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R. M. Cordeiro

Contos e Crônicas

Ela

Ela anda distraída pelas ruas da cidade, pensamentos desconexos e desconectados com o ambiente ao redor. Tem a impressão de que o mundo continua girando em uma direção, enquanto ela caminha num rumo totalmente diferente.

Busca conforto nos livros, letras de músicas, textos aleatórios encontrados na infinitude da internet… Imagina que Zack Magiezi escreve “Notas sobre Ela”, baseado em um conhecimento profundo de sua alma, como um melhor amigo que conhece todas as suas faces. Espera que algum dia alguém lhe escreva dedicatórias como Alexandre Guimarães faz para sua Doce Desconhecida, só para deixar seu dia um pouco melhor, mais bonito e mais doce. Aceita todos os pedidos que Fred Elboni faz, sem pestanejar, porque enxerga em cada palavra seus próprios anseios de felicidade.

Dos fones de ouvido ecoam suas canções preferidas, alimentando sua vontade peculiar de discutir ciúmes bobos ao som de Elvis Presley “We ca’nt go on together, with suspicius minds, and we can’t build our dreams on suspicius minds” (Suspicius Minds, Elvis Presley, 1969), ou desperta a vontade de se apaixonar de novo e de novo e de novo, com o coração embalado por Journey “And being apart ain’t easy,on this love affair, two strangers learn to fall, in love again, I get the joy of rediscovering you” (Faithfully, Journey, 1983).

Ela liga a TV, mas não enxerga o que passa, sua mente vagando em um mundo alternativo, repleto de imagens indecifráveis em uma paleta de cores indescritíveis e belas, enquanto o gênio da comunicação Silvio Santos, arranca gargalhadas de si mesmo e de uma plateia não presente mentalmente.

Dividindo os dias entre o que precisa fazer e sonhando com o que deseja realizar, ela está por aí no metrô tentando equilibrar a mochila em um braço e um livro no outro, enquanto desvia dos que passam por ela sem olhar; diante do espelho, procurando uma saia que disfarce o que acha imperfeito e um sapato que vai lhe causar dores, mas que é bonito, só para fazer uma boa figura diante de pessoas com quem ela nem sabe se quer estar; no ônibus olhando pela janela, enxergando coisas que só ela vê nas nuvens brancas ou cinzas, dependendo do dia; no Café bebericando um mocaccino que lhe aquece o peito e adoça os lábios que sorriem involuntariamente por esse pequeno gesto de generosidade a si própria. Ela está por aí, talvez do seu lado, ou talvez no reflexo do espelho. Porque ela é você. Ela sou eu. Tentando se encontrar enquanto se perde.

 

 

Pensamentos Superação

Não aguento mais falar de você

Alguns anos já se passaram. Seis para falar a verdade, se você decidir contar. Eu já superei você a essa altura, é claro. Mas, parece que algumas pessoas ainda não entenderam isso. Porque outro motivo, continuariam perguntando de ti para mim? Uma situação que infelizmente é mais recorrente do que eu considero natural.

Nessa semana, por dois dias seguidos seu nome acabou surgindo em conversas aleatórias. Primeiro, minha mãe perguntou sobre você – não faço ideia do motivo, eu estava falando de outra pessoa no momento quando ela disparou a pergunta “E o fulano?”. Eu olhei para minha mãe e me perguntei se ela estava falando sério ao me perguntar de você, mas achei melhor desviar o assunto e respondi a verdade, que estava me referindo a outra pessoa que chegou à minha vida depois de você. Depois uma colega de trabalho também perguntou se eu estava falando sobre você, sendo que a conversa que estávamos tendo nada tinha a ver contigo.
E tem sido assim nos últimos seis anos. Eu tentando deixar você no passado e as pessoas sempre trazendo seu nome à baila no presente, como se fosse divertido para elas me deixar constrangida com as lembranças que restaram. Que no fundo não são muito boas, preciso dizer.

Durante muito tempo eu carreguei o peso da culpa nos meus ombros. Sozinha. Até nossos amigos em comum na época, pareciam me dizer com seus olhares e atitudes, que a culpa era minha por tudo ter acontecido daquela maneira horrível. Por nós dois não termos “funcionado”.

