Browsing Category

Superação

Não categorizado Superação

Eu ganhei o agora

Foto: Gabriel Ornellas

 

Sabe quando dizem que tem males que vêm para o bem? Eu não acredito. Não acredito que existam situações ruins de verdade, mas oportunidades de crescimento. Oportunidades de enxergarmos a vida por um ângulo totalmente novo e desafiador. E é no desafio que a gente sai da zona mais perigosa já inventada pelo ser humano: a zona de conforto.

 

Eu vou te contar uma coisa que aconteceu no Natal de 2016. Esse não foi um Natal tão fácil para mim e minha família. E foi nessa noite que eu me desentendi com a pessoa mais importante da minha vida. E ela é a personagem principal do texto que você está lendo hoje. Minha mãe.

 

Por uma série de fatores, ela decidiu que seria melhor eu ir morar com meu irmão, que mora na capital do RJ. Apesar da casa grande que temos na região dos lagos, ela precisava estar só. E eu precisava estar respirando novos ares. Minha mãe é daquelas mães – difíceis de se encontrar por aí – que acreditam piamente na frase “eu crio meus filhos para o mundo”. E, antes que eu me esqueça, gostaria de agradecer a ela por ser esse tipo de mãe.

 

Quando me mudei, estava no início de um namoro com um rapaz que morava perto de mim. Minha nova casa, ao contrário, era quatro horas e quatro transportes públicos mais longe. Lembro que nos primeiros momentos morando no pequeno – e delicioso – apartamento com meu irmão, eu tive sérias crises de ansiedade. Para mim, lidar com novos horizontes estava sendo demais da conta. Eu, que há dois anos e meio convivi em um mesmo ambiente, que adorava.

 

Quando olho para trás, eu consigo entender a gravidade que seria eu ter continuado vivendo confortavelmente na minha zona segura. Uma zona linda, gostosa, mas que nada tem a oferecer. Eu tinha minha mãe por perto – é verdade -, e para mim isso bastava. Mas a vida me mostrou algo novo.

 

Acostumada a viver em um lugar calmo, cheio de pássaros e de vizinhos que mal apareciam nas portas de suas casas, vim morar em uma rua cheia de comércios, pessoas, barulhos e cores diferentes. A primeira coisa que pensei foi: não vou ficar aqui por muito tempo.

 

Mas aí, descobri uma coisa interessante. Descobri que esse movimento estava me trazendo vida. Que dividir a rotina com meu irmão me tornou ainda mais próxima dele. Me fez aprender a cozinhar (e amar fazer isso). Me ajudou a descobrir minha rotina ideal e com isso consegui focar mais nos meus projetos. A distância aproximou ainda mais minha mãe e eu, e hoje estamos trabalhando juntas em uma dinâmica maravilhosa. Entendi ainda mais o valor de fazer uma compra do mês no supermercado e agradecer a Deus por poder estar fazendo isso. Ganhei novos horizontes. Praias novas para explorar. Comecei a praticar Biodanza. Estou prestes a fazer trabalho voluntário no meu bairro. Fui convidada a escrever para um site da região. Fiz um ensaio fotográfico que iluminou todo o meu ser. Perdi o namorado. Ganhei a mim mesma.

 

Quando, no Natal de 2016, estava triste, jamais imaginei que uma briga poderia ser, na verdade, um grande presente. Pelo amor e pela dor a vida nos traz oportunidades. E, não importa se algumas noites fiquei sem dormir com medo de não me adaptar à nova vida ou do meu namorado desistir de mim. Aprendi que quem não foi feito para ficar, não ficaria de qualquer forma. E tá tudo bem. Para mim e para ele. Porque a gente precisa acreditar que, enquanto durou, fomos inteiros amor. A distância nos fez perceber isso.

 

A distância me trouxe de volta para mim. Hoje, não importa mais onde moro, porque sei onde residem meus sonhos. Eles vivem dentro de mim. E a minha mãe, bem, ela é aquele tipo raro de mãe que sabe decifrar nossa alma. Ela, com toda sua sabedoria, percebeu que o mundo esperava por mim. Eu não enxergava isso, mas ela sim. Posso contar só mais uma coisa sobre ela?

