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Bruna Borges

Superação

Gosto amargo de vazios completos

“Watching the days burning out like a cigarette, just a few drags to go”

Eu mudei minha rota por você. Abandonei velhos amigos, decorrente da insistência dos mesmos em apontar seus defeitos. Eu fazia caminhos mais longos para aproveitar sua companhia, conhecia desvios pela cidade para poder ficar com você. Fiz amigos novos, pois tínhamos você em comum, poderíamos falar do quanto sua presença nos fazia bem, contar detalhes vivenciados com você; caso alguém por descuido apontasse alguma falha sua, desviávamos o assunto, e simulávamos que nada havia acontecido. Continue Reading

Contos e Crônicas Superação

Até Logo e Muito Obrigada

“Honestly I wanna see you be brave with what you want to say”

Vai! Vai sem medo, arrisque-se no desconhecido e liberta-se das amarras, e expectativas que os outros resolveram criar para você, eles não tiveram o cuidado e a delicadeza de perguntar à você sobre suas reais intenções sobre o SEU futuro. Não é tarde, você não está velha, e não foi perca de tempo. Absorve tudo como aprendizado e vivências. Agradece pelo tempo, e nunca fale que ele foi perdido, Renato outrora cantarolou por aí que temos todo o tempo do mundo. Continue Reading

Contos e Crônicas Superação

PREPARA UM CAFÉ

“A thousand lies have made me colder and I don’t think I can look at this the same, but all the miles that separate. They disappear now when I’m dreaming of your face…”

Boa tarde, começo esse texto sem pretensão alguma de chegar a você, mas caso esteja lendo estas linhas bem alinhadas e justificadas, trate de alinhar sua coluna onde esteja. Espero que minhas ações sejam justificadas após a leitura destas palavras. Eu preconizo-o a preparar um café fumegante, as palavras não vão fugir daqui, ao contrário de quem vos escreve, aquela que dispersa palavras e gestos, mesmo quando tudo parece fluir e o aconchego é aprazível. Espero que a água esteja quente, e o cheirinho do café invada seu corpo todo. Eu sei que você gosta. Talvez sua garganta resseque, e você me agradeça por ter sugerido o preparo desta iguaria que tanto amamos.

Bom, eu já fui magoada, talvez esta afirmação não lhe cause espanto, estamos sujeitos a caminhos tortuosos, mas eu fui machucada, deixada com o coração em frangalhos, sem vontade de conhecer alguém; pelo menos até aqui. Eu construí fantasias e castelos, assisti o derrocamento deles, estava tão perto das ruínas, que estilhaços machucaram o meu corpo, chegaram a adentrar a alma. Cicatrizes tão difíceis de serem vislumbradas, mas que atormentam diariamente meu ser. Eles desmoronaram como castelos de areia, aqueles que a gente faz na praia, com a esperança de ficar por ali, mesmo com a convicção que as ondas irão levar todo o esforço de uma tarde de verão.

Uma miscelânea de sentimentos e vontades. Acreditei em promessas vazias e apressadas, pois tinha urgência, talvez uma doce inocência em acreditar nas pessoas. As pessoas mudaram, as histórias receberam floreios, mas o final era sempre o mesmo: Acabava entre eu mesma, um caderno usado, uma caneca de chá e vários lenços de papel pelo chão. Você não tem culpa de eu ter depositado minhas expectativas em pessoas erradas, mas não queira minha total confiança. Talvez você seja mais do mesmo, mas talvez (e eu espero que seja assim), você me mostre que ainda há esperança.

Somos diferentes, embora eu seja apaixonada pela física e tenha estudado detalhadamente a Lei de Coulomb, peço licença poética a Charles Augustin, para falar que os opostos se distraem. Vamos lá! Somos mais um clichê barato de tudo que já foi visto, falado e ouvido. Você mora longe, meu gosto musical é duvidoso, você é calmo e detentor de uma paciência admirável por mim. Eu falo alto, perco a cabeça, a razão, as chaves do carro, e os argumentos em uma discussão. Você não gosta de mocinhas como eu. Mocinhas como eu, que preferem andar com os pés descalços, que comem petiscos com a mão, que nem sempre sentam com as pernas cruzadas, mocinhas que possuem um dialeto que faria minha professora de português do fundamental chorar de desgosto, mas mesmo assim, você teve curiosidade de descobrir o que eu escondo; atrás de uma franja jogada para o lado e três camadas de máscara para cílios.

