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Raquel de Póvoas

Amor não é acaso

Ouça enquanto lê:

Muitos dizem que o amor é para os distraídos. Olha, eu sou muito distraída, muito mesmo, e foram poucas vezes que eu tropecei no amor.
Você não sai de casa aleatoriamente, esbarra na porta de uma empresa, entra e é contratada para trabalhar naquele cargo que você sempre sonhou. Se fosse assim, estaria eu linda e bela trabalhando na Google. O que obviamente não estou, já que nunca nem enviei meu currículo para lá.
Amor é meio que uma vaga que você quer muito. Algumas vezes você vai querer com toda sua força, mas vai achar que não está capacitado (a) para exercer essa função. Não vai nem sequer enviar um e-mail. Não vai pedir isso em suas orações. Mas, para todo o resto do mundo, você dirá: “nossa, eu quero muito mesmo trabalhar lá”. O que não é nem de longe verdade.
O que não quer dizer também que um dia ensolarado de inverno – pois é, que tempo doido –  você vai pôr a sua “roupa do amor”, vai abrir a porta de casa e sair em busca daquele que dará sentindo a sua existência. Desculpe, mas provavelmente o que irá voltar para casa com você é uma boa dor nas pernas e um grande vazio no coração.
Então, vamos lá. Amor não é distração, mas também não é foco? Bem, para mim, amor nasce antes de ser, ele simplesmente existe porque você acredita. Você não sai por aí procurando e nem fecha os olhos pra ele. Você apenas sabe que ele vai acontecer.
Não adianta o príncipe encantado, montado no cavalo, com um lindo buquê de girassóis – minhas flores preferidas, a propósito – te paquerar se você continua achando que isso não é pra você. Se continua saindo com pessoas sem futuro, porque pra você o futuro é algo que pode ser deixado para mais tarde.
Você escolhe amar não quando decide namorar ou casar com alguém, mas quando decide que vai amar mesmo assim. Mesmo com tudo que esse alguém é. E ele não é perfeito. Ele tem histórias antigas. Ele tem medos profundos. Ele é que nem você. E você ama esse alguém, porque não há opções. É ele. Sempre foi.
Amor pode ser destino, mas existe sempre aquilo que tanto nos declina, o livre-arbítrio. Simplesmente você desvia do que era seu porque acha que ter defeitos é algo de outro mundo. Porque se ofende do outro nem sempre te interpretar bem. Como se você sempre entendesse o que os autores dos livros querem dizer antes do FIM.
Você escolhe amar quando perdoa. Escolhe amar quando respira antes de responder. Escolhe amar quando o que faz pelo outro não é sacrifício, mas prazer. Quando, depois de um longo dia, deita na cama e deseja apenas que tudo isso dure o tempo do universo.
Amar é desejar ser o universo do outro, mesmo que este seja uma incógnita. Ninguém sabe quantos planetas há nele. Nem se é infinito. Mas a gente olha, acha que vale a pena, e vive cada dia como se fosse o primeiro, o último e o único.