas do presente mais longas que o relacionamento, mas no fim resume-se á uma necessidade de querer estar com alguém, dividir um cobertor, um café, um litrão barato no barzinho da esquina ou um vinho importado. Suplico ao destino por uma explicação de estar sozinha, e por não despertar aquela vontade de ficar nas pessoas. Passei da fase de culpar meu cabelo, minha voz, meu corpo. Aceitei que não sou apaixonável.

O relógio se arrasta tal qual eu mesma durante o dia. Troco o almoço por uma porção de fritas, para lembrar ao meu estômago que eu que mando. Arrependo-me em seguida, finjo não estar acontecendo nada e torno a exacerbar minhas escolhas. Reflito em como era infeliz em relacionamentos forçados, em como desisto das pessoas nos primeiros vacilos, em como aprendi a valorizar minha própria companhia, e em como (mesmo com a ressaca arrebatadora) sou feliz nas segundas-embora exausta-. Estou solteira, mas não necessariamente sozinha. Tenho minhas amigas, tenho vinho, tenho a liberdade de ir para qualquer lugar, tenho amor próprio; e isso depois dos meus últimos relacionamentos é o maior presente que poderia dar a mim mesma. Vou para casa, abasteço o carro, passo no shopping e escolho algo para me presentear. Eu mereço um mimo por aguentar minha inconstância diariamente. Compro o tira manchas, frutas, torradas prontas, abasteço o estoque de remédio para dor de estômago, o antiácido, compro barras de chocolate, uma massa importada e os ingredientes para fazer um molho especial.

Assisto de longe casais passando felizes, e então respiro aliviada por também estar assim; FELIZ. Não ter alguém para compartilhar as dores do dia, chega ser ofensivo com as minhas amigas que estão sempre juntas para me apoiar, ajudar a segurar a barra e o cabelo quando necessário. Eu não tenho dores de cabeça por brigas mesquinhas, as de ressaca resolvem-se facilmente com uma aspirina, não tenho preocupações além das que eu mesma crio. Tenho ciência que meus antigos relacionamentos foram conturbados, então talvez eu só não encontrei a pessoa certa, mas por enquanto eu realmente me basto. Eu comprei um pijama novo livre de manchas, eu vou preparar o melhor jantar para a melhor pessoa, escolher uma maratona de filmes, e fazer uma panela de brigadeiro. Porquê eu mereço o melhor de mim, aguento minhas falhas e adversidades, corrijo meus defeitos de forma branda. Mereço aproveitar a melhor parte de mim mesma. A minha receita de molho de tomate  e a torta de limão são uma dessas vantagens de se conviver comigo.

Nota da autora: Indico para as enamoradas por si mesma uma maratona contendo Breakfast at tiffany’s,  Mean Girls e 13 Going on 30. A receita do molho é real, mas poucos são dignos desta iguaria. <3