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Superação

Lembranças do que vivi

Reprodução Pinterest

Hoje fui ler coisas antigas e lembrei muitas situações. Com as lembranças vêm também os sentimentos daquela época. Acontece como você? Comigo acontece sempre…. Sabemos que nem tudo foram flores, né?

Minhas lembranças vêm carregadas de cargas de sentimentos, medos, angústias, sonhos, alegrias e expectativas da época. Músicas, cheiros, gostos, papéis, fotos, enfim, tudo é um amontoado de coisas que um dia aconteceram de forma arrebatadora e intensa. As vezes penso: como passei por isso ou ora penso…nossa como era boba! Mas são fases que passamos e que necessitamos passar e somos o que somos hoje porque passamos por isso.

Sou a favor dos antigos papéis de cartas e das cartas que escrevíamos para as coleguinhas na escola. Ainda tenho alguns e acho importante manter. A informatização é algo incrível, porém nos tira essas coisas simples da vida. Desculpe-me os antenados nas evoluções tecnológicas, mas não há nada melhor do que ler uma carta de alguém vinda pelo correio, contando novidades. Isso faz tempo que não tenho…era bom!

Com as lembranças percebo o quanto evolui como pessoa. Coisas que eram mais difíceis de aceitar e de enfrentar hoje enfrento de outra forma. O tempo traz isso: a leveza, a maturidade e a doçura de saber que tudo vai passar. Até mesmo os momentos bons. E isso é uma pena. Daí percebo que tenho que viver o agora de forma única porque ele não voltará mais daquele mesmo jeito. Aproveitar pessoas, coisas, lugares, bichos, momentos, enfim, tudo que tenho direito. Porém, com a prudência e honestidade necessária.

Bem, desejo primeiro que seu estado de espírito seja calmo e que possa voltar a contemplar as coisas simples. Para que queira estar como nas cidades do interior. Onde o tempo passa devagar e temos tempo para desfrutar da beleza da vida. Sem a correria da cidade grande. Sem a agonia de checar se recebi uma mensagem ou verificar o que estão falando no Face ou postando no Insta. Desejo café na varanda, vento no rosto e brincadeira de criança. Mesmo que não tenha mais criança na brincadeira, mas que a alma assim seja.

Felicidade é algo amplo demais para explicar, mas colocando um pouco do que ela é penso que é quando estamos em algo que não queremos que termine. Que seu dia feliz não termine!  😉

Amadurecer não é endurecer

Ela foi obrigada a crescer e, nesse processo, precisou se tornar mais forte, endurecendo seu coração e alma no meio do caminho. Não me entenda mal, ela não deixou de sentir ou amar, só precisou se resguardar, enquanto a vida a obrigava a amadurecer.

Ela percebeu que cresceu quando se viu obrigada a parar de chorar, a seguir em frente, mesmo com feridas não cicatrizadas, que ainda batiam forte em seu peito. Apesar da vontade de nunca mais olhar para trás, ela percebeu que para que fosse possível recomeçar, ela precisaria enfrentar o passado e remover o que passou, mesmo que seu coração ainda sangrasse, às vezes.

Durante esse processo, ela se livrou de muitas coisas: dos falsos amigos, dos amores que só faziam mal, dos sentimentos que corroíam sua paz, das decepções de quem um dia ela amou, daquela parte da família que só tirava sua paz e tentou, com o seu melhor, deixar o coração limpo, livre dos males do mundo.

Enfrentou, de cabeça erguida, todos os medos que habitavam seu coração. Se livrou de cada um deles e descobriu que a vida trazia outras opções, além de estagná-la para sempre em um destino cheio de amargura.

Seu coração, ao fim do processo, parecia um lugar mais leve para se viver, sua mente agora estava habitável. Quanto mais leve ela ficava, mais alto voava, mais forte se tornava. Todo aquele mal que ela guardara, havia se tornado um grande nada na sua vida, trazendo coisas novas e felizes ao seu ser.

