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Mariane Schiming

Contos e Crônicas

Quando a balança do amor pesa mais de um lado

A gente sempre acha que é meio clichê quando as pessoas dizem que tropeçamos no amor pelo caminho. Ironicamente, eu tropecei. Ou melhor, eu choquei contra aquele homem de uns 1,80 de altura, cabelos castanhos e um sorriso contagiante, enquanto andava com a cabeça baixa, mudando a música no spotify. Continue Reading

Contos e Crônicas

Moço, se entregar não dói

 

Moço, o amor em algum momento irá te quebrar. Tu irás olha-lo como o maior vilão do mundo. Irás trancar a porta do teu coração a sete chaves e fingirás que não sentes mais nada. E quando sentires que ele está se aproximando, darás vários passos para trás, entrando na tua bolha protetora. Continue Reading

Contos e Crônicas

O que te mantém vivo?

Leia esse texto ao som de Last Hope

 

No meio dessa loucura chamada vida, nós, jovens, sabemos muito bem o que é perder as estribeiras de vez em sempre. Sabemos o que é sentir aquela tremedeira em baixo dos nossos pés. 

Ficar em pé enquanto o ônibus faz uma curva vira fichinha perto disso.

 

Certa vez, em uma aula de filosofia no ensino médio, minha professora disse “para Marx, a religião é o ópio do povo”.
Para quem não sabe, ópio é uma bebida alucinógena, assim como todas outras bebidas, seu significado para as pessoas é a fuga da realidade. Ou seja, para sobreviver a esse mundo, eles fugiam em direção a religião.

 Será que em tempos atuais isso permanece?

 

Não estou dizendo que as pessoas não veem proteção na religião ou que não existe, longe disso. Estou tentando dizer que com o passar dos tempos as pessoas foram achando novos ópios. Músicas, filmes, livros.

Ou vai me dizer que você nunca colocou o fone de ouvido, ligou aquela música que te faz sair um pouco da rotina, no volume mais alto? Isso é o seu ópio. É o que te faz continuar. É ouvindo aquelas palavras de motivação entre uma música e outra. Acredite, funciona. 

 

Estudos revelaram que quando ouvimos música, uma substância em nosso cérebro libera o sentimento de prazer, também combatendo várias doenças. Já pararam pra pensar quantas vidas a música salvou e continua salvando?

O mesmo acontece com livros e filmes. Se você reparar bem, as pessoas escolhem os livros conforme o que querem sentir na fase da sua vida. Um amor que pode ou não acontecer, aquela carreira estável, a busca por seus sonhos e a realização do mesmo. Isso dá forças para que possamos continuar.

 

Ou um hobbie que você está lutando para virar profissão: pintar; desenhar; fotografar; se torna um ópio. Eu mesma nem sei contar quantas vezes eu peguei uma câmera na mão e no exato instante senti a leveza nos ombros. Senti que a vida valia a pena.

 

Somos cobrados constantemente e em meio a tanta cobrança, colocamo-nos em jogo. Pensamos trilhões de vezes em jogar tudo para o alto por acharmos que não somos suficientemente bons no que escolhemos, não  somos capazes de ser amados, que precisamos estar na carreira que escolhemos já aos 20 anos, enquanto a sociedade vai alimentando esses medos dentro de cada um de nós.

 

Estamos cansados de sermos nocauteados pela vida. Todo o dia. A todo segundo. 

 

Entre os meus vários devaneios ao logo do dia, não consigo parar de pensar se aguentaríamos toda essa pressão sem essas escapadinhas para longe da realidade fria e dura. Cronometramos todos os nossos passos, fazemos listinha do que seguir ao longo do dia. E se não cumprimos todos os passos, nos sentimos mal. Quantas vezes até o seu lazer já foi cronometrado?

 

Hoje mesmo eu me vi criando mentalmente uma essa maldita lista de coisas que deveria fazer, e no fim, acabei ficando deitada na cama vendo séries. Isso pode parecer normal, você pode estar pensando “era seu tempinho de lazer”, mas me senti mal. Me senti mal porque a minha rotina impôs que eu preciso aproveitar esse tempo pra fazer coisas na área que eu quero seguir (já que ainda não estou nela). Me senti mal porque lá na frente eu vou pensar “compensou eu ter perdido tempo me distanciado da vida lá fora?”

 

E é ai que precisamos pensar, e se esse momento é o que eu precisava para recarregar as energias e aguentar mais uma semana fazendo o que eu não gosto, para continuar bancando meus estudos e ser alguém lá na frente?

 

Depois de muito questionamento nesse texto, segue a dica:

Segurar a barra sozinho nem sempre é fácil e acabamos usando desses meios para não enlouquecer. 

E que a verdade seja dita: Ninguém sobrevive a esse mundo sem algo para se segurar.

 

O que te mantém vivo enquanto o furacão se aproxima?

Pensamentos

Compensa ficar se machucando sempre pela mesma coisa?

Ultimamente ando refletindo bastante sobre em que ponto a gente transforma uma atração inocente em amor.

Comecei a ilustrar uma situação na cabeça. Tudo gira em torno de um ciclo vicioso sobre machucar e ser machucado. Não corresponder e não ser correspondido.

Depois de tanto socar a cara na parede, eu tenho o instinto de criar uma barreira para não me machucar novamente. Mas essa barreira não é tão forte quanto eu penso, ela só tá ali pra me dar umas luzes de sanidade quando a vontade de fazer uma loucura aparece. Ela é uma linha reta e tênue, que pode se arrebentar a qualquer movimento. Aquilo se torna o meu limite de proximidade. E tenho certeza que pra muitas pessoas é assim.

E em que momento ela arrebenta? Sabe a tal mania de criar expectativas? A partir dai estamos dando espaço para algo positivo ou não.

Estamos firmes e fortes acreditando ser algo passageiro e vida que segue. Só que nós somos serem humanos preparados pra crer naquela pontinha de esperança, na luz que se encontra no fim do túnel. Não que isso seja ruim. Pelo menos até certo ponto.

Em algum momento uma coisinha minúscula começa a cutucar o seu limite, talvez um motivo tão bobo a ponto de você deixar pra lá. Aquela coisinha pequena continua cutucando, querendo falar “Vamos, as coisas vão dar certo” e como já disse, os criadores de esperança se agarram nessa e rompem o fio.

E é ai que começa todo o progresso de pegar algo que praticamente não era nada e transformar em tudo.

Porém muitas vezes chega o momento que sentimos que devemos parar porque aquilo já não está sendo mais prazeroso e sim prejudicial a nossa saúde e dando um esforço danado enquanto nosso psicológico é destruído.

Quando sentimos que não está trazendo paz, mas machucados. E que esses machucados já não estão se curando tão rápido como antes, mas sim trazendo outros para fazer companhia.  No fim, o que resta a ser feito é colocar tudo e uma balança e refletir se compensa se machucar sempre pela mesma coisa.

Sei que já falei em vários textos que precisamos lutar pelo que queremos, demostrar, etc. Mas tudo tem um limite, e se você ultrapassá-lo, terá grandes chances de cair em um buraco tão fundo que será difícil de sair, porque não tem uma coisa que em excesso seja bom. Amor demais sufoca e indiferença demais também.

Infelizmente não podemos controlar todas as coisas, e é a vida. Se você fez o que podia e não trouxe os resultados esperados, paciência. Em algum momento vai dar certo e o que eu tenho pra te dizer é que a vida dá dessas.

Mas não fique insistindo em construir algo que não está lá para ser construído.

*créditos foto: @luizclas