 

Quando eu era criancinha, bem neném, ela me soltava por alguns segundos na piscina para eu aprender a nadar. Todo bebê sabe nadar, mas para isso ele precisa da água. Ela me deu a oportunidade e eu nadei. Ela me deu o meu mar. Naqueles dias de piscina e naquele Natal. E todos os outros dias, desde quando nasci, ela tem me provado que não há males que venham para o bem. Tudo que acontece, é luz e caminho para uma nova vida.

 

Obrigada mãe.

Contos e Crônicas Grazi Superação

Me deixa te ajudar?

Me deixa te ajudar?
Me deixa te abraçar no emaranhando de bagunça que você é?
Me deixa cavar aí dentro do seu coração e arrumar todos os seus sentimentos em potinhos?
Me deixa te amar e ensinar sobre o amor?

Amar e cuidar são sinônimos no meu dicionário, sabia?
Um não anda sem o outro,
Eles estão sempre juntos, de mãos dadas,
Lutando um pelo outro, se suportando, se sustentando.

Se você deixar, eu posso te mostrar que a vida é muito mais que sofrer e sentir dor.
Posso te contar das coisas belas, dos momentos felizes.
Na verdade, posso entregar em suas mãos, os momentos felizes,
É só você se entregar.

A vida é muito mais do que os problemas que cercam as paredes do seu quarto,
Ela é muito mais colorida do que as fotos brancas e sem vida do seu Instagram clean.
É uma bagunça muito maior do que a sua casa enorme e bem estruturada,
Tão viva quanto as florestas que você se recusa a frequentar.

Tudo é muito maior do que seu mundo de computadores e livros.
E eu quero te ajudar a enxergar isso.
Quero que você veja a beleza que existe na vida real, com pessoas reais,
Não essas que te ajudam a afundar.

Inclusive, isso não é amor, nem mesmo compreensão,
É uma corda que você tem amarrado e está esperando que seja puxada.
Mas saiba que eu não vou deixar,
Estou aqui para tirar suas amarras.

Vou soltar os seus pulsos da prisão que você os condicionou,
Passar remédio nas suas cicatrizes,
Tanto da alma, quanto as que você se deu.
Mas você precisa deixar.

Deixar se amar,
Se cuidar.
Deixar eu me aproximar
E te amar.

Superação

Gosto amargo de vazios completos

“Watching the days burning out like a cigarette, just a few drags to go”

Eu mudei minha rota por você. Abandonei velhos amigos, decorrente da insistência dos mesmos em apontar seus defeitos. Eu fazia caminhos mais longos para aproveitar sua companhia, conhecia desvios pela cidade para poder ficar com você. Fiz amigos novos, pois tínhamos você em comum, poderíamos falar do quanto sua presença nos fazia bem, contar detalhes vivenciados com você; caso alguém por descuido apontasse alguma falha sua, desviávamos o assunto, e simulávamos que nada havia acontecido. Continue Reading

Superação

Uma carta para os dias difíceis

Não é fácil acordar todos os dias. Não é fácil sobreviver depois de levar um tombo. É que as vezes parece tão fácil dizer que é besteira, não é? É fácil ver os outros no fundo do poço e dizer que é simplesmente uma bad. Esse é o problema das pessoas: a falta de empatia. A falta de interesse por saber como estamos. Elas simplesmente estão preocupadas consigo mesmas. Com a roupa que vão usar na próxima festa, enquanto há pessoas que não tem um cobertor para se proteger do frio. A geração do desapego, reclama da falta de amor, mas não consegue amar primeiramente. Continue Reading

Grazi Superação

Auto-piedade é um vício

Na segunda-feira da semana passada, surgiu uma frase na minha cabeça: auto-piedade é um vício.

Olhei pra dentro.
Pra dentro de mim mesma, sabe?
Poxa, olha quanto tempo e coisas eu deixar passar da minha vida, desde que me mudei para o Rio – só para não ir mais longe e não dizer “desde que me formei”- , sentindo pena de mim mesma.

Pena porque eu não estava com a minha família,
Pena porque não estava vendo meu gatinho crescer,
Pena porque eu não tenho amigos aqui,
Pena porque essa cama não tão boa como a lá de casa.

Mas eu esqueci de olhar o que eu vivi e não soube apreciar, porque eu estava ocupada demais me afogando na minha auto-piedade. Continue Reading