Eu esbarrei em você em um sábado, eu sempre achei que iria conhecer pessoas interessantes em uma livraria, ou correndo pelo parque domingo de manhã, mas era um sábado à noite, e o ambiente não tinha a melhor iluminação ou som ambiente. Perdoa minha inconstância, minha voz gritada, minha urgência em te encontrar, faz-me acreditar em ti por um final de semana, ou um feriado prolongado. Eu não estou procurando casamento, ou alguém para provar que a vida a dois pode ser interessante. Eu realmente me basto, mas você pode acrescentar tanto na minha essência.  Eu só desejo que quando estivermos juntos sejamos apenas nós. Sem meu passado e sem promessas futuras. Vamos viver o momento, matar a vontade e a saudade. Vamos viver o hoje, colocar à prova as leis da física, vamos deixar Newton pra lá e jurar que dois corpos podem sim ocupar o mesmo espaço no mesmo momento.

Contos e Crônicas Séries/Filmes

Feliz Dia da Independência das Filipinas

“But keep the change cuz I’ve got enough a little time and some tenderness. You’ll never buy my love…”

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Toda segunda-feira acordo cansada. Cansada pelo final de semana intenso, cansada pela noite mal dormida, pensando em todas as tarefas que tenho de exercer durante a semana e principalmente cansada de tantas promessas mortificadas e enterradas quando o dia amanhece. Eu ignoro o despertador; uma, duas, três vezes. Ignoro a dor de cabeça, meu estômago gritando, meu ego ferido e uma mancha de café no meu pijama novo. Eu consigo levantar da cama, colocar um cachecol que esconde a mancha, um casaco sobre a roupa que dormi. Escovo os dentes com a mão direita, enquanto a esquerda prende meus cabelos em um coque bagunçado; aliás, obrigada Pinterest por glamourizar meu penteado habitual. Eu poderia acordar mais cedo, prestar atenção no primeiro som que o despertador faz, poderia escolher minha roupa na noite anterior, deixar os pijamas apenas para dormir, comprar um Vanish, preparar um café e algumas torradas para mim mesma, a fim de amenizar a dor no estômago, mas vou levando. Apertando o botão do elevador 17 vezes em um tentativa frustrada de ele vir mais rápido, ignorando a luz vermelha do combustível, porquê eu nunca tenho tempo de abastecer antes do primeiro turno.

Uma segunda despretensiosa e medíocre, como qualquer outra, ou como qualquer dia da minha vida nos últimos meses. Seria uma segunda corriqueira, até eu notar meu feed repleto de corações e declarações, fotos com sorrisos sinceros, outros desesperados posando para um teatro ridículo, mãos entrelaçadas, frases de Clarice, músicas do Cicero, letras do Jorge e Matheus e mais corações, rosas, vermelhos, multicoloridos. Eu poderia vomitar ali mesmo, no teclado do computador, na frente da minha chefe e dos meus colegas que já me julgam mal e provavelmente culpariam minhas doses de destilado do final de semana. Neste momento, eu quase agradeço por estar de estômago vazio e economizar uma vergonha neste fatídico dia.

O gosto amargo na boca volta. Um ano que esta data não representa algo bom para mim, apenas mais um dia em que grito DESESPERADA, tratar-se de uma invenção capitalista, afirmo não passar o dia da árvore abraçada em uma, afirmo para mim mesma que irei economizar em presente. Posto imagens alertando os apaixonados a não fazerem parcelas do presente mais longas que o relacionamento, mas no fim resume-se á uma necessidade de querer estar com alguém, dividir um cobertor, um café, um litrão barato no barzinho da esquina ou um vinho importado. Suplico ao destino por uma explicação de estar sozinha, e por não despertar aquela vontade de ficar nas pessoas. Passei da fase de culpar meu cabelo, minha voz, meu corpo. Aceitei que não sou apaixonável.

O relógio se arrasta tal qual eu mesma durante o dia. Troco o almoço por uma porção de fritas, para lembrar ao meu estômago que eu que mando. Arrependo-me em seguida, finjo não estar acontecendo nada e torno a exacerbar minhas escolhas. Reflito em como era infeliz em relacionamentos forçados, em como desisto das pessoas nos primeiros vacilos, em como aprendi a valorizar minha própria companhia, e em como (mesmo com a ressaca arrebatadora) sou feliz nas segundas-embora exausta-. Estou solteira, mas não necessariamente sozinha. Tenho minhas amigas, tenho vinho, tenho a liberdade de ir para qualquer lugar, tenho amor próprio; e isso depois dos meus últimos relacionamentos é o maior presente que poderia dar a mim mesma. Vou para casa, abasteço o carro, passo no shopping e escolho algo para me presentear. Eu mereço um mimo por aguentar minha inconstância diariamente. Compro o tira manchas, frutas, torradas prontas, abasteço o estoque de remédio para dor de estômago, o antiácido, compro barras de chocolate, uma massa importada e os ingredientes para fazer um molho especial.