Também aprendeu a dizer NÃO!
A sua vida não deveria de servir de lixeira para as mentes infelizes, para os corações carrancudos. E apesar de ter esvaziado seu coração, ele ainda poderia transbordar de bondade e que está tudo bem se ela escolher dizer sim também.

Sim para os amores verdadeiros, para os amigos que só querem o bem – ela descobriu que eles ainda existem em algum universo paralelo mágico e alcançável – para os novos e confusos sonhos.

Apesar de saber que é bem difícil confiar em alguém hoje em dia, ela descobriu que é possível. É possível limpar seu coração e perdoar os que fazem mau uso do amor e da confiança e até sentir pena deles. É possível encontrar pessoas tão puras quanto ela. Pessoas que acreditam, que amam sem medo, que estão sempre dispostas a ajudar, sem pedir nada em troca.

Ao crescer, ela aprendeu que a vida tem um propósito e que amadurecer não é se endurecer e se fechar para o mundo. Amadurecer é só mais uma das descobertas do que é lindo na vida.

Não esqueça, supere

 

Há algum tempo escrevi algo assim: “Esquecer não é a melhor decisão. Não devemos esquecer nada, nem as boas lembranças nem as ruins. Querendo ou não, nosso passado nos ajudou a ser quem somos. O essencial é superar. Porque, se você supera, não precisa esquecer, você pode lembrar porque aquilo não te afeta mais.” Mas, mesmo essas palavras tendo saído de mim, eu mesma não compreendia muito bem como fazer isso, talvez até hoje não compreenda totalmente, apenas saiba lidar melhor com as situações da vida.

Esquecimento. Você já se deu conta de que todo esse foco para esquecer algo é justamente o que te faz lembrar? Aliás, é possível forçar o esquecimento? Não. Com certeza, não de maneira saudável. As pessoas falam tanto de como gostariam de esquecer isso e aquilo e ironicamente se esquecem do quão triste é o esquecimento propriamente dito. Não ponderam a tristeza que é quando isso acontece por consequência de uma doença. Não levam em conta que suas lembranças são sua maior certeza, sejam elas como forem.

Uma vez, quando eu era pequena, lembro-me de ter dito aos meus pais que eu queria poder esquecer tudo, mas não havia me dado conta do que esse “tudo” significava. Eu simplesmente queria uma forma para lidar com a situação e, seguindo o senso comum, achei que o melhor jeito era esquecer. Assustados com o meu desejo, meus pais me pediram para nunca mais dizer aquilo e me explicaram que ele faria com que eu me esquecesse de cada pedacinho da minha vida, e não somente as coisas ruins. Esquecer tudo seria não me lembrar da minha história, da minha família, dos meus amigos e de mim mesma.

Quantas vezes dizemos que queremos esquecer tudo? Quantas vezes desejamos que nossas lembranças se percam? O que é irônico porque, quando nos esquecemos de algo que não queríamos, aquilo nos incomoda, ficamos bitolados tentando lembrar o que era. É incômoda a sensação de “estou esquecendo algo” e ainda assim almejamos o tão famoso esquecimento.

Você pode me dizer que quer esquecer apenas as coisas ruins. Mas já pensou que, se isso acontecer, todo o aprendizado e amadurecimento adquiridos em um momento ruim também se vão? Eu sei que existem lembranças cinzas as quais parecem que nos assombrarão por toda a vida, mas acredite, apesar delas, você pode pintar o mundo com as cores que quiser. E, para fazer isso, basta superar.

Superação. Sinônimo de vitória e triunfo. Triunfo de não ser dominado pela obsessão do esquecimento. Superação. Palavra que carrega consigo o significado de liberdade. Liberdade de deixar algo para trás porque finalmente aquilo foi superado. A superação não está presente apenas na posterioridade do término de um relacionamento. Vai muito além. A vida é uma constante superação, seja de obstáculos, doenças, momentos, términos, medos. Seja o que for, você pode superar.