Mas agora, depois de tanto tempo, eu consigo enxergar minha parcela de culpa sem sentir que é um fardo e até a aceito. Só que também enxergo a sua culpa. Afinal, você não quis conversar, não quis tentar discutir comigo o que você achava que estava errado com a nossa relação e continuou me provocando e me confundindo, me desestruturando, até não restar nada que pudesse ser feito para recuperar o que tínhamos de melhor. Você não quis a gente.

Doeu. Pra caramba e por mais tempo do que eu gosto de admitir. Mas hoje não dói mais. Finalmente. Só que eu realmente não aguento mais falar de você. Como se fosse uma ladainha interminável, eu estou exausta de ouvir seu nome. Estou exaurida de não conseguir desvincular minha vida da sua de uma vez por todas.

Não quero suscitar nenhum tipo de ressentimento entre nós. Na verdade, esse texto nem é para você. Essas palavras mal elaboradas e despejadas de maneira disforme, são para todas as pessoas que não param de falar de você. Porque quero deixar bem claro e indiscutível o fato de que eu não aguento mais falar de você e espero que a partir de agora, haja uma pedra em cima desse assunto, em cima do seu nome.

Sem lamentações ou desprezo, apenas quero seguir meu caminho, sem tropeçar no seu nome por aí. Perdoem-me se estou sendo grosseira, mas será que fui clara?
Espero que tenha sido cristalina.

Não categorizado

Do lado de cá!

Olá! Como vocês estão?

Eu deveria ser mais profissional e provavelmente meu primeiro texto deveria ser uma crônica ou um desabafo repleto de sentimentos e reflexões que fariam com que vocês me achassem uma pessoa muito madura e que entende o que sentem.

Não que eu não tente melhorar a cada dia e me tornar essa pessoa, mas não é do meu feitio passar uma imagem que possa dar margem à interpretações equivocadas sobre quem eu sou de verdade. Já vivi o suficiente para saber que provocar uma impressão errônea nas pessoas custa caro, custa parte de quem eu sou. E isso é algo que eu tento evitar, sempre que posso.

Então, acho justo que vocês saibam um pouco sobre quem está do lado de cá, antes de me deixarem atravessar a tela e provocar alguns sentimentos, dos quais talvez vocês estejam fugindo. Essa é uma característica bem particular da minha personalidade e não é proposital. Talvez, porque eu goste mesmo de causar algum tipo de reação ou simplesmente porque sou igual a qualquer pessoa que sofre, ri, chora, sente, cai, levanta e se reconstrói. A resposta correta vai depender de vocês e de como reagem ao meu uso das palavras.

Estou deixando vocês confusos? Eu mesma me sinto assim na maior parte do tempo… Para que possam entender um pouco dessa confusão, meu nome é Regiane, mas vocês podem me chamar de Rê, Regi, Gih, Gigi… Como preferirem. Saibam que trabalho no Sistema Público de Saúde, lidando com desenvolvimento infantil – parte que eu realmente adoro – e reabilitação física – que eu também adoro! Tá, eu amo ser Fisioterapeuta!!! – e durante um bom tempo, meu trabalho me fazia sentir realizada… Mas, depois de um tempo, já não sentia o mesmo fervor, a mesma paixão… Essa sensação se juntou a outras, mais profundas, mais densas e quando me dei conta, havia um buraco no meu peito.

Assistindo a um filme certo dia, uma das personagens falou sobre um homem em uma aldeia no Alasca, que tinha um buraco no peito e que ele passou muito tempo procurando uma forma de lidar com isso… Até construir um totem e erguê-lo no meio da aldeia, que preencheu o vazio no centro da aldeia e em seu coração.

Apesar de se tratar de ficção, eu me senti muito tocada por essa breve história e soube imediatamente que eu estava na mesma situação que aquele personagem, que sequer apareceu no filme, apenas foi citado… Eu precisava encontrar o que me ajudaria a lidar com o meu buraco particular.

Desde então, tenho andado por aí, escrevendo, escrevendo, escrevendo… Numa tentativa de dar forma, cor e substância a essa abertura aqui dentro, como um buraco negro que por milagre consegue transformar sua trajetória em um processo inverso ao natural e volta a brilhar e irradiar energia estelar.

E só o que peço é que vocês me acompanhem e me auxiliem nesse processo!!! Com beijos, abraços e orações… Com o que tiverem a oferecer. Prometo me transformar no melhor que eu posso ser!

Um beijo imensooooo, do tamanho da minha gratidão por estar aqui!!
<3