Assisto de longe casais passando felizes, e então respiro aliviada por também estar assim; FELIZ. Não ter alguém para compartilhar as dores do dia, chega ser ofensivo com as minhas amigas que estão sempre juntas para me apoiar, ajudar a segurar a barra e o cabelo quando necessário. Eu não tenho dores de cabeça por brigas mesquinhas, as de ressaca resolvem-se facilmente com uma aspirina, não tenho preocupações além das que eu mesma crio. Tenho ciência que meus antigos relacionamentos foram conturbados, então talvez eu só não encontrei a pessoa certa, mas por enquanto eu realmente me basto. Eu comprei um pijama novo livre de manchas, eu vou preparar o melhor jantar para a melhor pessoa, escolher uma maratona de filmes, e fazer uma panela de brigadeiro. Porquê eu mereço o melhor de mim, aguento minhas falhas e adversidades, corrijo meus defeitos de forma branda. Mereço aproveitar a melhor parte de mim mesma. A minha receita de molho de tomate  e a torta de limão são uma dessas vantagens de se conviver comigo.

Nota da autora: Indico para as enamoradas por si mesma uma maratona contendo Breakfast at tiffany’s,  Mean Girls e 13 Going on 30. A receita do molho é real, mas poucos são dignos desta iguaria. <3

Contos e Crônicas Pensamentos Relacionamento

Almas cobertas e corpos desnudos

“Loving can hurt sometimes, but it’s the only thing that I know and when it gets hard. You know it can get hard sometimes it is the only thing that makes us feel alive…”

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Chega a ser bizarro ver duas pessoas que não sabem nada mais que o nome um do outro, desempenhando papeis tão íntimos, onde os protagonistas da situação deveriam, no mínimo, terem alcançado além do que os olhos são capazes de entenderem. Chega a ser ridículo, ver olhos pousados demoradamente sobre um corpo despido, enquanto a alma permanece coberta. É estranho estar nu, quando não se é capaz de despir a alma. Muito se lê sobre a ausência de conexões mentais, e a superficialidade das ligações físicas. Será que somos apenas mais um número destes clichês modernos?

Eu tenho pressa pelos seus beijos, quase fico calma quando pouso minha cabeça no seu peito, recebo um cafuné e fico rindo de alguma besteira por parcelas de segundo. A risada é verdadeira e o motivo dela faz sentido para nós. Perdão por juntar eu e você em um pronome único. Aquela conversa, um pouco mais aprofundada sobre um assunto qualquer causou um arrepio gostoso, eu quase acredito que é você, mas no meu íntimo algo me segura e fixa meus pés e todos os pensamentos românticos que um dia eu poderia ter. Eu fico trêmula quando você reveza sua mão direita entre o câmbio do carro e a minha coxa esquerda, para depois descer as escadas do seu prédio em silêncio, e torcer para não ser notada por ninguém. Dia ou outro sinto falta do convívio com alguém além de mim, pois no final de tudo eu continuo sozinha, e esse tipo de relacionamento superficial não me interessa, e nunca interessou.

A questão toda gira em torno de não querer estar com você, estar em um momento em que a minha presença basta, não tolero pequenos atos falhos, não preciso ocupar meus pensamentos com ninguém além de mim. Eu afirmo que não é egoísmo, é apenas o meu medo de deixar alguém entrar e ser molesto com superficialidades diferentes das minhas.  Eu sinto falta, eu tenho carências insolúveis, eu não tenho cartão ilimitado, eu não posso comer uma panela de brigadeiro e ligar para a minha mãe; chorando não parece uma solução sensata. A carência apresenta-se, o corpo reclama. Digito o seu nome, envio uma mensagem, sem pontuação, eu realmente tenho pressa de estar com você. Eu não quero ver o seu rosto quando eu acordo, mas estar sempre sozinha e acreditando que isto é uma opção, em determinadas épocas do mês fica notório que é solidão e quando passa, porque você bem sabe que passa, perde a graça, eu vejo que foi apenas pirraça e a palhaça fui eu.

É uma bipolaridade risível, quase chegar ser disparato usar termos médicos, para falar da minha falta do que fazer, e destes jogos de não saber o que quer, quando bem na verdade eu não sei nem ao menos o que não quero. Acordo com vontade de café na cama, e mãos entrelaçadas, mas quando lembro que vou acordar com a cara amassada e nos primeiros meses irei acordar minutos mais cedo, para escovar os dentes sem pasta de dente para você não desconfiar, escovar o cabelo antes de você abrir os olhos, eu sinto vontade de esquecer tudo e continuar com as juras de amor de 12 horas. Tento me convencer que isto basta.

Até que ponto não amar alguém com ideais românticos é algo bom? Não seria o amor que move o mundo?  Acreditar em alguém e esperar que os dias dessa pessoa sejam sublimes, ficar realizado com as vitórias de outra pessoa, ter alguém logo ali torcendo por ti e ajudando a enfrentar as adversidades da semana e de uma vida toda, aliás por que não uma vida inteira?