Eu não posso te dar uma certeza de como ela acontece, pois, acredite, eu mesma tenho muito coisa para superar ainda e confesso não saber como fazer isso. Eu não posso ditar qual caminho você deve percorrer ou quais atitudes deve ter para alcançar a superação porque não existe um roteiro a ser seguido. Cada caso é um caso; cada situação, uma situação; cada pessoa, uma pessoa e cada coração um coração. Não há uma receita universal que te norteie como superar algo, não há ingredientes a serem adquiridos para facilitar o processo.

Apesar de parecer simples, sabemos que é sempre mais fácil falar do que fazer, principalmente quando tal ocorrência não depende somente de nós. Mas, se quer um conselho, não se atormente, não se bitole nem com o esquecimento nem com a superação, quando menos se espera, ela chega. Apesar de complexo, é encantador.  É como abrir asas e voltar a voar depois de muito tempo preso dentro de si mesmo.

PREPARA UM CAFÉ

“A thousand lies have made me colder and I don’t think I can look at this the same, but all the miles that separate. They disappear now when I’m dreaming of your face…”

Boa tarde, começo esse texto sem pretensão alguma de chegar a você, mas caso esteja lendo estas linhas bem alinhadas e justificadas, trate de alinhar sua coluna onde esteja. Espero que minhas ações sejam justificadas após a leitura destas palavras. Eu preconizo-o a preparar um café fumegante, as palavras não vão fugir daqui, ao contrário de quem vos escreve, aquela que dispersa palavras e gestos, mesmo quando tudo parece fluir e o aconchego é aprazível. Espero que a água esteja quente, e o cheirinho do café invada seu corpo todo. Eu sei que você gosta. Talvez sua garganta resseque, e você me agradeça por ter sugerido o preparo desta iguaria que tanto amamos.

Bom, eu já fui magoada, talvez esta afirmação não lhe cause espanto, estamos sujeitos a caminhos tortuosos, mas eu fui machucada, deixada com o coração em frangalhos, sem vontade de conhecer alguém; pelo menos até aqui. Eu construí fantasias e castelos, assisti o derrocamento deles, estava tão perto das ruínas, que estilhaços machucaram o meu corpo, chegaram a adentrar a alma. Cicatrizes tão difíceis de serem vislumbradas, mas que atormentam diariamente meu ser. Eles desmoronaram como castelos de areia, aqueles que a gente faz na praia, com a esperança de ficar por ali, mesmo com a convicção que as ondas irão levar todo o esforço de uma tarde de verão.

Uma miscelânea de sentimentos e vontades. Acreditei em promessas vazias e apressadas, pois tinha urgência, talvez uma doce inocência em acreditar nas pessoas. As pessoas mudaram, as histórias receberam floreios, mas o final era sempre o mesmo: Acabava entre eu mesma, um caderno usado, uma caneca de chá e vários lenços de papel pelo chão. Você não tem culpa de eu ter depositado minhas expectativas em pessoas erradas, mas não queira minha total confiança. Talvez você seja mais do mesmo, mas talvez (e eu espero que seja assim), você me mostre que ainda há esperança.

Somos diferentes, embora eu seja apaixonada pela física e tenha estudado detalhadamente a Lei de Coulomb, peço licença poética a Charles Augustin, para falar que os opostos se distraem. Vamos lá! Somos mais um clichê barato de tudo que já foi visto, falado e ouvido. Você mora longe, meu gosto musical é duvidoso, você é calmo e detentor de uma paciência admirável por mim. Eu falo alto, perco a cabeça, a razão, as chaves do carro, e os argumentos em uma discussão. Você não gosta de mocinhas como eu. Mocinhas como eu, que preferem andar com os pés descalços, que comem petiscos com a mão, que nem sempre sentam com as pernas cruzadas, mocinhas que possuem um dialeto que faria minha professora de português do fundamental chorar de desgosto, mas mesmo assim, você teve curiosidade de descobrir o que eu escondo; atrás de uma franja jogada para o lado e três camadas de máscara para cílios.

