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Recígio Poffo

Comprar felicidade

“Você flutua no mar, o sal lavando suas mesquinharias, percebendo sua medíocre e ao mesmo tempo maravilhosa existência.”

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É engraçado como ter água até o pescoço, no final de tarde, flutuando sobre as ondas do mar, te faz pensar na vida. Você ignora os aspectos mais fúteis e bestas da sua existência. Os bens materiais que você tem não importam muito, você é só uma coisa flutuando na água, não muito diferente ou melhor que tudo ao seu redor. É nesse momento, desarmado, que surge sorrateiramente aquele sentimento solidão. Era isso que eu sentia? Falta de alguém? Ou talvez é só a vontade de beber alguma coisa. Sim, talvez a bebida fosse uma opção melhor.
Mulher é o melhor remédio para alguns males do mundo masculino, álcool é o medicamente genérico. Os efeitos colaterais são um pouco diferentes, podem incluir a ressaca, o alcoolismo e aumento de peso, mas funciona tão bem quanto para algumas dores. Leia Mais

Quando acaba

“Ela respira, anda, canta, ri e chora, ela flutua entre os dois seres que resolveram se juntar.
Uma criatura fantástica.”

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Existe aquele tipo de cerimonia que é vista muito de perto por duas pessoas, de longe pelo resto do mundo.
Ela passava a mão pelos cabelos enquanto ele chutava uma pedra.
Então era isso?
Não tinham coragem de se olhar.

Um amigo me disse certa vez: “você está mais parecido com ela e ela com você”.
Existe uma espécie de terceira entidade em um relacionamento.
Ela respira, anda, canta, ri e chora, ela flutua entre os dois seres que resolveram se juntar.
Uma criatura fantástica. Leia Mais

Tarô social

 “Sacrificamos as verdades, em rituais de compartilhamentos satânicos, para trazer de volta a notícia amada.”
Árvore de Pássaros
Ele deve estar com problemas intestinais.

Esse foi o primeiro pensamento que me veio à cabeça quando eu percebi, que entre um bater de assas e outro, um passarinho havia me presenteado com uma pintura na janela do meu carro. Parece meio barroco.

Passarinho? Pensando bem, diante daquela prova irrefutável, eu poderia cogitar a hipótese de que de repente avestruzes começaram a voar. É uma coisa engraçada,  existe um espaço sagrado, de poucos metros, que é bombardeado todos os dias pelas aves na rua onde eu trabalho. É algo comparável ao bombardeio alemão sobre Londres na Segunda Guerra Mundial. Chamo de Blitz dos assobiadores. Eu errei o cálculo hoje na hora de estacionar e tive minha punição.

Pelo menos as aves tem um padrão de comportamento a partir do qual você pode fazer as deduções necessárias para escapar de seus ataques. O mesmo não acontece com algumas verdades da ciência, principalmente aquelas divulgada nas rede sociais.

Tudo bem, o mundo já se decidiu: a terra gira ao redor do sol, radiação faz mal pra saúde e fast food engorda. Mas os seres humanos não parecem ter um consenso quando o assunto é “acordar cedo”, “arrumar a cama” ou “beber cerveja”. Um dia faz bem, outro faz mal, depende do interesse da pessoa que compartilha. Ou talvez seja um plano maquiavélico, uma mega estratégia de marketing para elevar ou baixar os preços das commodities. Sei lá.

Se você for levar toda notícia a sério, como um lunático, em um dia estará comprando comida importada do Himalaia e no outro jogando-a no lixo. É um negócio levado ao extremo. A leitura das redes sociais é um jogo arriscado. Toda semana a Nasa faz descobertas espirituais que deixam boquiabertos os cientistas. Você chega a conclusão que a agência espacial americana tem uns departamentos bem obscuros.

Uma vez por dia, são publicadas 10 coisas que você tem que fazer antes de dormir. Vamos lá, eu até anotaria pra tentar, se na semana seguinte não fossem publicadas outras 20 coisas falando exatamente o contrário. Você sabe, faz bem dormir até tarde. Bom, é isso que falam os posts do Facebook de hoje. É a leitura mística que você faz diariamente, quase como jogar tarô. Opa! Tirei a carta do problema de saúde! Café é vilão das doenças musculares aponta estudo. Evoluímos da leitura das linhas da mão para a interpretação espiritual da timeline.

Sério, a gente tem que parar de compactuar com essas coisas, com essa espécie de pentagrama social, rodeado de velas que chamam os demônios da paranoia. Sacrificamos as verdades, em rituais de compartilhamentos satânicos, para trazer de volta a notícia amada.

Eu não aguento mais.

Paranóia

“Acho que to precisando beber mais, o mundo tá estranho hoje. Aposto que ela está com outro, jantando a luz de velas. O trouxa aqui…”

Pés Banheira

-Não posso, tenho que lavar o cabelo!

Como assim? Quem é que lava o cabelo na quarta a noite? Quem deixa de jantar fora para lavar o cabelo?

– Está falando sério? – Perguntei a ela.

– Sim, é quase um ritual – Ela me responde.

Um ritual satânico, talvez. Ela deve estar me enrolando. Uma dessas desculpas femininas que abusam da ignorância masculina sobre o tema.

– Hum, que pena! – Digo a ela.

Aposto que ela está, educadamente, me dispensando! Como assim lavar o cabelo? Quem deixa de sair para lavar o cabelo? No meio da semana? Leia Mais

The Expanse – Série

The Expanse é uma série de ficção científica e mistério criada pelo canal americano SyFy. Baseada na série de livros do auto James S. A. Corey, ela tem aquilo que um bom fã do gênero espera: altas doses de ficção, efeitos visuais bem polidos e um bom roteiro.

A história, que fala de problemas sociais profundos, se passa 200 anos no futuro, em um mundo onde já resolvemos os problemas mais complexos da exploração espacial e o ser humano esticou seus braços para pontos mais distantes da galáxia. Nos é mostrado o futuro do planeta Marte, uma potência militar, que sonha ser tão belo quanto a Terra, uma Terra, que vive tempos de um governo pacífico e unificado, e estações espaciais montadas nos cinturões de asteroides. Essas últimas, que se um dia foram bases para explorações espaciais, hoje possuem habitantes que vivem em condições de quase escravidão. A água é um recurso preciso nas estações, mineradores escavam asteroides e transportam o líquido congelado diariamente para garantir a sobrevivência da população. Chamados de Belters, os moradores do cinturão são um povo que nasceu e cresceu em um ambiente de baixa gravidade. Seus ossos frágeis e pulmão fraco não lhes permite viver na Terra ou em Marte.

Nesse cenário, o policial Joe Miller, um dos protagonistas, em Ceres, uma das estações espaciais do Cinturão de Asteroides, tem dois problemas claros, a bebida e as constantes ameaças de rebeliões. No mesmo instante que o cargueiro espacial Canterbury é misteriosamente atacado e parte da tripulação tenta escapar e sobreviver, Miller recebe a missão de encontrar Julie Mao, uma jovem desaparecida. Enquanto Miller parte em uma investigação quase paranóica para achar a moça, o mundo habitado pelos humanos tenta evitar uma guerra.

Visualmente muito bem produzida, a série tem um ótimo roteiro e possui uma trama política complexa. Uma conspiração de dar um nó na cabeça. A série não é perfeita, possui seus momentos clichês e algumas atuações questionáveis, porém, vai por mim, você quase não nota.

Se você ainda não viu e está carente de séries nesse estilo, ela uma boa pedida.

Aaaah!, ela está disponível na boa e velha Netflix.