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Bruna Frotté

A saudade me fez escrever

Ei, lembra de mim? Sou eu, aquela garota que você costumava chamar a noite, no meio do trabalho, só pra dar umas risadas. Aquela que escutava suas piadas sem graça, mas ria mesmo assim. Talvez pelo efeito dessa atmosfera do amor que sua voz causava. Vai saber. Eu sou aquela que dormia e acordava pensando em você. Aquela que falava coisas sem sentido o tempo inteiro e agia feito boba perto de você. E, bem, você parecia gostar.

Sempre senti um medo danado de te perder de novo. Mas de alguma forma a segurança do seu abraço me fazia esquecer qualquer insegurança. Lembra dos nossos abraços? Eu odiava quando você acabava com eles. Gostava tanto de ficar ali, sentindo seu cheiro. Saudades. É isso.

Eu costumava dizer que você era a minha realidade. Que, finalmente, eu havia parado de me apaixonar por personagens criados pela minha imaginação e conhecido a beleza que é amar algo real. E isso me fazia dançar no meio da noite ouvindo uma música boba de comercial da Natura. Confesso que as vezes até me fazia chorar de felicidade. Sabia que eu nunca tinha chorado de felicidade? Acho que devo te agradecer por isso.

Nunca soube lidar com despedidas. Não vai ser fácil, ah, não vai mesmo. Você se tornou objeto de desejo de todos os meus pensamentos desde aquele dia em que nos conhecemos. Às vezes penso que tudo seria mais fácil se eu tivesse ficado em casa naquela sexta. Mas também acho que valeu a pena o aprendizado. Nunca mergulhar por inteiro. Conhecer melhor o terreno pra depois se apaixonar. Agora eu sei.

Sinto falta de saber da sua vida por você mesmo e não por fotos no Facebook. Dos seus gostos esquisitos. Sinto falta de quando você me procurava só pra saber como foi meu dia ou aquela saída chata do fim de semana. Sempre fingia ter me divertido muito, quando na verdade havia ignorado todos os caras chatos da boate e pensado em você até quando tocava um funk sem sentido.

Acho que o pior dos erros é acreditar cegamente em algo. Ter certeza. Certeza demais nunca foi bom. Eu tinha certeza de que você era diferente quando te olhava nos olhos e você largava aquele sorriso fofo. Ou quando você me dava a mão e beijava minha testa. Sei lá, sabe? Essas coisas que transmitem paz, segurança.
Você sempre foi meu porto seguro e agora não sei mais pra onde ir. Talvez seja melhor não ir a lugar algum. Caminhar sem suas mãos nas minhas é um tanto quanto difícil.

 

Pra me desintoxicar de você

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Vou parar. Parar de tentar, de sonhar, de imaginar. Quero sair desse abismo maluco em que você me jogou. Quero minha paz de volta, aquela que foi embora com a violência dessa paixão. Vou parar de lembrar dos seus beijos e dos seus sorrisos. Vou apagar da minha mente o som da sua voz. O aconchego do seu abraço. Vou apagar todo esse filme que a cada vez que rebobina me faz apaixonar mais uma vez.

Eu pensei, por um momento, que era recíproco. Eu sonhei. Eu me joguei. Eu caí. Me machuquei. Planejei viver num futuro quando eu já havia te perdido no presente. Mas sei que não aprendi.

Saudades de você. Sentimento chato que rodeia minha vida todos os dias. Sinto falta dos seus olhos perdidos em mim. E daquela sua blusa branca com uma estampa engraçada. Do seu cabelo desgrenhado e da sua barba mal feita. Fazer o que com todas essas lembranças?

As estações vão mudar, o sentimento vai se renovar. Eu vou fazer novas tatuagens, pintar meu cabelo. Você vai procurar algum outro lugar longe de mim pra morar. Feito arranhão, sua marca vai demorar a sair de mim. E eu vou chorar. Vou escutar nossa música, escrever e ver um filme triste. Eu vou deixar cicatrizar. Eu não vou arrancar a casquinha. Porque eu sei que se eu fizer isso, sua ferida nunca vai desaparecer.

Pra falar a verdade, eu já to cansada de escrever textos sobre essa história fracassada e trágica. Eu não aguento mais. Mas é a forma que dá pra te tirar de dentro de mim. Quero pegar teus vestígios e passar pro papel, quero tirar de mim. Eu não quero mais. 

Cansei de te ligar, de te escrever, de te desejar. Cansei de te idealizar, de te esperar. No fundo eu sei. Sei que aquele beijo nunca mais vai ser meu, que aquela viagem nunca vai acontecer e que hoje em dia você planeja isso com outra pessoa. 

Sei também que vou te esquecer algum dia. Que vai passar um tempo, minha pele vai se renovar e vai ser como se você nunca tivesse encostado nela um dia. Algum dia, não haverá mais nenhum vestígio seu em mim. E eu vou seguir meu caminho, pra me desintoxicar de você.

Você não era o amor da vida dele

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Acabou.

Eu sei, tá doendo. Mas, se me permite um conselho, deixa eu te dizer uma coisa? Você não era o amor da vida dele.

Antes que você pense, não, eu não tô com inveja do seu relacionamento. Eu quero te alertar, te ajudar. Prometo. Será que você deixa? Andei observando algumas coisas durante esses meses.

Posso te dizer, com certeza, que não era por ti que os olhos dele brilhavam. Ou que seu sorriso surgia involuntariamente. Ele não associava músicas românticas a você. Ele podia te dar uns beijos e abraços, mas não era pensando em você que ele ia dormir a noite. Ou acordar de manhã. Você era, pra ele, muito pouco do que merecia ser para qualquer pessoa.

Não que ele não gostasse de ti. Ele gostava. Mas gostar a gente gosta até de um primo distante. Amor é outro papo.

Eu sei que você não se contenta com pouco. Ninguém deveria se contentar. Então porque se prender a relacionamentos vazios? Amor é uma via de sorriso duplo. Não único. São dois.

Por você, ele não se forçava a nada. Nem mesmo a ir na padaria da esquina, depois de uma semana sem te ver, pra te encontrar. E nem era por maldade, sabe? É só que você não era a famosa metade da laranja, a alma gêmea. Talvez ele nem acredite nisso. Talvez ele ache uma tremenda bobagem. Talvez ele tenha se acomodado. Mas viver acomodado não é viver, meu bem. É só existir.

Você pensava nele a cada milésimo de segundo. Até na fila do banco. Nas músicas de amor que tocam na rádio a caminho do trabalho. Vendo um casal de senhores na rua e imaginando vocês dois daqui a trinta anos. Você se sentia sortuda por ter alguém como ele. Ele não se importava, né? Mas você sim.

Mas quer saber? Estar com alguém que não quer estar com você é o mesmo que estar sozinha. É como beijar um fantasma, é como interpretar um papel de figurante na história de uma pessoa. Ninguém merece isso, não é mesmo? Eu sei que um dia você vai concordar comigo. Eu sei que um dia você vai trancar teu coração com senha. E a senha só vai saber quem te merecer por inteira.