Eu esbarrei em você em um sábado, eu sempre achei que iria conhecer pessoas interessantes em uma livraria, ou correndo pelo parque domingo de manhã, mas era um sábado à noite, e o ambiente não tinha a melhor iluminação ou som ambiente. Perdoa minha inconstância, minha voz gritada, minha urgência em te encontrar, faz-me acreditar em ti por um final de semana, ou um feriado prolongado. Eu não estou procurando casamento, ou alguém para provar que a vida a dois pode ser interessante. Eu realmente me basto, mas você pode acrescentar tanto na minha essência.  Eu só desejo que quando estivermos juntos sejamos apenas nós. Sem meu passado e sem promessas futuras. Vamos viver o momento, matar a vontade e a saudade. Vamos viver o hoje, colocar à prova as leis da física, vamos deixar Newton pra lá e jurar que dois corpos podem sim ocupar o mesmo espaço no mesmo momento.

Não aguento mais falar de você

Alguns anos já se passaram. Seis para falar a verdade, se você decidir contar. Eu já superei você a essa altura, é claro. Mas, parece que algumas pessoas ainda não entenderam isso. Porque outro motivo, continuariam perguntando de ti para mim? Uma situação que infelizmente é mais recorrente do que eu considero natural.

Nessa semana, por dois dias seguidos seu nome acabou surgindo em conversas aleatórias. Primeiro, minha mãe perguntou sobre você – não faço ideia do motivo, eu estava falando de outra pessoa no momento quando ela disparou a pergunta “E o fulano?”. Eu olhei para minha mãe e me perguntei se ela estava falando sério ao me perguntar de você, mas achei melhor desviar o assunto e respondi a verdade, que estava me referindo a outra pessoa que chegou à minha vida depois de você. Depois uma colega de trabalho também perguntou se eu estava falando sobre você, sendo que a conversa que estávamos tendo nada tinha a ver contigo.
E tem sido assim nos últimos seis anos. Eu tentando deixar você no passado e as pessoas sempre trazendo seu nome à baila no presente, como se fosse divertido para elas me deixar constrangida com as lembranças que restaram. Que no fundo não são muito boas, preciso dizer.

Durante muito tempo eu carreguei o peso da culpa nos meus ombros. Sozinha. Até nossos amigos em comum na época, pareciam me dizer com seus olhares e atitudes, que a culpa era minha por tudo ter acontecido daquela maneira horrível. Por nós dois não termos “funcionado”.

Mas agora, depois de tanto tempo, eu consigo enxergar minha parcela de culpa sem sentir que é um fardo e até a aceito. Só que também enxergo a sua culpa. Afinal, você não quis conversar, não quis tentar discutir comigo o que você achava que estava errado com a nossa relação e continuou me provocando e me confundindo, me desestruturando, até não restar nada que pudesse ser feito para recuperar o que tínhamos de melhor. Você não quis a gente.

Doeu. Pra caramba e por mais tempo do que eu gosto de admitir. Mas hoje não dói mais. Finalmente. Só que eu realmente não aguento mais falar de você. Como se fosse uma ladainha interminável, eu estou exausta de ouvir seu nome. Estou exaurida de não conseguir desvincular minha vida da sua de uma vez por todas.

Não quero suscitar nenhum tipo de ressentimento entre nós. Na verdade, esse texto nem é para você. Essas palavras mal elaboradas e despejadas de maneira disforme, são para todas as pessoas que não param de falar de você. Porque quero deixar bem claro e indiscutível o fato de que eu não aguento mais falar de você e espero que a partir de agora, haja uma pedra em cima desse assunto, em cima do seu nome.

Sem lamentações ou desprezo, apenas quero seguir meu caminho, sem tropeçar no seu nome por aí. Perdoem-me se estou sendo grosseira, mas será que fui clara?
Espero que tenha sido cristalina.