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Noyuke

Sobre ser fiel a si mesmo

” Não se atormente. Não se julgue. Não se culpe.”

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Você faz escolhas que não são suas escolhas. Você finge que não vê, que não percebe. Finge ser livre das amarras invisíveis que te prendem. Mas você sabe. No fundo sabe. É daí que vem sua angústia, sua agonia. Não ser o que realmente se quer é claustrofóbico. Estar em uma prisão de ideologias e dogmas, reconhecer-se nela, e não poder escapar. Eu te entendo. Já estive no seu lugar. Você deve estar se sentindo fraca tentando se provar forte. Você se engana e, como um anjo caído, tenta esquecer. Mas dói lá no fundo. E você se sabe envergonhada diante de si mesma por não ser forte e independente e livre como se queria. Você não está sendo fiel com você mesma, isso mata a gente aos poucos… Leia Mais

Sandman

Existem certas coisas que todos nós possuímos. São características inatas, forças que dançam dentro e ao redor da nossa existência. Quando analisadas, não são nem criaturas nem criadoras. São só essências primordiais, padrões de onda, que sempre existiram e que existirão até que o último ser vivo seja extinto do universo. Como, por exemplo, definir o Destino? Como explicar os milhões de caminhos rascunhados em algum lugar da existência e escolhidos dia após dia por você? Como, ao se deparar com o caminho de uma vida à sua frente, não se abrir para a ideia certa de que a Morte chegará algum dia com seu grande bater de asas para te buscar? E como, diante dessas duas forças que regem seu caminho, não sonhar? Sonho é a esperança de tudo que um dia nunca foi, mas se espera que virá. Assim como também, do sonho, nasce a ideia da Destruição, sempre pronta para o desfalecer de tudo que se sonhou. Mas sonhos precisam ser conquistados, caçados, merecidos.. Então entra Desejo, nos impulsionando sempre na busca do que queremos. Diante da impossibilidade das coisas que não conseguimos é normal se deparar com o Desespero. E então, em último caso, enxergamos cada vez mais nítida a imagem de Delirium, a última da família. Sim! São uma família! Por ordem de surgimento: Destino, Morte, Sonho, Destruição, os gêmeos Desejo e Desespero, e a caçula Delirium (que um dia já foi Deleite).

 

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Sonho, Morte, Desejo, Delirium, Desespero, Destruição e Destino

 

Estes são os personagens fundamentais de uma série de quadrinhos chamada Sandman, e que traz como protagonista um membro dessa família de “Perpétuos”: Lorde Morpheus ou, apenas, Sonho. O roteiro (e a família) são criações de um escritor genial: Neil Gaiman. Escrita entre os anos de 1989 e 1996, qualquer iniciante no universo de literatura onírica e delirante pode julgá-la como uma coleção antiga e ultrapassada. Muito se engana quem comete essa blasfêmia. Cercado de temas polêmicos, Sandman traz à tona questões que até hoje permanecem como verdadeiras feridas na sociedade e nos faz repensar o modo de enxergar o outro e os pré-conceitos advindos da ignorância e do egoísmo. Tratando desde temas como o preconceito em relação às pessoas soropositivas até o preconceito social e sexual, as 75 edições dessa revista se mostra como uma verdadeira revolução interna para quem quer que a leia. Não há ninguém que não tire dela algum aprendizado, principalmente entre tantas questões filosóficas e religiosas também levantadas por ela.

As edições são divididas em arcos, em cujas páginas se encontram histórias e desventuras, para ser mais preciso, do nosso protagonista Lorde Moldador e suas relações e obrigações para com o universo, bem como seu relacionamento com sua complicada família. Os arcos foram lançados sobre o selo Vertigo (Vertigem) e vale o aviso de que não são histórias de contos de fadas ou super-heróis, mas, sim, histórias muitas das vezes chocantes que mexem com as feridas e as podridões da humanidade. Embora extremamente dinâmica em leitura e suave em acolhimento, cada palavra ali escrita é milimetricamente calculada para marcar de alguma forma sua alma para sempre.

 

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Lorde Morpheus

 

Para dar um gostinho, separei algumas frases impactantes ditas por algumas personagens ao longo de todo o desenrolar da grande história:

– Algumas coisas são grandes demais para serem vistas. Algumas emoções enormes demais para serem sentidas. (Sonho, dos Perpétuos)

– Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade. (Delirium, dos Perpétuos)

– Ter o que mais se deseja e ser feliz são coisas completamente distintas. (Desejo, dos Perpétuos)

– Vida é uma doença: sexualmente transmissível e invariavelmente fatal. (Morte, dos Perpétuos)

 

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Morte, dos Perpétuos

 

Todas as 75 edições podem ser encontradas online para leitura digital, estando assim disponível a qualquer um que quiser bagunçar um pouco as ideias e repensar filosofias. Deixo abaixo um link onde poderá encontrar a obra completa para download em PDF, podendo ser aberto em qualquer plataforma de leitura.

Link para download: http://www.salvandonerd.blog.br/sandman-obra-completa-para-download-em-pdf-01-ao-75/

Boa leitura a todos. E bons sonhos…

Ao menos…

Mal tive tempo de fechar os olhos e já não me encontrava em meu corpo.”

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Minha cabeça pende.
O teclado do computador se assusta.
Desmaio e nem sei ainda quanto viver custa.
Se morri, morri por não estar.
Quem é que sabe quando a hora vai tocar?
Quando o alarme vai soar?
Quando a pele irá gritar?
Quando a máscara irá rachar? Leia Mais

Me desculpe, mas não sou agradável

“Aprendi a mascarar sentimentos, impulsos passionais, fúria, ódio.”

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Eu não gosto de agradar pessoas. É desgastante e me cansa. Mas sou ranzinza, chato e irritante. Se fosse viver apenas agradando a mim mesmo, cerca de 95% de todas as minhas relações pessoais seriam minadas como em um ataque terrorista. Eu não sou uma pessoa fácil de lidar. Admito isso. E admitir já é um começo, não é?! Leia Mais

Poema de sete insônias

“Só quem abre os olhos na madrugada sabe a delícia do barulho da Lua.”

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O tempo passou, como um bicicleteiro que atravessa a rodovia.
Passou com medo dos carros e em meio à neblina.
A vida continuou, mas é claro que continuaria.
Como quem continua uma partida de xadrez sabendo que vai perder.
A vitória nunca chegou, como já era de se esperar.
Todos sabem que a derrota está em todo lugar.
Todos sabem o quanto tudo isso é comum.

A idade bateu na porta, uma carruagem a me esperar.
As estações voltando enquanto eu ficava no mesmo lugar.
O sol caindo como uma bomba atômica atrás dos prédios.
Como tem que cair tudo que é feito pra durar.
A violência andando nas ruas, usando terno e com um sorriso espetacular.
Tudo que é mais belo um dia volta a machucar.
Assim como a criança que cresce sem saber porque ficar.

A chuva que caiu nunca trouxe o alívio prometido.
Assim como a luz do dia não matou nenhum vampiro.
Mas à noite, quando o céu desaba sob nossas cabeças
No fundo da nossa insônia sabemos como é bom estar acordado.
Só quem abre os olhos na madrugada sabe a delícia do barulho da Lua.
Que sempre é tão bela quanto as coisas que nunca são suas.
Como as mentiras mais verdadeiras, fingindo estarem nuas.